quinta-feira, 30 de julho de 2015

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Estou longe do mar. Quilômetros. Longos quilômetros me separam das águas que poderiam trazer um tipo de conforto especial, algo parecido com um carinho feito por Deus, delicada carícia de corpo inteiro, alívio de corpo e alma. Dói. Estranhamente, dói. ___________________ Be Lins

"Para o desejo do meu coração, 
o mar é uma gota."

Não, eu não desisto. Quando muito resisto às respostas armadas da verdade. Passo por ali, beira-mar, canteiro das celebrações chorosas. Quando tenho ímpetos me lembro das gaivotas. E danço o voo de uma liberdade que é sucinta. Hoje a tinta daqueles rabiscos no céu escorre nos meus olhos. Minhas asas quebradiças se avivam. Eu rezo pelas ondas. O mar me ressuscita. O meu amor te grita longe a saudade. Então me desespero de certezas. Eu preciso do teu amanhecer. E do teu mar de amar.

Dan Cezar


terça-feira, 28 de julho de 2015

"Aí Deus, na Sua sabedoria, me disse NÃO. Eu aceitei. E uma imensidão de SIM veio depois." ________________________ (Rachel Carvalho)

" Os bastidores de nossa vida só nós conhecemos.
As cortinas abrimos em partes, 
Cada um sabe a dor e
 a delícia de ser o que é,
 já dizia Caetano.
e mostramos o que julgamos necessário.
Mas a peça completa, cada ato, só nós temos
escrito em um caderno particular

que não precisamos mostrar a ninguém.
Só nós sabemos - só nós - a coragem que temos
para continuarmos sendo o que somos."

(Rachel Carvalho)

sábado, 25 de julho de 2015

Não adianta uma lareira ou centenas de cobertores. Travesseiros de pena de ganso e muito menos lençóis de linho egípcio. Cama de casal. King Size! Nada, absolutamente nada, deve ser mais gostoso que dormir enrolada em você. ________________________ Bruno Fontes

"Me dê a Lua que eu te faço adormecer..."

Teatro Mágico
Dizem que quando a gente acorda no meio da noite pensando em alguém, significa que ela também está pensando em nós. Eu acho isso uma grande bobagem, dessas bobagens que eu gosto de acreditar. Se a gente não tem muito a perder o melhor é acreditar mesmo, ainda mais no meio da noite, depois de ter perdido o sono. Queria mesmo que você pensasse em mim de vez em quando. É tão difícil carregar uma saudade sozinha.


Bruno Fontes- Adaptado

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Sexta feira a noite. Pronta pra fazer vários nadas. ____________________________ Sandra Costa


Um passo por vez.
Mesmo que meu coração
corra uma maratona por dia.

Foto: Arquivo Pessoal
Antigamente eu me ocupava em parecer forte. O tempo varreu da minha alma essa necessidade de ostentar força. Hoje, quero ser apenas o que sou. Sem máscaras, sem angústia, sem culpas e sem ânsias. As pessoas a quem amo, eu digo que amo. Talvez não com palavras, mas digo. Há cem mil modos de se dizer "eu te amo" e a maioria costuma ser mais verdadeiro que as próprias palavras. Deixo claro que admiro a quem eu admiro. Aprendi que honrar a quem honra merecer é honrar a mim mesma, no reconhecimento de um paradigma, a saber que, espelhando-me no outro, posso melhorar-me. Nunca escondo um bom sentimento, por mais insignificante ou transbordante que ele seja. O que acinzenta a aura do mundo é a nossa mania de esconder o belo, de regrar o encantamento, de economizar o afeto e renegar a empatia.

Nara Rúbia Ribeiro

quinta-feira, 23 de julho de 2015

A madrugada é meu aconchego, é aonde eu me sinto melhor, onde a brisa é leve, onde o barulho da humanidade não me atormenta, onde posso ler e colocar meus pensamentos no lugar libertando minha mente barulhenta. _____________________ Lausanne Gonçalves

"Amenidades, 
Levezas, 
Calma na alma. 
É o que quero pra hoje..."

