domingo, 30 de novembro de 2014

"(...) Posso explicar uma porção de coisas mas não posso explicar a mim mesma..." _____________________________ (Alice no País das Maravilhas)


Gostaria de não ter chorado tanto! 
— disse Alice.
Parece que vou ser castigada por isso agora,
 afogando-me nas minhas próprias lágrimas!

Lewis Carroll

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Bem, meu nome não é Alice, mas sei exatamente como ela se sentia. Estou urgente demais para o mundo só que ao contrário. As lembranças me perseguem e o tempo me mostra que há ainda muito pela frente, o problema é que eu sempre me atraso para tudo que possa me fazer feliz. Meus pensamentos não ficam na cama, e toda vez que acordo me sinto pequena demais para tudo que está do lado de fora das minhas cobertas. Tenho tantas cartas de baralho pelo caminho, no entanto não sei como jogar. Olho para trás e vejo um punhado de sonhos esperando para começar. É como se tudo estivesse de cabeça para baixo, o mundo gira e eu vou pelo sentido contrário. Tento encolher o coração para sentir pouquinho. Deixo meus braços entreabertos para não me sentir tão sozinha, o hoje pode ser cruel demais. Aprendi a falar em silêncio, e mesmo insegura todo sorriso sincero me faz ficar. Muito embora eu não entenda como minha vida possa ir sem mim, já percebi que mesmo não pertencendo a nada daqui eu posso fazer minhas próprias escolhas, então trato de acordar as minhas expectativas e vou atrás do que não me esperou. Às vezes eu sou um pouco Alice, mesmo sendo alérgica a gatos (incluindo os falantes que voam) e não tendo nenhum chapeleiro ruivo que possa me ensinar a dançar, entendi que o país das maravilhas é algo que está dentro, lá onde só quem acredita em si mesmo pode alcançar.

Luara Quaresma