sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Quando o casulo começou a desmoronar, parecia o fim do mundo! ___________________ (Andrade de Moraes)-

Não pretendo me enganar. Cada fio que a vida tece é necessário para formar a trama completa sabe? E sempre, todo desafio, por mais drama que possa trazer nas entrelinhas do destino, vem como um degrau maior e mais trabalhoso a ser subido. E me dou a chance o tempo todo: a chance de tremer, de desabar, de desesperar, a chance de me reerguer, de renovar o olhar e encher os sonhos de ar fresco. É porque certas miudezas se agigantam dentro da gente quando nos vemos encurralados. E é porque nada tem tanta força assim a ponto de derrubar todas as estruturas ao mesmo tempo. Certas coisas balançam, outras caem, e formam escombros por debaixo da alma. Mas em todo amontoado de poeira também existem brechas, é só olhar com calma. Observo-me, em silêncio, deixando um eco na mente e sentindo o resto do corpo todo dormente. Preciso de certas sutilezas e uma dose de solidão para mastigar o contexto. E ao caminhar na corda bamba e buscar o equilíbrio, movimento-me numa argumentação constante de tudo que absorvo. Assim, estou ciente de cada parte de dentro que arde e que dorme nesse processo. Não pretendo me subtrair ainda que todo abalo dos contornos dos sonhos meus sejam sentidos. Não costumo entregar os pontos tão fácil assim, pois algo dentro de mim me engole vida e vontade e cor e energia e inquietação. Todo pranto de agora é presságio de um novo inicio e não necessariamente um fim. E respiro para agradecer sempre que vejo que nada que é ruim se sustenta muito tempo no meu coração, pois dentro das dificuldades também existe um bocado de poesia disfarçada. Ainda me surpreendo com nossa capacidade de regeneração, como podemos prosseguir mesmos quando inspirações são amputadas adiando certos sonhos e jogando amanhãs pra frente. E o bonito da vida é sempre isso, se permitir casulo e entrar na toca sempre que preciso, para conseguir enfileirar os pensamentos e destacar as prioridades que nos causam vibrações interiores. E, perante a todos e tantos temores, que a gente ainda possa ter a simplicidade de ser riso, e respeitar-se a ponto de deixar doer até o limite máximo, esvaziar o copo da essência para conseguir acordar sentindo o dia novo, de novo. É sentir-me disposta a receber abraços disfarçados de notícias boas, ainda que a tempestade esteja formada no ar. É deixar entrar certas sensações indispensáveis para tornar-me forte, que vai da falta de habilidade em reagir até a grande probabilidade de amanhecer com um gosto de novos rumos à frente. E remo forte em direção a favor do tempo aberto, pois o incerto de hoje, também é caminho de amanhã.

Lilian Vereza





Lilian Vereza