quarta-feira, 31 de maio de 2017

"a menina passarinhava as linhas do tempo sem lembrar que o vento às vezes baila distâncias intransponíveis em rede- moinhos...” _________________________ Lilly Falcão, in 'Arabesque-se-

"O mundo parece do contrário. Vamos nos enchendo de objetos e nos esvaziando de sustância emocional, pois acabamos apenas enxergando o que os olhos veem, esquecendo-nos das carências de nossa essência humana. Por isso é que muita gente se preocupa com os riscos na calota do carro, sem nunca perguntar como sua namorada se sente. Por isso é que muitos pais olham o boletim escolar, mas se esquecem de olhar nos olhos dos filhos. Por isso é que muitos de nós percebemos quando o amigo engordou, porém jamais percebemos o quanto ele está precisando de nossa ajuda. Por isso é que, muitas vezes, temos tudo o que queremos, mas não temos ninguém de quem precisamos. Uma dica: perca coisas e não pessoas. Coisas a gente compra de novo, pessoas a gente perde para sempre."






Prof. Marcel Camargo-

sexta-feira, 26 de maio de 2017

"Romances são folhas em árvores de verão. Lindas folhas à balançar ao sabor da brisa quente que embala noites e dias de sol e de lua, mas que finda a temporada, precisa seguir viagem para o outono da vida, e suportar o inverno das distâncias e saudades, e ressurgir nas Primaveras para arder de novo e de novo a cada verão, enquanto folha for. O resto é trabalho para os anjos. Ouvir, abraçar, acarinhar, curar, passear, mimar, DAR IMPORTÂNCIA, verbos tão meus...."

Arquivo Pessoal
Tive um sonho lindo na noite que passou. Um sonho em tons de azul. A tarde era azul, o moço era azul e até eu mesma estava lá, toda azul. Havia uma atmosfera de calma e suavidade. Não aconteceu nada de muito especial na verdade, exceto o fato de estarmos os dois lá, juntos, com uma coisa muito parecida com o AMOR pelo ar. O mais interessante no entanto, é que sabíamos que estávamos dentro de um sonho. Um dizia ao outro que queria uma noite eterna para o sonho não acabar. Aí, o moço azul disse pra mim no sonho:_ Não se preocupe , amor, a gente já sabe o caminho, é só fechar os olhos, e falar seu nome baixinho até dormir. Eu sempre estarei aqui, a te esperar. Então eu disse:_ seu nome também é a última palavra que lembro antes de adormecer. Estava combinada a nossa senha secreta para entrarmos no nosso lugar. Sorrimos longamente. Aí acordei, e tive um dia feliz. Não sei por que, mas creio que os anjos existem mesmo, e um deles me visita em sonhos e me faz sorrir. Sorrir um sorriso azul sem fim.


Be Lins

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Ela não pediu para ser assim, ela nem queria ser, pois ser poeta é algo extremo, vai da leveza à dor, e dói. É não dar conta de esconder as angústias, o amor e as vontades acumuladas. É um pensar que grita. É se expor, sem pretensões. É um sentir que transborda, que vai além e brota. ________________________ Thalita Souza

Sim Thalita, os poetas me inspiram!! Eu os amo!
Sobre nós poetas: nada vem do nada, se produzimos é porque somos/temos muito, e em momentos difíceis, fazemos do nosso vazio - aconchego, costumamos ser criativos com o que nos cercam. Sem soberba e egocentrismo, eu tô falando é sobre 'Sentir! Talvez a única coisa que nos diferencia das outras pessoas é o fato de colocarmos para fora sentimentos que muitos guardam para si. A prova de tantas identificações e admirações do nosso trabalho diz isso. Ser poeta é colocar sua essência em um diário e deixá-lo aberto, estamos expondo tudo o que somos, tudo o que temos, o que nos falta e aquilo que gostaríamos de um dia ainda ser/ter. E assim diante nossos amores e desamores, fracassos e vitórias, tristezas e felicidades, dentre outros que nos sustentam, fazemos arte. É como se nossas dores e alegrias fossem importantes para as pessoas, nossas vivencias e turbilhões de sentimentos acabam virando fonte de inspiração. Sabe o que torna isso ainda mais louco? É saber que no final de tudo, não estamos falando de nós e sim daqueles que nos lêem. Estamos mostrando para eles as possibilidades de sentir e existir que um ser humano pode vivenciar. Através dos nossos sentidos eles constroem os deles, cheios de autenticidade e enxergam que é possível! Somos todos poetas meus caros, somos do Sentir! 

