domingo, 30 de novembro de 2014

"(...) Posso explicar uma porção de coisas mas não posso explicar a mim mesma..." _____________________________ (Alice no País das Maravilhas)


Gostaria de não ter chorado tanto! 
— disse Alice.
Parece que vou ser castigada por isso agora,
 afogando-me nas minhas próprias lágrimas!

Lewis Carroll

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Bem, meu nome não é Alice, mas sei exatamente como ela se sentia. Estou urgente demais para o mundo só que ao contrário. As lembranças me perseguem e o tempo me mostra que há ainda muito pela frente, o problema é que eu sempre me atraso para tudo que possa me fazer feliz. Meus pensamentos não ficam na cama, e toda vez que acordo me sinto pequena demais para tudo que está do lado de fora das minhas cobertas. Tenho tantas cartas de baralho pelo caminho, no entanto não sei como jogar. Olho para trás e vejo um punhado de sonhos esperando para começar. É como se tudo estivesse de cabeça para baixo, o mundo gira e eu vou pelo sentido contrário. Tento encolher o coração para sentir pouquinho. Deixo meus braços entreabertos para não me sentir tão sozinha, o hoje pode ser cruel demais. Aprendi a falar em silêncio, e mesmo insegura todo sorriso sincero me faz ficar. Muito embora eu não entenda como minha vida possa ir sem mim, já percebi que mesmo não pertencendo a nada daqui eu posso fazer minhas próprias escolhas, então trato de acordar as minhas expectativas e vou atrás do que não me esperou. Às vezes eu sou um pouco Alice, mesmo sendo alérgica a gatos (incluindo os falantes que voam) e não tendo nenhum chapeleiro ruivo que possa me ensinar a dançar, entendi que o país das maravilhas é algo que está dentro, lá onde só quem acredita em si mesmo pode alcançar.

Luara Quaresma

sábado, 29 de novembro de 2014

"Vamos namorar escondido. Vamos nos amar em segredo. Vamos dizer “não” quando perguntarem e “sim” um para o outro. Vamos fingir sermos eu e você para o mundo e ainda seremos nós." ________________________ Querido John

"Porque só beijo quem amo.
 Só abraço quem gosto.
Só me dou por paixão.
 Eu só sei amar direito."

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~ Maria Bethânia.

BELA NOITE DE SÁBADO!!
...Eu acredito é em suspiros, mãos massageando o peito ofegante de saudades intermináveis, em alegrias explosivas, em olhares faiscantes, em sorrisos com os olhos, em abraços que trazem pra vida da gente. Acredito em coisas sinceramente compartilhadas. Em gente que fala tocando no outro, de alguma forma, no toque mesmo, na voz, ou no conteúdo. Eu acredito em profundidades. E tenho medo de altura, mas não evito meus abismos. São eles que me dão a dimensão do que sou.

M. de Queiroz



sexta-feira, 28 de novembro de 2014

"Eu fugi porque o amor assusta. Eu só não sabia que, quanto mais a gente foge, mais perto fica do nosso próprio precipício particular." _______________________ Karine Rosa

