quarta-feira, 29 de abril de 2015

Um dia a gente acorda, os livros nos acordam, um anjo nos acorda, e somos avisados: não adianta mais olhar para trás. É ir em frente ou nada!!

Que a vida não me pegue desprevenida.
Que nenhuma lição seja repetida
por falta de aprendizagem.
Sentir-me-ei confortável se souber
 que fui boa aluna.

Livrai-me dos solavancos que misturam e confundem meus sentimentos. Dos estragos causados quando fico com o coração endurecido. Das tantas palavras que me leva a pensar que sou “sabida”. De usar pouco silêncio, quando ele é tão necessário; Do tempo perdido com coisas sérias dos adultos. De anoitecer sem agradecer e amanhecer sem sorrir. De querer ser grande, sem ter sapato de salto alto suficiente. Das palavras ásperas que tanto machucam. De sentir saudade do que não tem jeito. Da solidão, com tanta gente perto. Do apego ao que se dissipa facilmente. De perder tempo com o que foi perdido. Das certezas que me privam da beleza de tecer sonhos incertos. Dos carinhos econômicos por medo de me entregar. Da falta dos riscos que emocionam a vida De todas as faltas. Da falta de coragem, da falta da música, da falta do toque, da falta de amizade, da falta de fé e de amor. E liberta-me de usar as hipóteses do desaforo de ser normal e viver o óbvio, engaiolada nas convicções. Que eu renasça com a sensação de que sou poeta, sonhadora, louca e majestosamente viva, sem precisar me preocupar em explicar as razões disso.

Ita Portugal

domingo, 26 de abril de 2015

“Ela era frágil, até que conheceu a graça de Deus que a fez forte.” ___________________________ Bruna Miguel

Para começarmos bem a semana,
 um texto de Rubem Alves:

"As flores dos flamboyants,
dentro de poucos dias, terão caído.
Assim é a vida.
É preciso viver enquanto a chama
do amor está queimando..."
Às vezes a menina dava pra falar de amor. Era o jeito que tinha de chegar à vida dele. Engraçado. Nessas horas ela era tão óbvia. Quanto mais falava, mais ficava indefesa. Cada vez mais à deriva. Ia falando de amor e perdendo consistência... Perdia também a convicção. A menina perdia tudo. Menos a coragem.
Solange Maia

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Todos os jardins deviam ser fechados, com altos muros de um cinza muito pálido, onde uma fonte pudesse cantar sozinha entre o vermelho dos cravos. O que mata um jardim não é mesmo alguma ausência nem o abandono... O que mata um jardim é esse olhar vazio de quem por eles passa indiferente. _____________________________________ [Mario Quintana - A Cor do Invisível, 1989]

Doce Sonhos!!
Você quer enchê-lo de presentes, mas talvez ele não queira isso. Você quer amá-lo até à exaustão que deságua num sono-desmaio, mas talvez ele não queira isso. Você quer ensiná-lo a apreciar as noites de tempestade e, sobretudo, as manhãs limpas que vem depois, mas talvez ele não queira isso. Você quer apresentá-lo às pessoas certas profissionalmente, mas talvez ele não queira isso. Você quer levá-lo aos restaurantes mais gostosos da cidade, mas talvez ele não queira isso. Você quer assistir com ele os filmes definidores do cinema, mas talvez ele não queira isso. Você quer tecer um manto de mel e cera para agasalhá-lo, mas talvez ele não queira isso. Você quer passar as noites fazendo carinho no corpo dele enquanto protege seu sono aflito, mas talvez ele não queira isso. Você quer levá-lo de surpresa para conhecer a neve, mas talvez ele não queira isso. Você quer fazer massagem tântrica nele e inundar de vigor todos os seus chacras, mas talvez ele não queira isso. Você quer contar para ele sobre os livros mais profundos da mais alta literatura, mas talvez ele não queira isso. Você quer dar a ele pérolas e águas marinhas e gotas de gelo e todas as joias da terra e do céu, mas talvez ele não queira isso. Você quer se dar a ele, mas talvez ele não queira isso. Simples assim. Triste assim.



quarta-feira, 22 de abril de 2015

"De vez em quando, minto pra vida. Finjo não estar esperando mais nada, não acreditar em mais nada. Minto só para que ela me dê como castigo tudo que eu finjo não mais acreditar. " ______________________________________ Camila Lourenço


