quinta-feira, 30 de junho de 2016

"Meu coração tem mania de amor." ___________________ Paulinho da Viola

Se entregar a verdade de amar é sentir-se leve o suficiente para viver um amor sem vaidade e orgulho. Coisa para poucos, eu sei. Mas chega um dia, ou pelo menos deveria chegar, que a maturidade da nossa vontade de amar transborda. E transborda tanto, que sentimos saudade do pouco que muito diz e, como quem nada quer, transforma eletricidades em calmaria. Chega uma fase onde a vida pede, implora, calma e companheirismo. Pede varanda, pede cautela, pede silêncio em dupla e pede sinceridade em forma de risada e beijo. O fato que é nem todo mundo tem firmeza de admitir que amores calmos são bem-vindos. Ficamos ali, permeando entre nossos medos e receios de um amanhã, como se o amor existisse somente para poucas, e sortudas, almas. E quando o vivemos intensamente, como volta e meia dizemos e hasteamos por aí, nos julgamos vulneráveis. Mas a verdade é que ninguém se torna vulnerável por procurar amores nas tais varandas da vida. As pessoas se tornam vulneráveis por colocar todo sentido da vida em buscas tão únicas e fluentes. Claro que, se eu pudesse, viveria ao lado de alguém com alma de música. Deitaria na sarjeta olhando as estrelas e viveria aquele amor em forma de plenitude e beijos atravessados. Mas, enquanto isso não acontece, continuo vendo meus seriados, mimando meu gato,  com atitudes de tamanduá e comendo minhas comidas congeladas. Tudo isso com a mesma positividade de sempre, mesmo quando estou no fundo do poço. Até porque, melhor estar no fundo do poço do que continuar caindo. Mas será que um dia acharei esse amor que tanto escrevo, vivo e sonho? Será que descortinarei beijos que não precisem pedir volta? Sem respostas assentidas de verdade, vou rindo comigo à mercê dos ineditismos da vida, criando laços que enfeitem meus caminhos e, nunca, deixando o pessimismo ressecar minhas emoções. Pois minhas emoções me tornam um ser simples, inocente, autentica e de riso sempre inédito. E assim, me lembram que amores novos não combinam com expectativas velhas.



Frederico Elboni- Adaptado

domingo, 26 de junho de 2016

Morena volta até o dia clarear, se não a noite nunca vai se acabar, aconteceu alguma coisa pois o meu coração tá pipocando feito bomba de São João. Como não amar?

25 de junho 2016
A cada dia o homem consegue aprender mais. Adquire o conhecimento ao alcance dos dedos a uma milionésima rapidez. Pena que sua burrice também o acompanha com tamanha ferocidade. Queremos uma titulação como se essa fosse tornar-me outra pessoa; e entendemos que o bem material é atribuído ao que traz felicidade. Mas na mesma hora optamos por vestir um jeans rasgado, uma camisa quadriculada e pintar os dentes de preto. Em sua vida urbana e dita perfeita, transportamos ao modo de vida simples e rústico do campo. Quanta felicidade! E pensar que o verdadeiro conhecimento da vida eles também conseguem ter ao alcance de seus dedos. No toque da natureza, ela ensina. Ensina que o silêncio e água vão valer mais que ouro; que o maior título de um homem é na verdade o título de bom caráter; e que o verdadeiro bem que se deve preservar é o bem estar físico. Saber apreciar a vida é o melhor que se pode aprender.
(D.A.) 

junho indo embora...



quinta-feira, 23 de junho de 2016

“Se o inverno chegou, a primavera não estará distante.” (Percy Bysshe Shelley)


 "Silêncio. Café quente. 
Tempo frio. 
Chuva. Saudade."
— Orquestrando.
No Outono, já nós contávamos sentir-nos tristes. Quando as folhas se soltavam das árvores e os seus ramos nus lutavam contra o vento, na luz fria e anunciadora do Inverno, era como se uma parte de nós morresse todos os anos. Mas sabíamos que a Primavera havia de ressurgir, tal como sabíamos que o rio, rompendo a sua camada de gelo, havia de voltar a correr. Quando as chuvas geladas persistiam e matavam a Primavera, era como se uma criatura jovem tivesse morrido injustamente. 


- Ernest Hemingway.






domingo, 19 de junho de 2016

Queria poder sentir a alegria do vento matreiro tocando-me a face e ter nela o carinho das nuvens.(...)


Eu me encanto pela emoção das coisas...