Bom final de semana!
Você quer um lugar na cama. Eu quero ter o seu sobrenome. Quero tirar a roupa da mente. Despir os conceitos, a nudez é uma purificação. Você pode facilmente reconhecer alguém que não desperdiça a vida nos estereótipos. Não tratem o amor como um conto da cripta, um romance de carnaval, uma decoração barata para um festa de 15 anos. Não é doce demais para os diabéticos emocionais. Não é exageradamente salgado para os que vivem escravos de uma maresia inconsciente. Não é equilíbrio, não é paz, não é conforto eterno, não é promessa de garantia. Quero razões sem a necessidade de argumentos. Manhãs ao invés de madrugadas. Brincar com o tempo, confundir os ponteiros. Vender abraços que todos possam pagar. Descobrir vícios entre beijos antigos que o amor faz soar tão novos. A etiqueta não importa quando eu já desabotoei os seus medos. O chão clama por suas roupas. As paredes, por suas mãos. O ventilador, por sua transpiração. As asas passam pela minha porta. O amor se rasteja em qualquer fresta, você só precisa deixa-lo espiar seus movimentos. Ela dança frenética sobre as páginas dos livros que não leu, mas o coração sabia memorizar a parte prática da coisa. A teoria foi assassinada pelo tato do seu amante favorito. Não era mágica, não era um truque treinado na frente de um espelho trincado, mas eu fiz parecer o trabalho de um mago profissional, um artista em dias inspirados. Ela queria uma obra de arte, eu ofereci um museu inteiro com exposições diárias em todos os horários. Os críticos me fotografaram lhe roubando confissões. Ela era parada obrigatória num trânsito sem placas. Ele queria a fama que não estava embaixo das luzes, o reconhecimento que não estava nas cifras, nem nas capas dos jornais, nem em tablóides sensacionalistas. Para compreender nosso mundo era obrigatório chegar cedo e aproveitar cada segundo da festa de nossas vidas. Ela sussurrava, ele fazia música. Você tinha um gosto inédito, tudo fazia parte de um sabor que não se repetia. Os goles não embriagavam, mas enchiam todos os copos que eu pudesse segurar. Os vizinhos diziam que a gente combinava, como um lançamento de qualquer estilista conceituada. Estávamos na moda. O tempo não passa para quem é afortunado nos detalhes. Obsessivo para ser inesquecível em cada pequena coisa. Ela não se contentava com um parágrafo, tampouco com linhas avulsas. Era um romance que deveria repousar sobre o seu travesseiro. Eu colocava as palavras na academia para que voltassem poderosas e invencíveis. Elas caberiam nas paredes do seu coração e nenhum inverno seria capaz de congelar tanta devoção. Ela tem aquele sorriso de quem traz boas notícias. O destino nunca seria capaz de ir contra uma fotografia sua.

Brunno Lopez

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

(...) Temos e somos vento quando é preciso, quando dá saudade, quando é tarde, e quando há vida.! ______________________ Érica de Paula

À margem de toda candura (...) ♫
(...) faz parte da gente sentir-se perdido dentro da gente mesmo. Sem nunca saber ao certo pra onde ir e, quando vai, não saber ao certo se está onde deve estar. E quando se está, não saber bem se fica ou se vai. Ou quando se vai, se deve mesmo ir ou voltar. Se o que nos falta está dentro ou fora ou se nos falta algo realmente. Se seremos para sempre esta incompletude, ou se a inteireza é um mero conceito para continuar caminhando. A vida é um constante não-saber. Que nos empurra e nos arrasta, que maltrata e abençoa. Que nos fere e que nos cura. Que acarinha e nos convida: para a próxima página; para o dobrar da esquina; para o sábado à noite; para o amanhã de manhã. A vida é ininterrupta descoberta, ainda que continuemos sem saber o que precisamos exatamente descobrir. Qual a chave correta que nos alivie, que nos declare se a ansiedade e as culpas que sentimos são de nascença ou fabricadas pelas coisas que nos repetiram ao longo da vida. Se a vida tem que ser isso mesmo. Pois é, a vida é um constante não-saber. Engrenagem sem prévio manual. Jogo de desconhecidas regras. Palco sem estabelecidas falas. Metades que buscamos preencher. O incômodo mais bonito que nossa alma poderia conceber. Que quando não nos leva e nos amansa, nos amorna, nos fazendo repetir os dias em 'stand-by', à espera de que o amanhã dê à nossa vida algum verdadeiro sentido. Ou nos arranhe e nos grite que não há nenhum sentido em esperar o amanhã para, então, sabermos...

Guilherme Antunes

terça-feira, 25 de novembro de 2014

"Ela acha que amor é uma doença, mas não é. Amor é cura!" _______________________

"As pessoas mais bonitas que conheço,
se vestem de si mesmas"

D.A.
Pensando bem, as dores da alma são as dores mais doloridas: há uma que machuca, porque machucada, inconsciente maltrata a outra, dolorida, inibida por aquela, solitária, despercebida; há outra que, escolhida pelos dias úteis da semana para ser esquecida, se alegra com as carícias de amor. Mas, em contrapartida, é jogada num canto nos finais de semana, feriados e dias santos. Das tantas dores que a alma sente, não há uma que ela goste de ter, porque mesmo sofrida há muito e sozinha na vida, tem um jeitinho particular de ser – ela só quer ser e ter um (e)terno bem-querer!

