domingo, 23 de junho de 2019

Às vezes o que eu quero é morar num abraço com você, escutando o silêncio e me nutrindo do perfume que nasce do nosso encontro. _______________________________ Lila Marques.

Um dia desses eu sonhei com você. No sonho, nós trocávamos olhares, entrelaçávamos sutilmente as nossas mãos e ficávamos em silêncio. Não foi muito diferente (e talvez ainda não seja) da nossa realidade. Afinal, nossos olhos hoje não se cruzam e nossas mãos não se tocam, mas volta e meia os nossos pensamentos se encontram. Assim como a nossa saudade. Como aquele “e se?” que bate de vez em quando na nossa porta. E como aquela nossa vontade de ter sido o que não fomos. Eu, claro, acordei saudosa e sentindo o teu cheiro ali no meu travesseiro, mesmo sem você ter deitado nele um dia sequer que fosse. Lembrei das vezes em que falamos a mesma coisa ao mesmo tempo, dos sentimentos em comum que contrariavam qualquer lógica, das vezes em que recebi suas declarações inesperadas, das vezes em que eu decidi me declarar… E até dos abraços que demos em nossas despedidas que, mesmo sem beijo, faziam a gente suspirar como dois adolescentes cheios de dúvidas, mas claramente apaixonados. É verdade. Muitas vezes os nossos beijos aconteceram sem o toque, somente no silêncio… Silêncio do desejo (que o coração já não era capaz de calar como a boca). Já me perguntei se nos deixamos levar pelo medo. Medo de se machucar em algo tão intenso, surreal e raro (tão raro que questionamos diversas vezes a sua existência). Ou será que foi medo de tentar e perceber que tudo não passava de uma mera e ingênua fantasia? Confesso que eu não gostaria de desmanchá-la, caso fosse assim. Pode soar loucura, mas esse laço mágico despertou e ainda desperta tanta coisa boa em mim. Esse laço é que me faz acreditar nessas coisas invisíveis e bonitas da vida, como a sensação de plenitude que me invadia em nossas conversas intermináveis da madrugada. “Fica mais um pouco”, você me pedia. Talvez sem saber que eu queria mesmo era ficar para sempre… É, talvez agora pareça triste o fato de não estarmos juntos (embora estejamos, sempre que as lembranças aquecem o coração, como aqueceu o meu hoje). Mas sabe, eu acho tão bonita a nossa história que soa como “quase história”. Acho tão bonita a relação que criamos, o cuidado, o carinho um com o outro, independente do tempo e da distância. E acho mais bonito ainda ter alguém como você na minha vida… Alguém que eu sempre vou me lembrar, não do que quase foi, mas do pedaço de amor que sempre será dentro de mim.

sexta-feira, 24 de maio de 2019

“Gosto das pessoas que foram quebradas pela vida, existe uma beleza única nas suas rachaduras.” (Zack Magiezi)