_Thalita Souza

domingo, 14 de maio de 2017

"Olho teu ombro com olhos de quem precisa tanto dele. É porto que quero ancorar. É terra prometida. Descanso. Meu doce amor, amo-te por completo. És minha vontade de nunca mais sair de perto. Águas calmas. Encanto." ________________________________ (Rachel Carvalho)

A vida é mágica em muitos aspectos e pode, em sua beleza e amplitude, nos surpreender com acontecimentos inesperados. Nesse caso me refiro a um encontro, romântico ou não, com uma outra pessoa, um encontro não premeditado e inesquecível. Algo que muitas vezes parece nascer do acaso, mas que na verdade é uma resposta para os nossos anseios mais profundos. E quando a vida traz para perto de nós um outro que se afina às nossas expectativas, dentro de situações coincidentes, falamos de “sincronicidade”. Nesse ponto podemos lembrar daquele “estranho” que um dia nos deslumbrou com palavras, gestos e ações que para nós se mostraram de imenso significado. Como se a vida nos falasse através dele. Falo aqui desse encontro que muitos podem entender como um que “não deu em nada”, mas que para nós se traduziu como algo memorável e de uma força sem igual, algo que carregamos como um tesouro, dentro da gente, por toda a vida. O conceito de “sincronicidade” foi desenvolvido por Carl Gustav Jung para definir acontecimentos que se relacionam não por relação causal, isso quer dizer que não importa se haverá uma sequência racional para eles, mas sim por relação de significado, ou seja, o essencial é o que significam para nós no decorrer de nossa vida. Para descrever melhor a amplidão desse arrebatamento capaz de nos tirar o ar em um momento não esperado, vou falar de dois filmes encantadores que traduzem bem o conceito: “As Pontes de Madison” e “Antes do Amanhecer”. Os dois filmes são muito especiais e merecem nossa atenção carinhosa. Resumidamente o filme “As Pontes de Madison” narra um encontro amoroso entre Francesca Johnson, uma dona de casa que mora em uma fazenda no interior de Iowa e Robert Kincaid, um fotógrafo da National Geographic, de Wasghinton, que estava pesquisando pontes fechadas e uma vez em Madison, pediu informações à Francesca. Já em “Antes do Amanhecer” somos expectadores de um encontro entre dois jovens, Jesse e Caroline, ele americano, e ela, francesa, que se conhecem por acaso em um trem na Europa e que resolvem saltar em Viena, para juntos passarem algumas horas conversando e se conhecendo melhor até o rapaz ter que embarcar de volta para os EUA. Esses filmes são belíssimos, sutis, delicados, muito bem dirigidos e ambos são inspirados em histórias reais. Histórias que aconteceram por acaso e que marcaram profundamente os envolvidos a ponto de saírem da memória e ganharem as telas. Esses encontros magnéticos, nos dois enredos, ocorreram como se fossem determinados pelo destino. Esses homens e mulheres precisavam de uma experiência emocional transformadora no exato momento em que se encontraram. O filme “As Pontes de Madison” é uma adaptação do romance de Robert James Waller, romance inspirado em fatos verídicos, e o “Antes do Amanhecer” foi filmado tendo como base o encontro real entre o diretor Richard Linklater e uma jovem chamada Amy Lehrhaupt no ano 1989. Os dois se conheceram em uma loja de brinquedos na Filadélfia, quando ele tinha vinte e nove anos e ela vinte e um, e resolveram passar uma noite juntos, assim como o casal do filme. Dias ou até mesmo horas são mais que suficientes para que uma experiência seja transformada em algo significativo e precioso por longos anos. O tempo de um evento não traduz o tempo de sua permanência em nós. A admiração e/ou o amor que nascem de uma casualidade e que crescem espremidos em um tempo contado podem se alongar por toda uma vida e isso só depende do significado desse encontro para nós. Em “As Pontes de Madison” o envolvimento amoroso entre os personagens deu ânimo e força para que Francesca pudesse se voltar inteiramente ao cuidado dos filhos e marido até sua morte. Contudo não podemos ignorar que sempre houve nela a vontade de se unir ao fotógrafo, vontade expressa pelo pedido, em testamento, de que suas cinzas fossem jogadas juntamente com as de Robert nas fundações da ponte Roseman. No caso de “Antes do Amanhecer” o diretor relatou ter dito a Amy, a moça que o inspirou durante horas de conversa, que faria um filme sobre o encontro que tiveram. Em entrevista Linklater admitiu que com a estreia do filme tinha esperança de reencontrar Amy, algo que não aconteceu, infelizmente, pelo fato de meses antes do início das filmagens de “Antes do amanhecer” ela ter sofrido um acidente de moto, aos vinte e cinco anos, e morrido. Eventos carregados de sincronicidade guardam em si um deslumbre e um anseio velado por mais, contudo não precisam desse mais para se expressarem completos em significado. Em “As Pontes de Madison” Francesca precisava ser ouvida e percebida. Ela queria um homem sensível e Robert precisava ser amado. No caso de “Antes do Amanhecer” os personagens Jesse e Celine precisavam desse encontro recheado de descobertas e significados. Nesse ponto talvez vocês estejam relembrando um encontro único e mágico que tiveram na vida ou estejam se perguntando quando ele irá acontecer. De acordo com Carl Gustav Jung esse encontro só acontece quando nossa alma está preparada para ele, quando ela está pronta para reconhecê-lo e vivê-lo de forma plena. Esse encontro, que parece casual, nada mais é que um chamado inconsciente de todo nosso ser, da nossa alma, pela experiência desejada. No entanto, ele pode nunca acontecer se nosso interior não estiver apto. Sabem aquela estória sobre cuidar do nosso jardim para então virem as borboletas? Ela é muito significativa. E nesse ponto não nos convêm esquecer que borboletas se encantam por jardins autênticos e só se aproximam quando percebem em nós um anseio profundo por elas.