Lis Fernandes
Precisamos desenvolver o hábito da escuta e do aconchego nos nossos lares e nas nossas relações afetivas. Assim não nos sentiremos tão sozinhos como tenho percebido que a maioria de nós se sente. Sentirmo-nos acolhidos e amados nos pouparia de muita terapia e medicação. Romper os nossos limbos emocionais de surdez e mudez, aproximar, enxergar, colocar-se no lugar do outro… Ouvir além, muito além do que está sendo dito é a condição mínima para a construção de qualquer relação verdadeira de afeto. A máxima? Sermos amados pelo que somos. 

Aconchegue.


- Lígia Guerra -

terça-feira, 21 de julho de 2015

"Estancar a loucura por meio de um sonho". _______________________ (Lygia Fagundes Telles)

Procuro uma alma disposta, a conjugar meus temores expostos. Procuro uma alma em estado de prontidão, que para o amor, esteja sempre à disposição. Procuro uma alma disposta a acolher um coração perdido, que clama por poucas respostas, e poucos centavos de abrigo. Procuro um corpo disposto a dividir carícias intermináveis e, a se perder no entrelaçar das pernas – indistinguíveis e inseparáveis. Procuro um corpo disposto a abraçar quando acordar e, a não largar – quando for dormir. Procuro um corpo sincero, que não prenda o choro no peito, muito menos o sorriso no rosto. Procuro um corpo que afaste todo e qualquer perigo, que seja cama, busque e ofereça abrigo. Procuro um sorriso aberto e confortador, que transmita a esperança mais vívida – do mais vívido esplendor. Procuro um colo quente e um aperto consciente, que seja um tanto macio, um tanto doce e um tanto carente – como o meu. Procuro alguém que me solte quando for preciso e que me prenda – quando for necessário. Procuro alguém que queira passar o dia inteiro ouvindo, dançando e cantando Beatles, cozinhando e comendo com festa, sujando e lavando com graça. Procuro alguém que saiba entender quando quando estiver faltando, dizer quando estiver sentindo, e sentir – quando estiver sobrando. Procuro alguém que queira ter – comigo -, tudo o que de mais bonito pode haver. Procuro alguém que peça e por alguém que dê, por alguém que chame, discuta e reclame. Procuro alguém que viva a verdade e, que – ocasionalmente – queira que todo o resto se dane. Procuro um amor concreto, para ser o meu predileto. Procuro um amor maduro, que afaste o meu medo do escuro. Procuro um amor ligeiro, que seja tudo – menos passageiro. Procuro um amor pelado, que use o calor do corpo – ao invés das roupas – quando o clima estiver gelado. Procuro um amor que embriague, tonteie e me coloque no chão; mas que depois me levante depressa – estendendo imediatamente a mão. Procuro um amor esperto, que se permita desaparecer, mas que saiba retornar e querer estar perto. Procuro um amor imperfeito, em cada uma das tuas limitações, e procuro amar diariamente – cada uma das tuas mais sinceras imperfeições. Procuro uma vida bela, verdadeira e apaixonada. Procuro uma vida explosiva durante o dia, e calma – durante a madrugada. Procuro uma vida que abrace, como se nunca tivesse sido abraçada, e por uma vida que ame – como se pela última vez pudesse ser amada. Procuro uma vida intensa, corrida e desequilibrada, para que o tédio nunca me encontre, e que a vontade seja sempre alimentada. Procuro uma vida que nunca tive, mas que sempre sonhei em viver. Procuro vida repleta, de todo o sentimento que se pode ter. Procuro uma vida que escolha o meu peito para dormir, e o meu beijo para acordar. Procuro uma vida que não tenha medo de sorrir, nem tampouco de chorar. Procuro uma vida que se possibilite conhecer, e se permita – novamente – desvendar. Procuro uma vida para amar intensa e diariamente, com toda a certeza que há – e toda a vontade de estar – do lado de quem se pode amar, verdadeiramente.