É complicado tentar comparar ou mesurar sofrimento, porque as pessoas recebem e digerem o que vem da vida, conforme aquilo que possuem dentro delas; trata-se de algo muito pessoal. A dimensão que os acontecimentos tomam depende da forma como cada um encara o mundo, dos valores e crenças que carrega, independentemente de qualquer outra coisa. Talvez a dor seja proporcionalmente mais intensa, quanto maior a quantidade de expectativas que ela quebre. As pessoas reagem de forma diferente aos mesmos acontecimentos, com maior ou menor intensidade. Ademais, certos indivíduos externam o que sentem sem pestanejar, enquanto outros prendem mais fortemente, somente para si, as escuridões que seu íntimo enfrenta. Por essa razão é que se torna um tanto quanto injusto compararmos as dores das pessoas tão somente nos baseando no que elas nos mostram. Dentro de muitos, há tempestades dolorosas se formando. Embora não possamos comparar o sofrimento, ao menos conseguimos discernir que certos acontecimentos machucam muito, de uma forma avassaladora, retirando o chão de qualquer um. Existem tragédias que sequer imaginamos em nossas vidas, tais como a perda de um filho, a perda de todo um patrimônio, uma deformação física abrupta, uma doença terminal, condições adversas extremas. Infelizmente, ninguém está livre de ter de enfrentar a perda do que lhe é vital. Há inúmeros exemplos por aí, à nossa volta, de gente que sobrevive ao que parecia impossível de se suportar, ao que nada mais traz do que desesperança, desespero e dor. Provavelmente, até entre nossos colegas, existem pessoas que já atravessaram os corredores amargos das escuridões dolorosas e sobreviveram. Porque são humanos e as pessoas são incríveis, possuem uma capacidade interminável de se reinventarem, de se fortalecerem e de se reergueram de novo e de novo, sobrevivendo ao que parece inconcebível, impossível. E o que move, no fundo, a todos os sobreviventes, que não sucumbem ao que parece intolerável, é a esperança. Sim, esperança, fé, olhos fixos adiante, no horizonte de possibilidades que ainda estarão por vir, na certeza de que há um porquê por detrás de cada tombo nesta vida. Esperança na própria força, nas pessoas, esperança no amor. Porque quem tem amor dentro de si jamais estará desamparado, ainda que esteja sozinho.

Marciel Camargo

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Pelo carinho sem compromisso, pela mão que enlaça e pelo jeito que abraça. __Anieli Talon

O calendário é uma mentira para as saudades mas uma verdade para o amor. Ou vice versa. O café é o cheiro exato na ausência do cheiro dela. A tristeza é uma novela na qual quase morremos no final. A vida é uma coleção de despedidas que nem sempre se despedem de nós.O óbvio é aquilo que quase nunca sabemos enxergar.A lua e as rosas sempre servirão para os poemas de quem procurar por um. A salvação começa por nós mesmos. A ilusão será pensar de outro jeito.Às vezes é preciso entrar para poder sair. Tem gente que quer sair antes de entrar.O sol é um convite silencioso para as esperanças. O lado que ignoramos é o que mais sabe de nós.A escravidão pode ser muitas coisas que não nos parece escravidão. Temos facilidades para obedecer cores escuras no peito.As palavras podem ser doçura ou espinho: depende de como amanhece o coração.

Gui Antunes

domingo, 17 de março de 2019

"Cada coração tem seu jeito de sossegar." _____________________ Brenda.H.

O que de nós resta?

Frestas. Juízo. Vontade.
A gente chora a esperança perdida, a verdade sufocada, a vontade arrancada o amor confundido, a gente endoidece de tanto escrever pedindo paz e eleger mochilas, café no bar da esquina, uma caminhada pelo parque, um roteiro poético pelas ruas de cidadezinhas do interior, um fim de noite de glamour imaginário ao andar sozinha por aí sem medo do lobisomem. A gente ainda se ilude e muito com uma rodada de samba, vestindo saia curta, cantando aos quatro ventos e soprando a vontade de ser o que quiser. A gente briga para a confiança voltar, mas ela se nega, pois resolveu escutar a voz grossa do homem e exibir força bruta e fazer a gente chorar de medo, de susto e de tristeza. A gente até tinha feito planos para o amanhã ser cheinho de conjugações amorosas, escolhas fáceis, coragem para seguir adiante, almoço, jantar, café, dormidas e acordadas em qualquer sequência, sem obedecer a nenhuma lógica. A gente sonhou isso ontem. Hoje... a gente chora e esquece todo o exercício de liberdade. Pois vou te contar, que apesar do caos, a gente guarda bem escondido uma alegria interminável e silenciosa, mas persistente, capaz de sustentar qualquer um dos nossos sonhos, apesar de .... É segredo...mas, um dia vamos dançar ao som de qualquer música, celebrando a liberdade de seguir as nossas vontades.