Rosana Horta

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Ele pode ouvir as suas músicas, procurar a sua voz em outras vozes. Quem nos faz falta acerta o coração como um vento súbito que entra pela janela aberta. Não há escape! ________________________ (D.A.)


A verdade é que morar dentro de alguém 
é atravessar o paraíso todos os dias.

Bibiana Benites


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A intuição compromete minha arritmia, minha dúvida esperançosa, minha insônia. Conclui-me para algo, em algo ou alguém. Ouvir-lhe traz um arrependimento remoçado. Uma preguiça quase corajosa. Intuição nunca me privou de nada. Aceitá-la encheu o coração de respostas. Toda queda guarda uma certeza que respeito e não dispenso: ela não erra. Eu — que renasço das perguntas — sim, o tempo todo. Toda queda é uma intuição que ganhou carne, história e recomeço. A intuição me ensina a intenção do erro, mas, não me livra dele. Intuição descobre desvios, mas, não explana os caminhos. Tudo que fui e doí, aprendi no durante e no fim, nunca antes.

Priscila Rôde

domingo, 23 de novembro de 2014

"Que seja a saudade uma duna de sons e aromas imponderáveis. Ventos intangíveis a deslocam para o meu peito." ________________________ Fernando Coelho

Engolir palavras, sentimentos,
 vontades: eis o mal do século.

Bibiana Benites
As cortinas azuis do amor, hoje, nem mais balançam. Se fecham e pedem, imploram, para serem abertas pelo vento que hoje namora o sol. Dizemos amar a chuva, mas quando chove, tempestivas ou não, abrimos o guarda-chuva ou nos acolhemos em cobertas sem fim. Dizemos amar o sol, mas quando ele se mostra, procuramos o canto, o vento, o alívio. Dizemos amar o vento e suas solturas, mas, quando ele nos assovia, fugimos, fechamos as janelas e os ouvidos. Logo, tenho medo quando as pessoas dizem que sabem amar. Será que amaremos? Será que seremos amados? Esperaremos um sorriso espraiado que combine com o nosso, ou criaremos sorrisos novos que se encaixem com os que já existem? A verdade é que o sorriso do palhaço nem sempre diz que ele tem a alma feliz, mas, que a busca na felicidade dos outros. Felicidade essa proporcionada por segundos de descuido e distrações, que involuntariamente, cooperam com a nossa ânsia de amar. O amor-perfeito cai na alma-casa de quem se lembra de abrir a janela e deixar o sussurro do sol entrar após a chuva. E, quando o sol pedir o seu tempo, que consigamos respeitar e contemplar a chuva que também quer um pouco da nossa atenção. Não nos preparemos para a chuva, pois, assim perdermos as frestas de sol, nem ansiemos o passar da chuva, pois assim perderemos o perfume de terra molhada. As esperanças fazem misérias com a nossa vontade de amar, então, que deixemos a vida levar, pois sabemos que tudo sempre passa, difícil é saber o que sobra.



Frederico Elboni

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

"O amor mudo, ainda, grita e eu, que não tenho talento nenhum para o silêncio, faço serenatas, apenas, com o bilhar dos olhos." ________________________ Hugo Rodrigues


Só quero dormir “luar” e acordar puro raio de sol!"


Simone Resende
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(...) Mato o amor em todas noites que não durmo, mas sonho com olhos vermelhos e arregalados. Amor é primo da insônia; Co-irmão do desespero alegre. Parente próximo da loucura. Pai da felicidade. Filho da cumplicidade. Fugi de tais amores por não saber de fato o que queria. Enganei-me muitas vezes ao dizer que não sentia mais amores por outrem e me calava à força só para não me declarar com palavras bonitas. Estupidez, eu sei.

Hugo Rodrigues

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Prendam o amor, esse eterno dilacerador de corações... _______________ Ju Fuzetto.

...o tempo traz cura!

Cah Morand
"Eu bem queria entender a física quântica. Entretanto, querido, tudo que digo é quase invenção. Adoro acreditar que vejo mais do que as três dimensões ditas possíveis. Na quarta há o sonho, na quinta o acaso, na sexta o déjà-vu, na sétima o cinema. Oitava é o delírio e, na nona, sinto que é o amor que tudo dimensiona."