Queria poder sentir a alegria do vento me tocando o corpo se eu resolvesse pular de bungee jumping. Queria sentir o toque da pessoa amada não só para o sexo, mas também para a companhia. Queria poder declamar minhas poesias prediletas e com elas animar a alma dos passantes das calçadas do tempo. Então um dia eu pedi mansinho: Vida, por favor, faça-me humana! E diferente de Kafka que acordou com antenas e casca dura, eu despertei nua, em carne e osso. Eu era um ser cheio de vontades, de loucuras, de ânsias e desejos. Eu era um ser humano e o mundo cabia direitinho dentro das minhas vontades. Fossem elas acertadas ou equivocadas, eu podia vencer a natureza instintiva que me habitava e escolher. E naquele dia, naquele feliz dia, a minha primeira escolha seria a do pé com o qual eu tocaria carinhosamente o chão, e a minha vontade, fosse lá qual fosse, declararia mansa e serena a minha imensa gratidão por eu ser eu mesma.


Vanelli Doratioto

sexta-feira, 17 de junho de 2016

O amor nos reinventa. E é ele quem dá as cartas. _________________________ Guilherme Antunes

A gente tapa a boca, mas não cala o coração.
Vivia ela de improvisos: encontros, caminhos, diálogos. A única exatidão de que tinha posse eram dos seus erros: encontros, caminhos, diálogos. Para ela, a soma dos erros não lhe facilitavam acertos, mas a inevitável direção dos seus destinos. Acreditava que os videntes se aproveitavam da vida medíocre de seus consulentes. Acreditava que liam nossos erros para a partir deles anteciparem outros mais e uma ou duas sortes entre os intervalos. Os acertos não apareciam contundentes nas leituras pois não lhes eram suficientes para consistentes constatações. Quão melhor a leitura dos equívocos, melhor a leitura dos possíveis. Assim se valiam as cartomantes - dos desajustes descritos na combinação das suas cartas. Apenas o amor poderia recombinar as pré-visões e salvar-nos das tristezas a que nos destinamos. O amor concede-nos a liberdade pelo despejo dos fantasmas e das repetições. O amor revela-nos a inédita porção do espírito onde não alcança nenhum cálculo sobre os amanhãs.



Guilherme Antunes

segunda-feira, 13 de junho de 2016

A cura começa com a ternura! _______________________ Ana jácomo

Ganhei e amei esta linda poesia!
Bela ternura!

Zaragatoa (Plantago coronopus)
"Os amores se soltavam na primavera; começavam em 1º de maio, com a plantação da árvore de maio e com discretas palavras floridas que se espalhavam pela aldeia. Eu mesmo ainda as empreguei nos anos 1960-1965, em minha pequena aldeia da Borgonha: nas portas das casas onde moravam as meninas, punham-se buquês de flores mais ou menos bonitas, mas ou menos eloquentes para dizer sem dizer o que pensávamos e o que esperávamos delas… Nossa gramática naqueles anos, se reduzia ao lilás, e o que contava para nossas apreciações era a quantidade e o cuidado dos buquês… Já não ousávamos mais oferecer flores silvestres, muito vexatórias para nossas jovens amigas. No entanto a linguagem das flores, inventada por enamorados condenados ao silêncio ou excessivamente submetidos a um controle social tradicional, por muito tempo permitiu exprimir ternura e sentimentos, sob os olhos das matronas, dos pais e dos maridos ciumentos. A acácia homenageava a graça, o áster a elegância, o bom-dia o coquetismo; já o boa-noite era um convite para aquele mesmo anoitecer, enquanto o aciano expressava o charme e o botão-de-ouro a zombaria. O sólido buxo: 'Não vou mudar'; a madressilva: 'Somos um para o outro'. O junquilho acusava a mentira, o cíclame dizia adeus, e o cipreste vinha confirmar que “Nosso amor morreu”. O morangueiro lembrava as delícias, a zaragatoa, “que tua imagem está gravada em meu coração”. O goivo amarelo: “Gostaria que fosse já”. O visco assegurava um triunfo próximo, a hortênsia reprovava a frieza, o jacinto azul significava suspeitas. O ouro-rosa propunha um simples flerte, enquanto a inocente margarida perguntava se se era amado, e o miosótis, como todos sabem ainda, pelos menos os ingleses, dizia: forget me not. A rosa, sempre muito oferecida, torna a dizer que se ama com matizes nas cores: a rosa pompom, que será somente um namorico, a rosa creme, que vai se amar deliciosamente. A tuberosa fala de volúpia até morrer, e a zínia, enfim: 'Silêncio, estão nos espiando!” (Grifei)




