sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

É rosa nunca vista, é cor do imprevisto. É flor de estação. […]

Arquivo Pessoal
Hoje completando 4.5
Amém por isso!!
Fazendo uma reflexão sobre meu aniversário de 45 anos necessito dizer que muita coisa em mim mudou com o passar dos anos. Meus pensamentos mais que mudaram foram desembaraçados. O sexo não é mais performance, exaustão, faço o que gosto e do jeito que gosto. Aproveito dez minutos com a intensidade de uma noite inteira, reconheço o rosto do próprio desejo no primeiro suspiro, e opto pela submissão por puro prazer, sem entrar na neurose da disputa ou do controle. Não diminuí o ritmo da intimidade. Posso ler um livro, assistir um filme ou conversar com a intensidade de uma transa. Não tenho um momento para a sensualidade, a sensualidade é todo momento. Tomar o café da manhã não é apenas um desjejum, tenho uma identidade, meu ritual, um refinamento da história de meus sabores. Tomar o café da manhã comigo é participar de minhas memória, de minhas escolhas. Não preciso mais provar nada. Já sofri separações, e tenho consciência de que suporto qualquer sofrimento. Já superei dissidências familiares, e tenho consciência de que a oposição é provisória. Já recebi fora, já dei fora, e entendo que o amor é pontualidade e que não devo decidir pelo outro ou amar pelos dois. Cansada das aparências, cometerei excessos perfeitos. Sou mais louca do que a loucura porque não se recrimino de véspera. Sou mais sábia do que a sabedoria porque não guardo culpa para o dia seguinte. A beleza se tornou para mim um estado de espírito, um brilho nos olhos, um temperamento. A beleza é resultado da elegância das ideias, não somente do corpo e dos traços físicos. Encontrei a suavidade dentro da serenidade. A suavidade que é segurança apaixonada, confiança curiosa. O riso não é mais bobo, mas atenta e misteriosa, demonstro a glória de estar inteira para acolher a alegria improvisada, longe da idealização, dentro das possibilidades. Hoje não existe roteiro a ser cumprido, mapa de intenções e requisitos, só existe a leveza de não explicar mais a vida. A leveza de perguntar para se descobrir diferente, em vez de questionar para confirmar expectativas.  Ser tia ou mãe, ser solteira ou casada não me cria angústia. Os papéis sociais foram queimados com os rascunhos. Sou a felicidade de não ter sido. A felicidade daquilo que deixei para trás, daquilo que neguei, daquilo que vi que era dispensável, daquilo que percebi que não trazia esperança. Meu charme decorrer mais da sensibilidade do que de minhas roupas. O que ilumina minha pele é o amor a mim mesma e minha expressividade e suavidade ao falar. A beleza está acrescida de caráter. Do destemor que enfrento os problemas, da facilidade que saio das crises. A beleza é vaidosa da linguagem, do bom humor. A beleza é vaidosa da inteligência e da gentileza. Hoje não há depois, é tudo agora.



Adaptação do Texto de Fabrício Carpinejar –
Publicado na Revista Isto É Gente – Março de 2014 p. 50 – Ano 14 Número 706