Fellipo Rocha

segunda-feira, 20 de julho de 2015

"Dois complicados, complexos e totalmente opostos. Mas ela tem alguma coisa que te faz voltar. E tu, por incrível que pareça, tens algo que não deixa ela ir.” ________________________ Lohanny let it be

voltar atrás, engolir 
a palavra dita, o pedido
feito, deixar a roupa
suja, ter dito sim, ponderar 
Meus pedidos de amor são à Deus.
Oro e Espero.

Cáh Morandi
o não. Ao menos rever
as escolhas, relembrar
que havia caminhos, e pedras
nas quais fiquei. Nada
nos devolve ao momento
que nos atormenta. Nada também
nos tira de lá.

Cáh Morandi

domingo, 19 de julho de 2015

❝ les temps sont durs pour les rêveurs❞ são tempos difíceis para os sonhadores... ______________________ (Amélie)



Suzanne: Só faltava.
Era a única coisa que ela ainda não tinha pego: amor.
Hipólito: Ninguém está imune.
.....
.....


O Fabuloso Destino de Amélie Poulain
Sabemos da alegria porque um dia demos a mão à tristeza. Entendemos de satisfação depois de ter experimentado a frustração. Aprendemos a dar valor às coisas quando percebemos o buraco que a falta faz. Adquirimos coragem de abrir as janelas depois que algumas portas são fechadas; somos impelidos a reencontrar sentido na existência quando tudo em que acreditávamos muda de repente. Entramos em contato com o sagrado que há em nós quando percebemos a vida carece de respostas e definições...


Fabíola Simões

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Mas, aprendi, lá nessa outra escola, que o sinal do recreio sempre toca, por mais que aparente demorar a tocar. Enquanto não toca, a gente foca na lição da vez. Dialoga com os fantasmas todos. Interage com a própria alma. Procura retomar o fôlego. Cuida, como pode, do coração. E aguarda. O sinal tocará. De novo. _____________________________ | Ana Jácomo |

"Palavras acolhem, alimentam,
fortalecem e às vezes , salvam."

(
Ita Portugal)
Eu quero ver cinema na segunda e usar as minhas melhores roupas em dias comuns. Comer pipoca numa quarta vendo filme pela tela do computador. E sentar para tomar um café em uma padaria de paredes de vidro, só pra ver a rua passar, mesmo que ruas não passem, mesmo que a vista não seja como a do último livro londrino que lemos. Eu quero o lugar não comum. Morrer pelas causas que ninguém mais acredita. Acreditar como quando tinha sete anos, sorrir com a placidez dos 100. Porque a resignação só me coube nos pés quando fixei os olhos no teto para o mundo deixar de ser carrossel. Eu quero ser Miguel de Cervantes.



"Eu quero ser Miguel de Cervantes"- 

Camila Lourenço

quarta-feira, 15 de julho de 2015

A função da paixão é desordenar tudo. A missão do coração é fazer tudo pra tudo continuar desordenado. _____________________ Fernando Coelho

O amor também é um buquê de silêncios
suspirados por uma mulher.
Muitas vezes Maria pega na mão do vento e mostra em que direção ele deve seguir. Somente pra ela, o vendaval reclama do sufoco dos grandes desertos, da frieza oracular das grandes montanhas, das desesperadas geleiras com dor nos flancos brancos. Maria aconselha ao vento repousar em terras menos molhadas e mais amenas. Lhe oferece as hélices das árvores frondosas e de imensas cabeleiras de arco-íris sob o sol tropical. O vento sorri sacudindo as nuvens. Maria e o vento namoram. São alquimistas de perfumes das coisas. E só.