Boa noite!
Eu sou um relógio quebrado. Um relógio atrasado querendo sempre correr contra o tempo, antecipar as horas e etiquetar de urgente alguns retratos dos anos. Meu passo está sempre atrasado ou antecipado demais. Eu amo quando não deveria amar, e desgosto quando o presente se faz gostar. O encanto que me vai nos olhos se esvai pelas mãos se o ponteiro do relógio da vida insiste em se atrasar com o meu. Eu engulo pessoas, vomito ansiedades e durmo na solidão. Eu sou um relógio quebrado, que aprendeu ser tic-tac entre o espaço do tempo do que quero e do que é. Um contador de horas que para confiar no tempo, precisou desaprender contar. Eu ando na velocidade da rotação do planeta, e respiro na apatia dos que odeiam esperar as voltas que o mundo dá, mas que sabem que para o compasso da vida acertar a valsa, não há outra solução. Se eu quero agora, só quererão quando a pressa do torpor se fizer adormecer. Se a fome bate a porta uma hora da tarde, a comida só chega as três. Se eu quero pra ontem, chegam depois de amanhã. Se é pra agora, o tempo sempre espera adormecer a pressa da paixão. Eu sou um relógio quebrado pendurado na parede do tempo, que aprendeu confiar nos gostos que a fração dos segundos não controlados dão para a estação. Sou um relógio quebrado que quer tudo no compasso do desejo. mas que já desistiu de conter ou antecipar as horas, ou o tempo, e agora só murmura uma prece para a hora da vida sincronizar-se com o desejo do meu ponteiro quebrado. Eu sou um relógio que precisou desaprender contar para aprender a confiar.

Camila Lourenço

terça-feira, 21 de abril de 2015

"A moça queria tudo. Queria entender os mistérios do tempo e desvendar suas fases. Os motivos dos tombos, as certezas das escolhas, as lágrimas de estafa. Não percebia as transições, julgava os dias iguais, não enxergava as respostas tão óbvias preocupada demais com os dias de amanhã. Não entendia que fases foram feitas pra passar." ___________________________________________ Yohana Sanfer *Trecho da crônica "O que as ondas podem ensinar", do livro Da boca pra dentro

"Ânimo!
As dores do peso que carrega agora
é a vida te deixando mais forte
para conseguir carregar as bênçãos que virão."




(Rachel Carvalho)
“A minha avó dizia-me que quando uma mulher se sentisse triste, o melhor que podia fazer era entrançar o seu cabelo; de modo que a dor ficasse presa no cabelo e não pudesse atingir o resto do corpo. Havia que ter cuidado para que a tristeza não entrasse nos olhos, porque iria fazer com que chorassem, também não era bom deixar entrar a tristeza nos nossos lábios porque iria forçá-los a dizer coisas que não eram verdadeiras, que também não se metesse nas mãos porque se pode deixar tostar demais o café ou queimar a massa. Porque a tristeza gosta do sabor amargo. Quando te sintas triste menina- dizia a minha avó- entrança o cabelo, prende a dor na madeixa e deixa escapar o cabelo solto quando o vento do norte sopre com força. O nosso cabelo é uma rede capaz de apanhar tudo, é forte como as raízes do cipreste e suave como a espuma do atole. Que não te apanhe desprevenida a melancolia minha neta, ainda que tenhas o coração despedaçado ou os ossos frios com alguma ausência. Não deixes que a tristeza entre em ti com o teu cabelo solto, porque ela irá fluir em cascata através dos canais que a lua traçou no teu corpo. Trança a tua tristeza, dizia. Trança sempre a tua tristeza. E na manhã ao acordar com o canto do pássaro, ele encontrará a tristeza pálida e desvanecida entre o trançar dos teus cabelos…”


Paola Klug

domingo, 19 de abril de 2015

“Ventava, fazia barulho, chovia forte, o céu estava nublado. E o pior é que a tempestade não era lá fora. Era dentro de mim.” _________________________________ Renato Russo.

Ela tem tudo o que toda mulher tem.
 Mas toda mulher não tem o que ela tem.
 Ela é única.