(Fernanda Young)

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

"As estrelas são os olhos de quem morreu de amor" _______________________ Mia Couto


Você mentirá várias vezes 
que nunca o amará de novo,
E sempre amará, absolutamente 
porque não tem nenhum 
controle sobre o amor.

F.Carpinejar
Quando vem a noite
e é tanta a saudade sua
mesmo o céu encoberto
vejo a estrela e a lua
quando a noite chega
e tão deserta fica a rua
caminho pela sua janela
levando estrela e lua
quando amanhece o dia
e a solidão é tão nua
fecho os olhos de saudade
e vejo você, a estrela e a lua.



Rangel Alves da Costa

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

"Mas quando as horas já são incertas, a noite acalma os corações frustrados. A perdição da alma e o desespero dos sonhos inquieta a mais sutil gota de suor que esfria a pele. A multidão é você mesmo e toda melancolia carece de calor." ___________________________ [Excerto sobre a neblina que ofusca a mente; Matheus Dalecio]

"Tão doce, tão cedo, tão já. 
Tudo de novo vira começo..."

Leminsk
Eu tenho uma bússola desordenada dentro do peito, que me guia e me faz ir além do infinito da palavra, para descobrir territórios ainda não explorados pelos seus inúmeros significados. Falo das minhas inquietações, porque delas, eu mesma sei. Falo de culpas e desculpas, sem culpa; e não preciso que me culpem ou me condenem por nada: eu trago a culpa em mim, ainda que ela não me reconheça como sua. Cultivo estranhezas e [pre]ocupações tão inúteis quanto nadar contra a minha própria correnteza emocional – o conflito é certo e o esforço desgastante. Mas, confesso que estou aprendendo a ser fluida; a não entortar um músculo sequer, medindo forças com os pesos que adornam a minha própria personalidade. É melhor saber de si, em silêncio, quando ninguém mais sabe. É melhor reconhecer seus avessos e dominar-se, antes que uma pessoa qualquer, assuma o comando e faça. Eu também cultivo pedras. Outro hábito estranho adquirido logo nos primeiros tropeços. Tropeçando eu descobri que a vida é uma enorme pedra que, por intuição, lapidamos todos os dias até transformá-la em arte. E por fruição, somos convencidos por ela, a experimentar doces sensações que insinuam aquilo que talvez seja a tal da felicidade. É preciso dizer que, às vezes, eu discordo da vida? A ideia é simples: felicidade não habita pedras e não se mistura às inflexibilidades – tudo que é rígido e inflexível demais não se predispõe às levezas. A felicidade é leve feito pluma; suave feito brisa. Mas, talvez isso seja só um parâmetro, que usamos inadvertidamente para mensurar e dignificar as nossas alegrias. Ou, talvez, seja só uma sensação que mora em instantes de entusiasmo, e só não passa despercebida, porque estamos sempre tentando segurar esses instantes, movidos pela crença quase inabalável de que, assim, seremos capazes de reter cada segundo da felicidade. Se a vida é pedra, a felicidade é líquida. E escorre entre os dedos, logo na primeira tentativa. Pois é… além de cultivar pedras, eu falo de discordâncias. E quase sempre discordo de verdades incontestáveis, ainda que por razões extemporâneas, eu possa concordar depois. A concordância imediata tem a ver com essa coisa de aprender a ser fluida. E a discordância é porque, algumas vezes, eu também sou pedra: dura, rígida e inflexível, assim como a vida. Eu falo de tudo. Falo das coisas que sobram, que viram excesso em mim. Das que me norteiam e me desnorteiam, por algum motivo. Falo dos elementos que compõem a vida, e me deixam comprometida com o tempo. Eu falo do tempo, também. O tempo que dribla a sua própria inexorabilidade, quando releva e refaz. Eu falo das coisas que continuam, enquanto eu, pequena demais para a imensidão do mundo, paraliso. Ou grande demais para caber em um único sentimento, transbordo. Eu falo por hábito, ainda que não tenha nada de tão significativo assim para dizer. E escrevo por insistência, porque não aprendi calar o verbo; dobrar sentimentos; [a]guardar sonhos. Evito pesos, além do meu próprio peso. E quando peso demais e me afogo nos meus medos, eu me desafogo é no riso. Sim, eu sou feita de inquietações. Sou um ponto de interrogação bem no meio da dúvida. E se voo por aí, incerta, é por que preciso das certezas para poder pousar e ficar.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

"E, aquele que não morou nunca em seus próprios abismos nem andou em promiscuidade com os seus fantasmas, não foi marcado. Não será exposto às fraquezas, ao desalento, ao amor, ao poema." _______________________ Manoel de Barros


" Quantas vezes é possível
 amar-te pela primeira vez?"