Fernando Coelho

domingo, 12 de julho de 2015

"Alice, me empresta as maravilhas de teu país?" _________________________

"A única forma de chegar ao impossível,
 é acreditar que é possível." *
Escuta: se não descobrires um sentido na loucura acabarás louca. Aprende, pois, logo de saída para a grande vida, a ler este livro como um simples manual do sentido evidente de todas as coisas, inclusive as loucas. Aprende isso a teu modo, pois te dou apenas umas poucas chaves entre milhares que abrem as portas da realidade. A realidade, é louca. Nem o Papa, ninguém no mundo, pode responder sem pestanejar à pergunta que Alice faz à gatinha: “Fala a verdade Dinah, já comeste um morcego?” Não te espantes quando o mundo amanhecer irreconhecível. Para melhor ou pior, isso acontece muitas vezes por ano. “Quem sou eu no mundo?” Essa indagação perplexa é lugar-comum de cada história de gente. Quantas vezes mais decifrares essa charada, tão entranhada em ti mesma como os teus ossos, mais forte ficarás. Não importa qual seja a resposta; o importante é dar ou inventar uma resposta. Ainda que seja mentira. A sozinhez (esquece essa palavra que inventei agora sem querer) é inevitável. Foi o que Alice falou no fundo do poço: “Estou tão cansada de estar aqui sozinha!” O importante é que ela conseguiu sair de lá, abrindo a porta. A porta do poço! Só as criaturas humanas (nem mesmo os grandes macacos e os cães amestrados) conseguem abrir uma porta bem fechada ou vice-versa, isto é, fechar uma porta bem aberta. Somos todos tão bobos. Praticamos uma ação trivial, e temos a presunção petulante de esperar dela grandes conseqüências. Quando Alice comeu o bolo e não cresceu de tamanho, ficou no maior dos espantos. Apesar de ser isso o que acontece, geralmente, às pessoas que comem bolo. Há uma sabedoria social ou de bolso; nem toda sabedoria tem de ser grave. A gente vive errando em relação ao próximo e o jeito é pedir desculpas sete vezes por dia: “Oh, I beg your pardon” Pois viver é falar de corda em casa de enforcado. Por isso te digo, para tua sabedoria de bolso: se gostas de gato, experimenta o ponto de vista do rato. Foi o que o rato perguntou à Alice: “Gostarias de gato se fosses eu?” Os homens vivem apostando corrida. Nos escritórios, nos negócios, na política, nacional e internacional, nos clubes, nos bares, nas artes, na literatura, até amigos, até irmãos, até marido e mulher, até namorados todos vivem apostando corrida. São competições tão confusas, tão cheias de truques, tão desnecessárias, tão fingindo que não é, tão ridículas muitas vezes, por caminhos tão escondidos, que, quando os atletas chegam exaustos a um ponto, costumam perguntar: “A corrida terminou! mas quem ganhou?” É bobice, disputar uma corrida se a gente não irá saber quem venceu. Se tiveres de ir a algum lugar, não te preocupe a vaidade fatigante de ser a primeira a chegar. Se chegares sempre onde quiseres, ganhaste. Disse o ratinho: “A minha história é longa e triste!” Ouvirás isso milhares de vezes. Como ouvirás a terrível variante: “Minha vida daria um romance”. Ora, como todas as vidas vividas até o fim são longas e tristes, e como todas as vidas dariam romances, pois o romance só é o jeito de contar uma vida, foge, polida mas energeticamente, dos homens e das mulheres que suspiram e dizem: “Minha vida daria um romance!” Sobretudo dos homens. Os milagres sempre acontecem na vida de cada um e na vida de todos. Mas, ao contrário do que se pensa, os melhores e mais fundos milagres não acontecem de repente, mas devagar, muito devagar. Quero dizer o seguinte: a palavra depressão cairá de moda mais cedo ou mais tarde. Como talvez seja mais tarde, prepara-te para a visita do monstro, e não te desesperes ao triste pensamento de Alice: “Devo estar diminuindo de novo” Em algum lugar há cogumelos que nos fazem crescer novamente. E escuta a parábola perfeita: Alice tinha diminuindo tanto de tamanho que tomou um camundongo por um hipopótamo. Isso acontece muito. Mas não sejamos ingênuos, pois o contrário também acontece. E é um outro escritor inglês que nos fala mais ou menos assim: o camundongo que expulsamos ontem passou a ser hoje um terrível rinoceronte. É isso mesmo. A alma da gente é uma máquina complicada que produz durante a vida uma quantidade imensa de camundongos que parecem hipopótamos e rinocerontes que parecem camundongos. O jeito é rir no caso da primeira confusão e ficar bem disposto para enfrentar o rinoceronte que entrou em nossos domínios disfarçado de camundongo. E como tomar o pequeno por grande e grande por pequeno é sempre meio cômico, nunca devemos perder o bom-humor. Toda a pessoa deve ter três caixas para guardar humor: uma caixa grande para o humor mais ou menos barato que a gente gasta na rua com os outros; uma caixa média para o humor que a gente precisa ter quando está sozinho, para perdoares a ti mesma, para rires de ti mesma; por fim, uma caixinha preciosa, muito escondida, para grandes ocasiões. Chamo de grandes ocasiões os momentos perigosos em que estamos cheios de dor ou de vaidade, em que sofremos a tentação de achar que fracassamos ou triunfamos, em que nos sentimos umas drogas ou muito bacanas. Cuidado, com as grandes ocasiões. Por fim, mais uma palavra de bolso: às vezes uma pessoa se abandona de tal forma ao sofrimento, com uma tal complacência, que tem medo de não poder sair de lá. A dor também tem o seu feitiço, e este se vira contra o enfeitiçado. Por isso Alice, depois de ter chorado um lago, pensava: “Agora serei castigada, afogando-me em minhas próprias lágrimas”. Conclusão: a própria dor deve ter a sua medida: É feio, é imodesto, é vão, é perigoso ultrapassar a fronteira de nossa dor.



