sexta-feira, 30 de junho de 2017

Parafraseando Pablo Neruda: Se sou amada, quanto mais amada, mais correspondo ao amor!

Arquivo Pessoal
Nem todo mundo que eu carrego no peito tem noção certa do quanto eu os vivo. A minha saudade é forte, é viva, é cheia de mim com quem eu amo. Eu me embaraço nos braços dos que só de existirem me fazem feliz! Sou desse jeito mesmo, carente? Não sei se é essa a definição, mas é que eu sou afeto, sou todo gesto de Amor e carinho. Sou de fazer cartas, sou de chorar a falta de alguém e quase morrer de felicidade com um abraço apertado! Sou de fazer "caras", de disputar atenção, sou cheia de dengos e dominada pelo meu coração!!!

Joany Talon

segunda-feira, 26 de junho de 2017

De vez em quando, surge um vento mais forte e fecha as janelas pelo lado de fora. Quando acontece, é bobagem tentar brigar com o vento. A gente espera ele esvaziar e reabre as janelas pelo lado de dentro. _________________________ Ana Jácomo

As mãos dadas, as palavras serenas, a cidade assaltada por perfumes, intenções levemente apimentadas pela ausência de limites, limitadas estariam apenas as estradas de acesso ao medo e às crenças que desconsideram as verdades amorosas, pela incompetência de ser estar transformar-se em alguém mais amoroso. Um mundo são milhões de pessoas, e um mundo pode conter apenas dois. E o amor no meio disso. Presente. Sempre. Fazendo-se vento, folhas caem para sinalizar _ olha o amor!, flores pipocam em ipês amarelo-solares, e sussurram, _ olha o amor!, um beijo, dois beijos, muitos beijos acontecem exatamente neste instante, e no instante que se fará seguinte, e em todos os demais, beijos estalam-se mais do que so teimosos nãos que somos capazes de dar, e para que?, para dizer _ olha o amor!, o movimento dos carros, as idas e vindas, quem chega, quem parte, quem fica, quem volta, quem é que não faz tudo que faz exatamente por amor, como se toda alma ultrapassasse os domínios aparentes do corpo, adquirindo vida própria e valendo-se de cada gesto para lembrar _ olha o amor!, OLHA O AMOR, CAMARADA!, renda-se, não se oculte em sombras bobas que nada mais são do que, (oras, vejam!) amor, é tudo amor, sombras, mágoas, lágrimas, dor, é tudo amor, do avesso, do direito, em cada botão de rosa ou de roupa que cai no chão quando o amor se faz também com o corpo de quem se ama. Está tudo impregnado de amor, embora ele seja muito muito muito maior do que se pode ver.



Be Lins

sábado, 24 de junho de 2017

"nos tempos cor de cinza não saia ela nunca de casa a proteger-se dos ventos do destino." ________________________ Gui Antunes


junho/2017
Ela pensa que será mais feliz se mudar de emprego. Ele pensa que será mais feliz se viajar para a Europa. Ela pensa que será mais feliz ao trocar de apartamento. Ele pensa que será mais feliz ao comprar seu carro. Ela pensa que será mais feliz com 3 kg a menos. Ele pensa que será mais feliz com 3 kg a mais. Ele pensa que será mais feliz se dormir com outra. Ela pensa que será mais feliz se não dormir com mais ninguém. Ele pensa que será mais feliz se acordar mais cedo. Ela pensa que será mais feliz se dormir até tarde. Ele pensa que será mais feliz depois de concluir seu curso. Ela pensa que será mais feliz se pular domingos. Ele pensa que será mais feliz ao chegar na festa. Ela pensa que será mais feliz ao chegar nas férias. Ele pensa que será mais feliz se beber demais. Ela pensa que será mais feliz se amar de menos. Ele pensa que será mais feliz se se jogar. Ela pensa que será mais feliz se se poupar. Eles pensam que serão melhores além do que são. Eles sentem que serão melhores para além do que tem. Ela quer mudar seu futuro sem passar pelo presente. Ele quer mudar seu presente adiando-se para o futuro. E vice versa.


E o que eles querem é um futuro a dois quarteirões de distância com o amor os esperando na esquina.