(Pascal Dibie, em 'Silêncio dos amantes', in: Mutações: o silêncio e a prosa do mundo / Org. Adauto Novaes. - São Paulo: Ed. Sesc, 2014, p. 363)

sábado, 11 de junho de 2016

"Teria sido fácil desistir, se o amor não fosse um motivo forte para eu continuar." ________________________ Vera Queiroz

Ainda me lembro do dia em que dissemos: seremos felizes até que a poesia nos separe. Primeiro, você riu, eu gargalhei. Depois, eu li, você ouviu e, por fim, eu lembrei, você se esqueceu e nós cansamos. Hoje, ainda que me falte você, nunca me faltará poesia. Um poema é o próprio abandono descrito em versos, diversas vezes. É o poeta em estado onírico implorando em rimas, alexandrinos, decassílabos decadentes: “Volta para mim, palavra bonita. Volta!”. Seu mundo sempre foi confuso, uma mistura moderna de Garcia Márquez com qualquer pintura de Velásquez. (...) Talvez por isso nada lhe emocione mais: nem o piano que toca algumas notas de jazz, nem o coração em guerra que, no peito, hasteia uma bandeira de paz. Talvez por isso nada lhe interesse mais: nem as cartas nem as caras de amor. Todas elas são ridículas, já dizia o poeta, todas elas são partículas de sentimento que não insiste mais. Contudo ainda me pego algumas vezes tateando uma sombra incompreensível que fala e que fuma e que finge estar viva. Só finge! Uma sombra precisa de luz para ser viva. Um amor precisa de vida para reluzir. Eu preciso de ambos para existir. Agora podemos ir, dobrar uma esquina qualquer, reconhecer que a vida tem seus tropeços, seus problemas e seus soluços. E soluços nada mais são do que palavras que morreram engasgadas na vontade de dizer. O tempo dirá, o remorso roerá, a luz se apagará e eu tenho a mais absoluta certeza que outra beleza menos confusa e mais clara amanhecerá no meu mundo para me amar como eu não te amei. Mas tudo bem… Todo mundo tem suas fraquezas. Nem todo mundo aguenta ser feliz. Eu também preciso de uma trégua. Eu aqui versifico com os meus poemas batidos:O amor é bem mais do que isso… O amor é bem mais do que tudo isso.




Eu Me Chamo Antônio

quinta-feira, 9 de junho de 2016

" Paixão, ódio, saudade, sexo, casamento, desejo são como trens. Amor é estação." _______________ Gabito Nunes

Amo por descuido, prazer, união das vértebras, conjunção dos joelhos. Por, beleza, overdose de coragem. Por falta de juízo, falta de ocupação, de saudade, de regras. Amo pelos olhares
Até morrer estarei enamorada de coisas impossíveis.
Cecília Meireles
encontrados, brilho da lua, gosto do beijo, sorrisos marotos, alegria sem motivo e pelos pés fora do chão. Amo pela sensação de pertencimento do meu amor. Pelo frio nas mãos. Pelo arrepiar na nuca. Amo também porque amar dá um frio na barriga. Amo pela ausência de teorias para amar. Amo porque me perco nas palavras e o amor me dá coragem de fazer aquilo que eu nunca faria se fosse normal. O amor ajuda-me a suportar as verdades então, amo pra falar bobagens, fazer histórias, guardar na memória, tolerar o dia, pra lembrar como é bom amar. Amo para não fazer feio na vida. Amo pra grudar meu corpo, calar minha boca, soltar meu mel. Por dengo, chamego, desassossego. Amo pela temperatura quente do amor. Na boa, eu amo porque amor é a única palavra que faz rima, canção, poesia, filme e outros salamaleques. Amo porque o amor facilita o entendimento entre duas pessoas de vidas tão diferentes, e transforma dois corpos, um lençol e uma cabaninha em um castelo com um rei e uma rainha. Amo porque o amor me leva a todos os planetas sem sair do lugar. Amo pelas minhas carências, toxinas e embriaguez. Amo porque o amor é capaz de me distrair e considerando esse quesito faz a vida acontecer em um único capítulo interminável, de cor azul, com todo o restante dos dias, sendo feriado. O amor é ininterrupto. Não tem pausa. Não possui outra versão e nem tagarela pedindo bis. É contínuo, sem pontuação, acentuação e sem outras frescuras. Amo porque o amor não desistiu de mim.