Texto do cronista e poeta Paulo Mendes Campos, escrito a Maria da Graça, quando lhe deu o livro de presente d 15 anos. Paulo Mendes Campos foi exímio cronista e soube imprimir, como poucos de sua geração, delicadeza e poesia ao gênero crônica.

* Foto do filme Alice no País das Maravilhas, 2010

sábado, 11 de julho de 2015

Sábado é sempre sábado, igual em Paris, Porto Alegre ou Singapura. Sempre no ar aquela expectativa pizza, cinema ou beijo, não importa. ______________________ Caio F. Abreu

Olha-me de novo.
Com menos altivez.

E mais atento.

Hilda Hilst
Abre a janela. Aumenta o som. Prepara um café e deixe-me beber um gole de qualquer fantasia barata que afaste a minha demência afetiva. Entregue uma boa notícia que me faça criar vergonha na cara e tomar atitude, juízo, remédio, um banho quente, ou um ônibus e sair por aí rumo a algum lugar desconfortável o suficiente para abalar minhas crendices. Sangra-me de vez que é para a dor expurgar as futilidades e prestar reverência ao novo que chegará após a cicatriz. Após o vendaval, voltarei, nem que seja para contradizer a saudade. 





sexta-feira, 10 de julho de 2015

..."Ainda que distância regressou-se do cais. Ainda que de promessas nos rompeu os amores. Ainda que de amores se fez o Eterno. Ainda assim a imensidão de nós nos é afinada a essa potência, chamada Poesia e habitada de nascimentos". ________________________ Fernanda Fraga



"quer viver para sempre?
deixe um escritor te amar"

D. A.
Ao poeta é possível versar sobre o céu azul quando nele por ora habita a tristeza dos cinzas. E vice versa. Na palavra se pode ser o que não se é, o que se é, o que se foi ou o que se gostaria de ser. Seja como for, o poeta costura palavras com os conteúdos nele já acolhidos, seja pelas experiências passadas ou seja pela capacidade de abstração. Por isso se pode falar de amor sem necessariamente agora amar, ou pode Dante falar com perfeição dos círculos do inferno como se lá estivesse um dia estado. Não cabe julgarmos o presente do poeta pelo que ele produz, pois poderemos olhar para o seu passado, para o futuro, para o possível ou para os seus sonhos. E não saberemos se estaremos a olhar seus atuais tempos verbais, sua própria imagem ou a nossa própria projeção.

