Julho/2017 |
A vida, filho, é demasiadamente grande e temos por isto, medo. Assim nos prendemos às idéias e números, como necessidade para algum sossego e de garantir a perfeição: quanto se deve ganhar para que não falte, quanto se deve sobrar para bem viver, qual a distância para chegarmos, qual a idade para sonharmos, quanto de cansaço para partirmos, quanto nos falta para amarmos? Assim nos garantimos sem garantirmos coisa alguma, com esta bobagem de quererermos maquinar o mundo como uma disciplina de rigor. O rigor, meu filho, embora seja jeito de controle dos medos é um conceito muito estúpido para o espírito.
Guilherme Antunes
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