Precisa de mais?

Ita Portugal

domingo, 5 de junho de 2016

È PRECISO TEMPO, PARA CONSTRUIR UMA EXISTENCIA DE PAZ... ___________________________ Fabíola Simões

Amanhã vai ficar tudo bem!
Você pode ser a pessoa que melhor sabe se virar sem ninguém,
mais independente, mais cheia de experiência,
mas você nunca,
nunca será alguém que ninguém possa ajudar a ser melhor...
 
 
Bela Noite!


sábado, 4 de junho de 2016

Perpétuo o que sei sobre, o amor como um corte: Se raso arde. Se profundo Marca. ____________________ Gabriel Carrara

Essa vontade de estar contigo, tão necessário te ver. Sério, você chegou do nada lembra? Foi em um dia qualquer,  me transbordou emoções e surpresas. Carinhoso e lindo. É eu sei posso estar exagerando, mas faz juízo ao que se distinga homem. Me tranquilizou, me tirou suspiros, me arrancou gargalhadas. É inteligente da cabeça a alma, isso me encantou. Pode ser estranho mas é assim que me sinto quando falo com você, bobona. Meu coração acelera de ansiedade em pensar em te ver, o estômago se retorce e cada segundo parece minuto que parecem horas que viram eternidade. Ia te pedir que deixasse-me intacta se caso fosse bater a porta e ir embora, pediria para arrumar a cadeira no centro da mesa, e acabar o seu café antes de partir, pediria um último beijo, o último olhar, que deixasse-me lembranças, ia lhe dizer que poderia ter ficado, iria lhe prometer café da manhã todo dia, beijos, alegrias e muito amor.


● Jayne Tubias

quarta-feira, 1 de junho de 2016

É no silêncio que o sol, dentro em nós, amanhece... ___________________________ Nara Rubia Ribeiro

A minha forma ainda é humana
mas o meu coração é passarinho.
Nara Rúbia Ribeiro
Sim, há muitos fabricadores de noites horrendas. Há que dissemine a discórdia e furte o sonho do pobre. Há quem fomente a miséria e blefe com a bondade do outro. Há quem forje palanques para surrupiar o povo. Há quem negue o necessário e vital ao próximo a fim de garantir a posse de seu supérfluo inútil. Sim, eu sei de tudo isso. Nenhuma utopia deve fechar os olhos daquele que caminha. Contudo, mesmo na noite mais escura, quando as dores do mundo produzem ais e gemidos capazes de ensurdecer, de ensandecer, de angustiar e de fazer com que tenhamos os presságios mais sombrios sobre o destino dos povos, não raro muitas pessoas são capazes de interpretar o silêncio da mão invisível que acalanta a alma do mundo. É que a bondade não faz alarido. O amor é um teia tecida no silêncio das preces, na delicadeza de pequeninos gestos, na irradiação das luzes do olhar amante. E são inúmeros, são eternos, são infinitos aqueles que o tecem…O verdadeiro Poder não faz ruído. Quanto mais poderosa é a lágrima de uma mãe que imanta de Justiça o futuro que lega ao seu filho que as mil pragas que assolam as noites abissais?! E haveria mais força naquele que corrompe e surrupia o povo que naquele que, no silêncio das madrugadas, sai pelas ruas a prover o pão ou o agasalho àqueles cuja alma e o corpo padecem sem o calor do abrigo e sem a força que provem do alimento? É que o Amor labora em silêncio e é em silêncio que ele nos fala. É no silêncio que o beija-flor dissemina o pólen de um novo jardim. É em silêncio que a mente desperta e se expande. É no silêncio que o sol, dentro em nós, amanhece. Nestes momentos em que a noite aparenta dominar os nossos sentidos, é preciso silenciar o espírito. É no silêncio, vazios de verdades, de vaidades, vazios de certezas, que sintonizamos com o silêncio eloquente da Mão que nos acalanta. E percebemos que o alarde dos fabricadores da noite contrasta com silêncio da aurora que no céu, em nós, vem surgindo: vagarosa, invencível e bela. Prenúncio de um novo tempo em que os fabricadores da noite se cansarão da ignorância e também ajudarão a fazer florir os contornos de uma nova era. Por ora, silencia e ama. Silencia e luta. Silencia o medo, que o melhor nos espera.
 
Nara Rubia Ribeiro