Guilherme Antunes

quinta-feira, 9 de julho de 2015

“São Paulo é dos Paulistas. Tenente, abaixe a crista”

VOCÊ TEM UM DEVER A CUMPRIR :
CONSULTE A SUA CONSCIÊNCIA
(MMDC)
Ser Paulista! É ser grande no passado! E ainda maior nas glórias do presente! É ser a imagem do Brasil sonhado. E, ao mesmo tempo, do Brasil nascente! Ser Paulista! É morrer sacrificado por nossa terra e pela nossa gente! É ter dó da fraqueza do soldado tendo horror à filáucia do tenente! Ser Paulista! É rezar pelo evangelho de Rui Barbosa, o Sacrossanto Velho Civilista imortal da nossa fé! Ser Paulista! - Em brasão e em pergaminho é ser traído e pelejar sozinho, é ser vencido, mas cair de pé!
Castro Alves, também exaltando o "Ser Paulista", na Revolução Constitucionalista

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Cato uns pedaços de tempo no vento que corta. No raio que aporta meu olho de amar. Ganhei o privilégio da saudade. Garanti uma verdade de nós. O amor me dá um estado de ser. Amo no meu silêncio líquido. Um pássaro me avistou você. Aquele fio no horizonte nos era. Fiquei íntima do vento. ____________________________ Dan Cezar

"Na verdade, 
para tudo apenas uma condição basta,
Que seja sentido!"

Luís Santos
"Entre pedras e quedas, farpas e lágrimas. Lançando sementes, eu aprendi com as flores: joelhos dobrados não confessam humildade. Porém, humildade nasce confessa quando prostra todo e qualquer ego. Regando vento e colhendo desgrenho – cabelo e coração libertos. Entre ganhos e perdas, alegrias e tristezas. Lançando sementes, eu aprendi com as flores: planejar sorrisos e engravidar sonhos. Mesmo guardando memórias espinhosas, ou ainda ardendo dos caminhos impiedosos. Porém, quais vasos não sabem superfície quebrada? Qual barro os garantem eternamente intactos?'

Nayara Fernandes

segunda-feira, 6 de julho de 2015

"Fazia tanto frio, tanto... Ela tremia dos pés a cabeça, seus dedos ardiam. Mas ela não se importava. Queria aquele frio. O frio a fazia bem, ela pensava. Aquele frio era tanto que ela esperava que só não congelasse seu coração..."



A temperatura do meu coração tem estourado termômetros com a mesma
intensidade que os têm estacado abaixo de zero. Há dias em que
escrevo febrilmente, mas na maior parte do tempo,
Se tocou a alma, 
não há o que questionar.

Bbiana Benites

eu nevo.


Lídia Martins

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Mas como menina-teimosa que sou, ainda insisto em desentortar os caminhos. Em construir castelos sem pensar nos ventos. ________________________ Caio F. Abreu