Fernando Coelho
Descansar a cabeça doente em areias claras. Não sentir culpa ao mimar os olhos com as reverências das ondas. Pensar nele de vez em quando. Nos objetivos, sempre. E desejar a água de coco mais gelada. O silêncio acobertando inquietações. As conclusões erguendo-se abatidas. Uma esperança de que nada mude. Mas que graça teria se tudo permanecesse? Cansar-se do conforto produz estímulo. Temperar a vida buscando momentinhos felizes. Posso pensar mais um pouco? Enquanto observo o mar escurecer cheio de adeus. Posso? Posso saciar a mágoa com lágrimas? E posso protegê-las da exposição? Só quero encontrar alguma coisa que ainda nem sei. Mas venho sonhando, durante as tardes, que preciso. No momento, minhas boas intenções sofrem. Minhas mãos. As ideias. A segurança. E tudo pode parecer tão recente. O grito sem propósito. Eu não deveria ter passado a tinta por cima da angústia que me cerca. Mas que outro jeito conheço eu para escapar de discórdias? Quero continuar seguindo. De perto. Posso? Com algumas restrições. Revezo a atenção entre consequências e bisbilhotadas ao céu que se maquia de vermelho.

E decido. Me interromper? Não posso.


Priscila Nicolielo

sexta-feira, 17 de abril de 2015

"As possibilidades me continuam. O amor sempre é possível." __________________________ Dan Cezar

Eu só quero te nascer uma certeza:
aquilo que me pulsa,
 também te guarda. Inteiro.
 Único. Até o fim das luas.

 Dan Cezar
Talvez eu tenha guardado os meus segredos em teus olhos. Talvez eu tenha exagerado no amor, mesmo comportando que o amor sofre de todos os exageros. Talvez eu não tenha acordado de um sonho sonhado a dois. Talvez eu acordasse depois que o sol se põe, onde os medos se divertem de desejos. Talvez. Eu só queria que você soubesse da minha saudade. Que o tempo de você em mim me justificou sorrir. Que a minha lágrima que cai tem a redoma da maior felicidade. Eu te implorei a verdade. Você me ensaiou amanhãs. Eu te pedi um olhar. Você me deu vida. O meu amor te corresponde a cumplicidade da tua mão segurando a minha. O meu amor é folia no tempo. Um vento bom que acaricia a espera. Saber o teu amor me desproporcionou. Saber você no dia é a minha alegria mais eloquente. Saber-nos um foi o plural de maior significância. Eu sou só mais uma moça. Mas creia, a moça que não vai permitir o teu azul diferente. A moça que vai engolir furacões pra te sussurrar o carinho mais bonito. Eu só quero do meu jeito, te falar do meu amor: eu te preciso.


Dan Cezar - Adaptado

quinta-feira, 16 de abril de 2015

“Viver agora, tarefa dura. De cada dia arrancar das coisas, com as unhas, uma modesta alegria; em cada noite descobrir um motivo razoável para acordar amanhã.“ _________________________________ Caio F. Abreu in Ovelhas Negras

Mesmo assim,
Nem toda Noite
precisa ser triste!

Boa noite!
A poesia está guardada nas palavras- é tudo que eu sei. Meu fado é o de não saber quase tudo. Sobre o nada eu tenho profundidades. Não tenho conexões com a realidade. Poderoso para mim não é quele que descobre ouro. Para mim poderoso é aquele que descobre as insignificâncias (do mundo e as nossas). Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil. Fiquei emocionado e chorei. Sou fraco para elogios.

Manoel de Barros

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Quem me dera pudesse compreender. Os segredos e mistérios dessa vida. Esse arranjo de chegadas e partidas. Essa trama de pessoas que se encontram. Se entrelaçam. E misturadas ganham outra direção… | Pe. Fábio de Melo |

"Que o amor ilumine os caminhos.
Que abra as portas que precisamos passar."

(Rachel Carvalho)
"Ela sabe que a dor insuportável nas costas é de carregar o mundo inteiro sozinha. Ela sabe que o aperto no peito é choro preso. Ela sabe que as olheiras são as noites de insônia, preocupada com o amanhã. Ah, ela sabe de tudo isso. Só não sabe deixar de ser boba, só não sabe dizer não. No entanto, mais importante que tudo, ela sabe ser feliz. Ela sabe direitinho o que é ter paz no coração."



( Rachel Carvalho)









segunda-feira, 13 de abril de 2015

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Sossega. Tua alma aguenta. São golpes de flor............................. ______________________ Giselle Zamboni

Deus me sustenta com sua destra fiel!
Tenho fé!
"Destas loucas que colecionam memórias inacabadas. Destas frágeis que quebram. Fortes que choram. Sou destas. Que desacertam. E desertam para florescer outros tempos." 