Ita Portugal

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

É rosa nunca vista, é cor do imprevisto. É flor de estação. […]

Arquivo Pessoal
Hoje completando 4.5
Amém por isso!!
Fazendo uma reflexão sobre meu aniversário de 45 anos necessito dizer que muita coisa em mim mudou com o passar dos anos. Meus pensamentos mais que mudaram foram desembaraçados. O sexo não é mais performance, exaustão, faço o que gosto e do jeito que gosto. Aproveito dez minutos com a intensidade de uma noite inteira, reconheço o rosto do próprio desejo no primeiro suspiro, e opto pela submissão por puro prazer, sem entrar na neurose da disputa ou do controle. Não diminuí o ritmo da intimidade. Posso ler um livro, assistir um filme ou conversar com a intensidade de uma transa. Não tenho um momento para a sensualidade, a sensualidade é todo momento. Tomar o café da manhã não é apenas um desjejum, tenho uma identidade, meu ritual, um refinamento da história de meus sabores. Tomar o café da manhã comigo é participar de minhas memória, de minhas escolhas. Não preciso mais provar nada. Já sofri separações, e tenho consciência de que suporto qualquer sofrimento. Já superei dissidências familiares, e tenho consciência de que a oposição é provisória. Já recebi fora, já dei fora, e entendo que o amor é pontualidade e que não devo decidir pelo outro ou amar pelos dois. Cansada das aparências, cometerei excessos perfeitos. Sou mais louca do que a loucura porque não se recrimino de véspera. Sou mais sábia do que a sabedoria porque não guardo culpa para o dia seguinte. A beleza se tornou para mim um estado de espírito, um brilho nos olhos, um temperamento. A beleza é resultado da elegância das ideias, não somente do corpo e dos traços físicos. Encontrei a suavidade dentro da serenidade. A suavidade que é segurança apaixonada, confiança curiosa. O riso não é mais bobo, mas atenta e misteriosa, demonstro a glória de estar inteira para acolher a alegria improvisada, longe da idealização, dentro das possibilidades. Hoje não existe roteiro a ser cumprido, mapa de intenções e requisitos, só existe a leveza de não explicar mais a vida. A leveza de perguntar para se descobrir diferente, em vez de questionar para confirmar expectativas.  Ser tia ou mãe, ser solteira ou casada não me cria angústia. Os papéis sociais foram queimados com os rascunhos. Sou a felicidade de não ter sido. A felicidade daquilo que deixei para trás, daquilo que neguei, daquilo que vi que era dispensável, daquilo que percebi que não trazia esperança. Meu charme decorrer mais da sensibilidade do que de minhas roupas. O que ilumina minha pele é o amor a mim mesma e minha expressividade e suavidade ao falar. A beleza está acrescida de caráter. Do destemor que enfrento os problemas, da facilidade que saio das crises. A beleza é vaidosa da linguagem, do bom humor. A beleza é vaidosa da inteligência e da gentileza. Hoje não há depois, é tudo agora.



Adaptação do Texto de Fabrício Carpinejar –
Publicado na Revista Isto É Gente – Março de 2014 p. 50 – Ano 14 Número 706


terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Meta para o Ano Novo? Ser feliz!