Nos delírios poéticos encontramos
algumas respostas para as
 nossas tantas perguntas…
Eu deveria ter ficado mais atenta às respostas da vida. Deveria ter me desfeito dos motivos, mesmo sem ter encontrado os motivos. Deveria ter prestado mais atenção enquanto o caminho se desenhava bem ali, na minha frente. Mas eu mudei a direção do vento só para segurar os sonhos entre os dedos. E esqueci que os sonhos são ventos que não se retêm, porque escapam… Deveria ter ouvido quando me disseram que descobrir o conceito de infinito era o meu caminho, mas eu tapei os ouvidos e a boca. E cega, caminhei na contramão, enquanto o mundo seguia na direção certa dos meus sonhos. Eu queria ir além… Mas não enxergava o mundo além do meu mundo. E cultivava uma vontade inocente e aflita de tocar com a ponta dos dedos a felicidade, sem lembrar que felicidade é um instante, apenas um instante, diante da vida toda que acontece lá fora. E no fundo, no fundo, se traduz apenas como um desejo não palpável – quase inalcançável – que faz a gente perseguir os nossos sonhos. Depois de vagar na direção contrária e atravessar o tempo, eu fui lá, mergulhar nas coisas interpostas, porque queria descobrir a essência dos sentimentos. Queria lapidar os seus conceitos, e colocar cada um no seu devido lugar, só para ter ao alcance das mãos as sensações que movem o mundo. Um desejo megalômano, de quem desconhece a vida e o seu jeito estranho de apresentar a realidade e impor a sua vontade. O que acontece aqui, às vezes não acontece lá, do outro lado do muro. Mas sonhos são sonhos. E quando eu sonho não penso em mais nada, além da possibilidade de torná-los realização; ainda que os momentos de fraqueza dobrem as minhas pernas e retardem os meus passos. Ainda assim eu vou lá, manipular o vento. E as respostas silenciosas do tempo, quando ainda insisto nas interposições? Para essa pergunta obstinada e persistente – que algumas vezes ofusca o meu sorriso e desarmoniza os meus sentidos – só tenho uma resposta: Às vezes o tempo não é sim, nem não. Às vezes o tempo é espera. Só isso. E o que a gente deseja, enquanto aguarda, é o que tempo de espera também seja de realização. Os sonhos? Descobri que eu sonho os impossíveis do mundo, porque não sei viver a realidade – e tudo que ela traz – sem o pretexto de um dia poder realizar de fato, tudo aquilo que guardo aqui dentro, e a vida real não alcança. E quando abro a porta e por algum motivo não os vejo lá, sorrindo, à minha espera, o meu único desejo é um abraço acolhedor, que traga para dentro a paz que conforta, e me faça desejar mais um instante de felicidade. E as sensações que movem o mundo e os seus conceitos? Não tenho resposta. Só descobri que, às vezes, o que a gente escreve encontra abrigo em outra vida porque lá também existe a mesma sensação. Mas também não tem resposta. Quanto ao que eu deveria ter alcançado lá no começo, quando os sonhos ainda eram inocentes, compreendo que a gente pode um monte de coisas, mas só descobre isso depois, no tempo que se foi…

Érica Gaião

quinta-feira, 2 de julho de 2015

"Mesmo que se possa viver sem precisar dizer, para aquietar se deve falar. Quando sentiu e se decidiu, se diz. Então, se diz tanto, se diz tudo, se diz tua. Quando chega e fica, quando mesmo indo permaneço, quando sai o fim e só resta o começo para onde for, se diz amor." _________________________ Ruleandson do Carmo

"Eu só queria que você soubesse que há um espaço
        aqui no peito no qual você ainda vive e
         caminha comigo, a cada passo trocado
             pelas calçadas de um caminho só. "

                      Ruleandson do Carmo  

                              
Amor, ou você encontra ou você é contra. Costuma ser assim. Principalmente naquele momento em que o amor parece uma bela promessa, mas seus amores insistem em contradizer esperanças. O telefone não toca, suas mensagens a paixões iniciais são respondidas com um "Quem é?" e quando você liga uma gravação informa "A pessoa que você ama não te ama ou não existe". O sono não chega e não é o cansaço que te incomoda, mas a perda da única chance de ter quem você ama ao seu lado, sonhando. Você resolve seguir em frente, mas todas as pessoas rumam para o mesmo destino, logo aquele que você já sabe que não é o seu. Você pensa em se fazer sempre presente, mas assim as pessoas se cansam de você. Você considera ficar mais distante para notarem sua ausência. Mas se alguém não acha que há valor em te ter por que se importaria em te perder? O que você descobre o real valor quando perde é dinheiro, não amores. Quem não valoriza sua presença não se importa com a sua ausência (ainda que você se importe). Caso você se apaixone, você é carente. Caso você não se envolva, você é volúvel. Se faz amor de cara, você é promíscua e alguém que não vale a pena investir. Se não na primeira vez, você é puritana, fria, chata. O que, então, as pessoas querem afinal? O que nós queremos, então? Se tanta gente diz que busca alguém, mas ninguém presta, não era para um dia esses que prestam e buscam quem preste se encontrarem? Com quem estamos perdendo tempo para não vermos quem vai fazer a gente ganhar o dia todos os dias? Eu não sei. Mas sei o que ganhei com o tempo que perdi. Das mensagens sem resposta, ficou a coragem de dizer o que eu sentia. Do desprezo que me ofereceram ficou não a dor por existirem pessoas cruéis, mas o esforço por nunca ser igual. Do valor que não me deram, ficou a certeza de que devo oferecer o melhor ainda que não mereçam. Das desilusões, ficou a vontade de um dia oferecer sonhos a alguém. Das vezes que não deu certo, ficou a vontade de tentar. Dos amores não correspondidos, ficou a capacidade de amar. E em meio a isso tudo o que mantenho é a esperança. Esperança e certeza de que vou ter que continuar tentando, é o que ganhei com o tempo que perdi, vivendo de amores que morreram, esperando quem nunca esteve a caminho. Anote aí: amar, ainda não inventaram outro jeito, a não ser tentar. Amor, ou você encontra ou você se reencontra (e se reconstrói).