(Pedro Chagas Freitas)
Curioso, esse ser, humano, e sua diária e pequena solidão. Solidão preenchida por insanos momentos de reclusão. Ou serão momentos sãos? Um momento para chamar de seu. Nele repousam inquietações. Ou seriam, reflexões? Oque foi feito daquele sonho. Oque será daquele anseio. Onde foi parar meu coração. Naquela canção? Como era mesmo o refrão? Tudo um dia será esquecido? Virei solidão? Desilusão? Estarei eu na contramão? Quem abrirá mão do desejo quando tanto bem se quis? Foi por um triz que não fiz oque sempre quis. Quis com esse, quis com ze, quis pouco ou pouco te quis? Nada faz sentido quando se está só. Quando sorrateiro arrasta-se o silêncio pelas paredes, e soleiras, desconsiderando as eiras e as beiras e enxergar minha derradeira condição? Continuo aqui, e cada um vai por aí. Entre seus livros, seus discos, seus programas de televisão, sem saber que aquele rosto ainda traz lindas recordações.

Be Lins

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

"Não sei se viro menina, se viro mãe, se viro todas. Se viro artista, se viro vento ou viajante (...)" bom eu me viro. ________________________ Yohana Sanfer


"Pra onde vai e de onde vem tudo 
aquilo que nos importa, 
esse tudo que é grande e traduzido 
pelas palavras que não cabendo no peito, 
transbordam corpo, alma e nossas certezas?
 Minha suspeita: da boca pra dentro."



Yohana Sanfer
"Me encontrei com a criança que eu fui essa semana e perguntei se ela gostaria de estar aqui no mundo em que estou. A resposta foi certeira e negativa. Disse que não porque lamenta o descaso, o desrespeito, a violência e o medo do tempo presente. Prefere morar em cheiros, imagens, sentimentos e memórias. Disse que ficará onde está, resguardada na lembrança e no sonho de um tempo bom até que suas esperanças e direitos parem de ser tratados como brincadeira...de criança."

Yohana Sanfer



















terça-feira, 11 de novembro de 2014

“É tudo meio contraditório. Às vezes a paz se encontra no meio de um quarto bagunçado.” ___________________________ João Pedro Bueno, Sabedorias.

Eu gostava quando o amor era
desobrigado das regras,
 das canções de botequim e
porres fenomenais,
ausente de definições psicológicas,
 livre de combinações astrológicas.
Eu gostava quando amor era um ato.
Apenas um ato. 


Ita Portugal
Eu bossa nova. Ele Rock and roll. Eu noite. Ele dia. Eu estrela. Ele luar. Eu samba. Ele canção. Eu brisa. Ele vento. Eu história. Ele memória. Eu inverno. Ele verão.  Eu palavra. Ele silêncio. Eu pergunta. Ele, questão. Eu correnteza. Ele maresia. Eu areia. Ele rocha.  Eu sonho. Ele realização. Eu branco esvoaçante ou pretinho básico, cabelo molhado ou levemente preso, pouco batom, bolsa pesada e andar apressado. Ele, chinelão, short folgado e violão. Eu, espelho, impaciência, reclamações, entusiasmos, atrapalhadas, arrependimentos, indecisões. Ele, broncas, certezas, sílabas, resmungos, distração, energia, perdão. Eu amor, ele também.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

"Entra pra ver como você deixou o lugar, e o tempo que levou pra arrumar aquela gaveta." _______________ Cícero

“(…) E, aquele 
Que não morou nunca em seus próprios abismos
Não se esqueça por enquanto de esquecer alguma coisa pela casa, e vir buscar do nada. Cícero
Nem andou em promiscuidade com os seus fantasmas
Não foi marcado. Não será exposto
Às fraquezas, ao desalento, ao amor, ao poema.”