sábado, 6 de maio de 2017

"Ela tropeçou numa súbita e irreprimível confissão de amor, chocou-se contra o medo de não ser correspondida e caiu no chão duro da impossibilidade de voltar atrás?... Era tarde, agora... _______________ Mas aí ele estendeu os olhos para os olhos dela e a levantou de onde quer que fosse, para sempre, com estas palavras: eu também a amo!" __________________________________ D.A.

Peço que a seguir desconsidere eventuais erros de concordância entre o tempo e as saudades, grife apenas a poesia oculta nas tristezas e deixe somente o meu amor em evidência. O amor emudeceu-me, amordaçou-me, e falou por mim. Disse saber dos detalhes e verdades tuas que floresceram num ontem enfeitado por nós. Assim, venho pedir-lhe: dispensa-me deste agora em que não te encontras, pois, o teu amor tornou sagradas as lembranças: templo passado que regresso apenas para saber de ti. Permita-me voltar e buscar-te no ontem, para nos repetirmos nos detalhes de que são feitos os amantes. Cenário onde não se exige nada além daquilo que já fomos. E nele, quero correr reincidente risco de morrer de amor, ainda que eu não venha a saber como renascer, visto que não há chances em que aprenderei a me despedir de ti. Não sou nem serei versado nas ausências que vez em quando permite o amor em nós. Coração que jamais sofreu com saudades e despedidas só pode ser aquele que ainda não (se) partiu. Você partiu e eu, partido estou. Sinto saudades como se ontem fosse lugar distante, mas dos lugares, o mais bonito, distante de um hoje em que teu olhar não mais cruza o meu. Por isso vivo inteiro ontem, e apenas lá, visto que os amanhãs não pertencem a nós dois, nem nós dois a eles. Por lá habitam apenas as promessas e os desejos. No passado, toco-te a despertar adormecidos sonhos com teu cheiro. Por isto, lá vivo, convencido que o hoje nasceu para o ontem, para contar-me de ti pelas memórias com o teu nome, a calar o tempo com o som da tua guardada voz em mim, para suspender o agravamento das tristezas. Hoje é também um pretexto para esperar a tua volta e me abençoar, vestir-me de sol e lembrar como amanhecer, chegando à conclusão que o que havia sentido ontem, na ausência tua não fez sentido algum. O que fazer depois que o amor vai embora? Do hoje parti quando ontem me despedi de ti. E por que costuma o amor partir antes da hora? Lá, no ontem, éramos o nosso melhor encontro, pois as despedidas não haviam de ser. Mas aqui, neste frágil agora, dói-nos o luto da separação e de não sermos mais. No ontem não sou tão real quanto sou hoje, mas quem se importa?

Guilherme Antunes