Bela Crônica de Ruleandson do Carmo- "Eu só queria um café" -Adaptada

quarta-feira, 1 de julho de 2015

(...) "Não sou indiferente a nada que afeta o amor, a nada que o doa! A minha escolha é ir com ele! Aonde quer que me leve..." ________________________ (Karla Fioravante)

“Ela é um abismo, poucos se arriscam.”

Eu já sabia
Escritores renomados, mestres da Literatura Mundial, estudiosos, pessoas do meu convívio, todos nós já tentamos entender, expressar e até sentir o amor na essência. De todas as formas, em todos os tempos, providos de todas as esperanças possíveis (e impossíveis). Somos humanos e acreditamos que o amor sempre será sinônimo de possibilidade. Eu não me atreveria – e nem quero – duvidar do que já li, vivi e de tudo o que me contaram até hoje. Acredito tanto, que resolvi, ao meu modo, mergulhar expostamente naquilo que eu entendo como sendo amor. Sem dúvidas, ele foi feito para os desavisados, os dispersos, os distraídos. Quem não procura, por ele é encontrado. O amor, minha gente, se veste melhor daqueles que administram – de forma madura – seus conflitos (os internos, principalmente), que não vivem com pena de si, que enxergam humor e encantamento diante da vida, mesmo que para isso sejam necessárias algumas rasteiras, porque ele também é aprendizado. Enfrentamento. Amamos suas variáveis, o cheiro e a inteireza dele. O amor é o que transforma, é o que reluz, é tudo que soma e nos torna melhores. É um sentir que contorna os dias de forma mais leve, é uma via de mão dupla, reciprocidade, no sentido pleno da palavra. É compreensão, entendimento e o melhor medicamento que já inventaram para a felicidade. O amor salva. E ele mata também. Mas, que bom morrer de amor e continuar vivendo, como bem dizia Quintana. Amor é reconciliação, serenidade, paciência, simplicidade e delicadeza. É uma constante, um mistério que tento extrair nas obras de Drummond, de Adélia Prado, de Cora Coralina, de Fernando Pessoa, de Clarice Lispector e de tantos outros que amam/amaram na mesma vastidão que escrevem/escreveram sobre ele. Amor é aquele lugar bom que a gente quer voltar todos os dias, uma vida inteira, se possível. É o que nos amadurece, é aquele sentimento que renova nossas forças, é o que se estende, porque o amor de verdade não tem prazo de validade. Mesmo quando entorta na curva, mesmo assim, ele nos ensina o caminho do recomeço. Amor também é fechar ciclos, e dar pontos finais, porque a vida é movimento. Aos que dizem que ele é uma bobagem, que ele não existe, senão em filmes de comédia romântica, é para vocês que escrevo e ainda lhes peço: O amor é o sentimento mais bonito de que já tive notícias. Por favor, não abram mão – nem sob tortura – de desacreditarem nisso.

Bibiana Benites