sexta-feira, 21 de julho de 2017

Às vezes o amor só existe na ponta da caneta. No texto incompleto. No poema feito às pressas. Na música que toca repetidamente. Às vezes o amor é apenas lembrança. Às vezes, saudade. _______________________ Ita Portugal

A soma do que somos. Do verbo, da carne, do gozo, do ápice, do caos, do ombro, do assombro, do coice, do palavrão, da cara feia, do ócio, do gosto, desgosto, do destino, da palmada, das quedas, da revanche, da teimosia, da arrelia, da euforia, da noite, do dia, da dor, da ânsia, do tédio, do buraco que fede, da palma da mão ao centro do coração, da palavra ao grito, da chuva e do sol, da harmonia a agonia, dos sonhos imaginários, da plenitude à necessidade, dos trajetos errados aos labirintos das palavras que nos engole, contando a história de todos os nossos casos e acasos. Das tentativas ao amor. 





Ita Portugal

terça-feira, 18 de julho de 2017

A vida não espera a gente ficar pronto para nada, parece que ela nunca tem tempo, o nosso tempo. Tudo é imprevisível, nada é seguro, e a todo instante nos deparamos com o que não queríamos, não gostaríamos, jamais esperávamos. ________________________ Marcel Camargo

O amor disse o seu nome e você não escutou. O amor sentou ao lado e você se distraiu. O amor insistiu e você o ignorou. O amor decorou seu rosto mas você o esqueceu. O amor lhe sussurrou e você nada ouviu. O amor já foi mais simples e você o complicou. O amor que era óbvio, você crê: nunca existiu. A dor disse o seu nome e você de prontidão. A tristeza se sentou e você deu atenção. A saudade se insistiu e você a agarrou. A solidão decorou sua casa e você não reclamou. A vida já foi mais simples e você a complicou. Aquilo que era óbvio você diz que nunca viu. Qual seria o erro, então?


Guilherme Antunes



sexta-feira, 14 de julho de 2017

Dentro de cada mulher, convivem todas as tempestades e todas as calmarias, e consagra-se, assim, a plenitude do mistério. __________________________ Fernando Coelho

Tem dias que o peito aperta. A alma parece grande demais para um corpo que não é capaz de contê-la. Os olhos ardem porque a vida vem e nos confronta com novas perguntas, para as quais não temos nenhuma resposta. Tem dia que viver dói um bocado. Os desafios parecem maiores que nossas pernas dão conta de seguir, mais pesados que nossos braços dão conta de segurar. Tem dia que parece que nunca mais vai acabar. Parece que estamos vivendo um ano inteiro em vinte e quatro horas. Parece que acabamos inscritos por acidente numa gincana diabólica qualquer no melhor estilo “Hunger Games”. Tem dia que é teste de paciência. Maratona no deserto. Frio sem fogo nem cobertor. Dias difíceis! Quem é que não tem? Alguns deles, inclusive, parecem vir encadeados numa sequência aparentemente infinita de desafios à nossa resiliência e persistência. Alguns deles vêm cheios de experiências de perda, frustração e dor.No entanto, esses dias, assim como aqueles outros raros opostos em que o mundo parece estar cem por cento do nosso lado, esses dias também acabam. A dor é temporária, é circunstancial, e muitas vezes, necessária. A dor é a linguagem do corpo, físico e psíquico, que nos alerta sobre o perigo, que nos avisa sobre algo que não deveria estar nesse lugar. Bendita dor que nos tira o chão. Porque a partir dela, levamos uma chacoalhada da vida e entramos outra vez em sintonia com o movimento do universo. Agradeçamos cada uma das nossas dores. Mestras do aprendizado na nossa jornada aqui na Terra. Que a dor cumpra o seu papel e que sejamos capazes de ouvir, refletir, aprender a lição e persistir. Porque a dor é passageira. Mas desistir é para sempre!


Ana Macarini

terça-feira, 11 de julho de 2017

Perdi a coerência, o jogo,o rebolado. Contei lorotas fascinantes. Investi em aventuras patéticas, brindei sem esperar o resultado. Apressada, fiz rima para amores incompletos. Faminta, engoli todas as promessas sem pensar no mal-estar do dia seguinte. Enfrentei as partidas sem nenhuma valentia e no último instante entendi que nem sempre o amor desce na nossa estação. __________________________ Ita Portugal

Ainda a pouco desaguei solidão em palavras. Perguntei porque continuo por anos a fio entre tentativas e uma distância expressiva do ideal e a realidade. Nesse instante reflito sobre todas as verdades que não enxerguei e a dificuldade que foi desencadeada pelos secretos que não consegui desvendar. É excepcionalmente difícil conservar conceitos otimistas e sem nenhum sofrimento quando prenunciamos um dia seguinte, nublado. Há trabalho ainda para ser feito e desabrochar é um deles, porém mesmo doendo, abrir as pétalas é um exercício poético e se não vivemos para ver esse rápido espetáculo, que vivamos pela possibilidade de seguir em frente. Vai ver, o universo comemora. Sempre esqueço que existe essa alternativa




Ita Portugal

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Me pergunto e quisera saber de que se trata essa nostalgia de invernos… Dizem que inernos são crises… Quiçá não porque não há outros tons, mas é no inverno onde se forma o silêncio para ouvir as folhas… (Adilson Shiva)

Julho/2017
A vida, filho, é demasiadamente grande e temos por isto, medo. Assim nos prendemos às idéias e números, como necessidade para algum sossego e de garantir a perfeição: quanto se deve ganhar para que não falte, quanto se deve sobrar para bem viver, qual a distância para chegarmos, qual a idade para sonharmos, quanto de cansaço para partirmos, quanto nos falta para amarmos? Assim nos garantimos sem garantirmos coisa alguma, com esta bobagem de quererermos maquinar o mundo como uma disciplina de rigor. O rigor, meu filho, embora seja jeito de controle dos medos é um conceito muito estúpido para o espírito.


Guilherme Antunes

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Parafraseando Pablo Neruda: Se sou amada, quanto mais amada, mais correspondo ao amor!

Arquivo Pessoal
Nem todo mundo que eu carrego no peito tem noção certa do quanto eu os vivo. A minha saudade é forte, é viva, é cheia de mim com quem eu amo. Eu me embaraço nos braços dos que só de existirem me fazem feliz! Sou desse jeito mesmo, carente? Não sei se é essa a definição, mas é que eu sou afeto, sou todo gesto de Amor e carinho. Sou de fazer cartas, sou de chorar a falta de alguém e quase morrer de felicidade com um abraço apertado! Sou de fazer "caras", de disputar atenção, sou cheia de dengos e dominada pelo meu coração!!!

Joany Talon