(Manoel de Barros)

domingo, 9 de novembro de 2014

"Que coincidência é o amor, a nossa música nunca mais tocou." ________________ |Cazuza|

"roubei corações
que não me couberam no peito."

Guilherme Antunes
Cumpre ao que ama depositar seus inteiros nos braços da amada, confiando possibilidades aos hábeis tecelões em que nomeamos destino. Cabem aos que amam despedir medos de semente em não se saber um dia raiz. Solicita o amor as interiores habilidades de despertencimento e desapegos. Pede o bem-querer a prontidão de luz que em nós se distraiu; porque somos os inevitáveis servos dos encantamentos que traz a vida, quando nos atravessa com nomes e os cheiros do outro. Curvando espírito em gratidão, bebemos todos das bençãos no rio do tempo. Devedores dos frutos que colhemos, o amor é o real credor dos nossos perfumes.

Guilherme Antunes

sábado, 8 de novembro de 2014

Sentir. É um verbo que me define bem. Conjugado em primeira pessoa em todos os tempos, o tempo todo. ___________________________ Lis Fernandes

'Sendo inteiro,
 pode alguém viver pela metade?'

POUPÉE AMÉLIE
É seu moço, ela é um pouco complicada (de mais), eu sei. E talvez você não consiga acompanhar esse turbilhão de palavras e pensamentos e sentimentos, de tudo ao mesmo tempo. Acho que você não consegue entender porque ela não é entendível, mesmo. Ela é feita de muitos exageros. E exigências intermináveis de atenção e de carinho: '-Mais cinco minutinhos, e uma vida inteira pela frente'. Eu sei, seu moço, que você não entende, mas é que ela é desse jeito mesmo. E ela fica insuportável quando sente saudade. Você já sabe. E ela faz drama, faz charme, faz raiva. É que na verdade ela só precisa de espaço pra tudo o que ela sente, é que ela sente muito. E transborda amor por todos os lados.

Monalisa Macedo

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Hoje, vou rogar a saudade que dê uma trégua para o meu coração. E só por hoje, enquanto contemplo a chuva, vou descaradamente fazer de conta que tua ausência não machuca. Só por hoje... _________________________ Romara Magalhães.

Um remorso.
 Eu o perdi para a saudade.

Fernando Coelho
Ouço a chuva bater na casa de esguia cumeeira. De minha cama, vejo pela cortina entreaberta, as gotículas formarem desenhos no vidro um pouço embaçado da janela... deixo o livro silenciosamente repousado sob os travesseiros, levanto-me e vou até o parapeito. Fico olhando a chuva lavar o jardim. Enquanto escuto os trovões, meu coração transborda você, num gesto quase adolescente escrevo seu nome no vidro baço da janela como quem desenha uma réplica de Portinari. Sorrio. Com alguns passos percorro a distância de volta até a cama, meto-me embaixo dos lençóis, fecho os olhos, solto um suspiro rouco e me entrego ao mundo dos sonhos... nele ainda somos inteiros, ainda somos nós, ainda nos pertencemos. Adoro chuva e essa certa melâncolia que nos aproxima de cálidas lembranças.


Romara Magalhães.

domingo, 2 de novembro de 2014

"... se faltar uma companhia, que o vento possa ser o nosso abraço". _________________________ (Desapego do Destino ) Poeta da Colina

...Não haverá tristeza, deixa ser, 
deixa o vento soprar ...
'somos poeira, mas poeira enamorada'

| José C. Monteiro |
Ninguém me foi tão próximo. Ninguém me escapou tanto. 
Como foi que constantemente nos encontramos e nos perdemos?
Faltas-me. 
Se aqui estivesses isto não seriam palavras.

Manuel Alegre e Hélder Moura Pereira

sábado, 1 de novembro de 2014

"(...) novembro, a ventania da primavera levando para longe os últimos maus espíritos do inverno." _______________________ Caio F Abreu

.''Bom, feliz talvez ainda não.
 Mas tenho assim.. aquela coisa.. 
como era mesmo o nome? Aquela coisa antiga,
 que fazia a gente esperar que tudo
 desse certo, sabe qual?
- Esperança? 
Não me diga que você está com esperança!?
- Estou, estou.''




(Caio Fernando Abreu)
“Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim, que seja doce.. repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante. Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. Tudo é tão vago como se fosse nada.” .




Caio Fernando Abreu