______________________ Erica de Paula

terça-feira, 7 de abril de 2015

"E caminharás devagar pela casa, molhando as plantas e abrindo janelas para que sopre esse vento que deve levar embora memórias e cansaços..." _______________________ Caio Fernando Abreu

"Destas loucas que colecionam
 memórias inacabadas.
 Destas frágeis que quebram. 
Fortes que choram.
 Sou destas. Que desacertam.
 E desertam para florescer outros tempos."
Erica de Paula
Sempre me senti diferente dos outros. Não mais bonita, não mais inteligente, não mais especial, não mais esperta, não mais maluca, não mais legal, apenas diferente. Sou diferente na forma de sentir, tudo que me toca, me toca fundo. Tudo que me alegra, me alegra muito. Tudo que me dói, dói forte, corta.


- Tati Bernardi

sábado, 4 de abril de 2015

Uma mulher exuberante estava mergulhada até o talo na vida louca: noite sim, noite também, sua casa luxuosa recendia a litros de bebida e sexo de má qualidade. Para os brutos, um paraíso; para aquele coração delicado de mulher, uma prisão, pois ela sentia a mesma sede de amor que eu e você sentimos. _______________________________ Stella Florence

Monica Bellucci interpretou Maria Madalena
 em Paixão de Cristo.
Quando qualquer mudança já lhe parecia impossível, um homem sábio, de passagem por sua cidade, fez uma palestra que ela assistiu embevecida. Uma intensa sensação de acolhimento tomou conta de sua alma e fez com que aquela mulher, apesar da rejeição social que a cerceava, tentasse conversar particularmente com o sábio. Tão cansada, tão linda, ela se ajoelhou diante dele e confessou não saber como recomeçar, como conhecer a si mesma, como crescer. O mestre, emanando aceitação e doçura, sintetizou o caminho: “O amor cobre uma multidão de pecados”. A partir daquele dia inesquecível, Maria de Magdala (ou Maria Madalena) se tornou a mais humilde, determinada e fiel discípula que Jesus Cristo jamais teve. Enquanto os homens dormiam em seu medo, Madalena acompanhou o último suspiro de Jesus. Enquanto os homens dormiam em sua perplexidade, Madalena foi cuidar do cadáver do mestre. Enquanto os homens dormiam em sua preguiça, Madalena viveu em primeira mão o que viria a ser o símbolo máximo da vida após a morte: o encontro com Jesus redivivo. Após aqueles dias vertiginosos, ela seguiu os apóstolos até a Galileia, pedindo que eles a aceitassem em um dos vários grupos que pregariam a boa nova. Um a um, eles se recusaram a levá-la, temendo sua má fama do passado (ou, quem sabe?, apenas invejando a força espiritual daquela mulher). Sozinha, Madalena trabalhou pelo seu sustento. Certo dia, um grupo de leprosos chegou à cidade de Dalmanuta procurando Jesus (sem as redes sociais, as notícias demoravam a se espalhar). Ela então os reuniu sob as árvores da praia e os encheu de esperança em dias melhores. Madalena os acolheu como filhos, eles a aceitaram como mãe. Expulsos pelas autoridades locais, os leprosos tiveram de seguir para o vale imundo em Jerusalém. Madalena foi com eles. Não demorou até que ela visse em sua pele as primeiras manchas violáceas. Decidida a rever Maria de Nazaré, Madalena se despediu emocionada de seus filhos do coração e viajou, a pé, até a cidade de Éfeso. Com o corpo já coberto de chagas e quase inconsciente, ela chegou ao seu destino. Poucos dias depois, Madalena sentiu um grande alívio. Parecia que estava de volta àCafarnaum, sob as árvores, a espera do mestre. De repente, ela vê Jesus Cristo se aproximar, mais belo do que nunca! Madalena tenta se ajoelhar, mas ele a impede, recolhendo-a, luminosa, em seus braços: “Maria, já passaste a porta estreita... Amaste muito! Vem!”. Que nesta Páscoa, nós, mulheres modernas, nos lembremos de Maria Madalena: uma mulher que de enfrentou preconceitos ferozes apenas para amar, amar muito.


[Stella Florence]