Aproveitando a onda dessa querela natalina, eu fiz minhas listas de desejos, como se isso significasse realização. Eu juro, que ainda acredito em organizar a vida por listas intermináveis de coisas boas a acontecer. Elas nem acontecem, mas e daí? Continuo, para renascer o encantamento com a vida. Faço figa, acredito em roupa branca na virada e vez ou outra no bom velhinho de barba branca e coração generoso. Quando se trata de reacender a esperança no meio de tanto caos, é válido fazer qualquer tentativa ou mico que seja, para adquirir os abusos de liberdade que almejamos. A gente vive abalado diante da inconstância da vida, e fim de ano pode ser bem propicio dar uma esticada nos fetiches que prometem mudar o curso das coisas, por isso, coloque arruda atrás da orelha, vista roupa branca, coma lentilhas. Capriche em qualquer estranha tradição. No entanto, faça por merecer estar vivo. Faça jus ao brilho de cada sol ao amanhecer, a cada som ouvido dos pássaros que sobrevoam sem destino, a cada boniteza da lua, a cada fim de noite em paz. Se empenhe honesto e fielmente constante para que os ventos soprem de forma civilizada em favor dos seus desejos mais íntimos. Insista, com otimismo, único sentimento capaz de não alienar a vida. Contudo, não acredite com tanta certeza na virada dos dias, como promessa de felicidade, mas também não duvide que toda esparrela feita não surtirá nenhum efeito. Quem sabe, isso nos remeta a olhar um pouco mais para dentro da gente e não abandonar a potência positiva que carregamos no peito. 


E finalmente deseje algo de bom a si e para os outros. O grande perigo é acontecer. 


Ita Portugal

domingo, 25 de novembro de 2018

Pra amar, tem que doer um pouco. Porque dói, é uma descoberta, é uma mudança, é um se ver no outro, é um ver o outro exatamente como ele é - e ainda assim amar." ________________________ Clarissa Corrêa

"A vida é muito curta, 
para que se perca tempo 
numa existência medíocre".
Leandro Karnal
Guimarães Rosa dizia: “O que a vida quer de nós é coragem”, e eu concordo plenamente, pois somos a sucessão de escaladas e abismos, somos nossa tormenta e nossa redenção, o início e o fim de nossas inquietações. Travamos batalhas interiores diariamente, e conseguir conduzir nossos pensamentos, emoções e desejos a um lugar de paz é nosso maior desafio. Outro dia assisti a um vídeo do filósofo Leandro Karnal e me encontrei em suas palavras. Ele dizia que o pensamento das mulheres é um pouco distinto ao dos homens no que se refere à zona de conforto. Dizia que os homens são mais inclinados a permanecer na zona de conforto, enquanto as mulheres procuram mergulhar mais profundamente em seus sentimentos e emoções. Resumindo: somos mais inclinadas a questionar, debater, trazer à tona aquilo que não é escancarado mas não pode ser sufocado. Às vezes, para conseguir escalar a cordilheira, a gente precisa recuar um pouco para recobrar o fôlego. Assim também acontece que, às vezes, para seguir em frente, precisamos nos reconciliar com nosso passado, com nossa história. Não temer destampar antigos curativos para que possam ventilar; arriscar cair um pouco para então se levantar; ousar desatar antigos nós para enfim continuar. Olhar para trás e encarar o que doeu, o que feriu, o que machucou não é simples e não acontece da noite para o dia. Muitas vezes passam-se anos até que possamos ter coragem de rever a dor, para que ela não nos defina mais. Permanecer na zona de conforto nos protege, mas não nos ensina a transformar os cacos de vidro em novos vitrais. Às vezes temos que dar um tempo nas linhas retas onde escrevemos nosso presente para rever as linhas tortas que deixamos para trás. Quem sabe assim a gente consiga acertar aquelas pautas também, nem sempre usando a borracha, mas entendendo e perdoando o contorno daquilo que de alguma forma saiu dos eixos. Só assim permanecemos livres e prontos para o que vem pela frente. Eu acredito que, na maior parte do tempo, somos as experiências que vivemos, as pessoas que amamos, as saudades que deixamos, as escolhas que fizemos. Por isso, tudo precisa estar em equilíbrio; qualquer linha solta, mesmo que no início de tudo, pode modificar o desenho final. Muitas vezes preferimos não saber, não lidar com isso, não cutucar o vespeiro. Mas ele está ali. Mesmo que a gente não olhe pra ele, ele continua à espreita. Então é preciso coragem e disposição para sair da zona de conforto. Para ousar retroceder e só então alcançar o cume da montanha…






FABÍOLA SIMÕES