Guilherme Antues

segunda-feira, 19 de junho de 2017

"Ah, se eu pudesse escrever com os olhos, com as mãos, com os cabelos - com todos esses arrepios estranhos que um entardecer de outono, como o de hoje, provoca na gente." [Caio F, Limite Branco - capítulo XIX - diário IX]

Arquivo Pessoal
Então o outono vai se ajeitando na gente. Ou a gente vai se acomodando no outono da vida. Ameno tempo. De silêncio e manhãs geladas. A gente só aprende mesmo é com a idade. Que a ordem das coisas não é proporcional às vontades. A vontade é própria. Resta é o se ajeitar. Ao frio. À fome. À saudade. Às pequenas grandes rejeições, frustrações, com mimos de toda espécie de delicadeza que nos faça seguir ao sabor desta força que sopra e comanda, e só avança. Avançar. Abraçar o que há. Há de ser o que de melhor houver. E se não for bem daquele jeito, arranja-se um jeito de se, novamente, se ajeitar. Se aninhar nas sensações. Pro frio, o agasalhar. Pra fome, o alimentar. Pra saudade, o suspirar. Pra o que não foi, o imaginar. Para o que pode ser, o esperar. E para todo resto, o viver. Catando folha pro ninho ser o mais quentinho que der. E se não der, esperar o dia em que há de ser. Porque é o que a gente descobre. Prestando atenção. Tem tanto mundo lá fora, passando perrengues de toda ordem, e indo, seguindo o ritmo das estações, das condições, das aflições, e da pequena comemoração do entardecer de mais um dia ter nos permitido ser. Ser o que somos na medida em que vivemos. Em que habitamos este chão, e sobretudo, nosso próprio chão. Habitar-se. Ajeitar-se. E para o frio de dentro, canções. Para a fome de dentro, talvez o cultivo das melhores intenções. E sonhos. E desejos de que tudo avança. E a gente se esbarra. Com novidades. Com surpresas. Com sustos, ou sortes, com tristezas e alguma cura, com saudades e o capricho dos acasos, com o choro, e com a calor do consolo, que vem de singulares menções. Uma troca aqui, outra acolá, uma boa noticia, gente junto, gente que pensa junto, sintonias, inconscientes que se aproximam, instigam, te levam pra frente, ainda que frente seja o destino, o Universo, e todos os versos que ainda hão de rimar, outono com sono, folhas caídas com esperanças renascidas, murchar com aguar, entristecer com acontecer, idas com voltas, quedas com cascatas, águas com flores lilases, e caminhos com beijos, e beijos com trechos de alguma canção que não foi feita pra ser esquecida. A vida, essa menina sabida que tem por mania nos lembrar que só o que importa é achar, um dia por vez, um bom jeito de se ajeitar. Nas estações.

Be Lins
voltando pra casa,
 pausa para fotografar o por do sol
de outono

jun/2017



quarta-feira, 14 de junho de 2017

Os dias mais marcantes são aqueles em que a gente sai deles um pouco modificados. São os dias em que, sem anestesia alguma, somos confrontados com as verdades que nos fazem crescer, e de alguma maneira, enrijecer. ______________________ Fabíola Simões


Todos nós passamos por  momentos em que a vida nos dá uma rasteira e não sabemos mais em que solo pisamos. A gente se fere, se fecha, se ressente. Mas é preciso força para ser novamente semente. Para transformar pequenas gotas de orvalho em banho de chuva corrente. Para chorar mágoa e renascer flor. Para enxugar o pranto e cicatrizar a dor. Não é de uma hora para outra que a gente endurece. A dor é cumulativa, e de tanto sentir o chão ruir, vamos nos fechando também. Aos poucos fui tecida concreto, cimento e rocha. Aos poucos tornou-se pedra a menina que um dia foi flor. Porém… Ninguém é feliz por inteiro quando perde a fé. Quando perde a esperança por dias risonhos e noites dançarinas. Quando não há transpiração nem emoção. Quando falta amor e e emoção. A isso existe o tempo. O tempo que sopra as feridas e afofa o solo árido de nossas crenças e emoções. O tempo que restaura a dor e seca o pranto. O tempo que possibilita que volte a ser flor o que um dia foi pedra. Contrariando o que se esperava dela, a flor rasgou o chão. A flor rompeu a muralha de cimento e buscou a luz. A flor encontrou uma sutura mal feita na rocha e brotou inteira, forte e verdadeira, sob os raios de sol. A flor desafiou as intempéries da jornada e resistiu como alicerce de delicadeza e fortaleza. Que haja mais motivos para ser flor do que pedra. Que minha alma não endureça a ponto de murchar diante do primeiro obstáculo, nem de perder o viço diante da aridez do terreno. Que não falte brisas de esperança, chuvas torrenciais de harmonia e luz abundante de calmaria. Os dias mais marcantes são aqueles em que a vida contraria o óbvio. Em que os começos difíceis são massacrados pela força de um final feliz. Em que a brisa suave do pensamento leva embora um furacão de sentimentos. Dias em que a urgência de ser feliz aprende a ser calmaria do encantamento. E tempo em que toda a poesia grita em detrimento de todo barulho que há em mim…


Fabíola Simões

domingo, 4 de junho de 2017

"Eu sou tão feliz por viver em um mundo onde existem outonos."

"E nas esquinas do tempo, há paragens ...há silêncios necessários ao equilibro.
Deixamos ancoradas pessoas, momentos, coisas e sentimentos.
A vida faz-se caminhando e por vezes,
precisamos de dar alguns passos atrás,
para (re)tomarmos o sentido."
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