domingo, 15 de novembro de 2015

Ela é a inconstância. _____________________ Invernus, 1994.

Me usa, me deduza, me traduza, 
me confunda.
 Me conheça, me reconheça, 
não me dispensa. 
Vem, não vai, fica vai.
 Espera, ouve, te amo, pra sempre.

— Caio Augusto Leite
Já abracei, com tamanha vontade, que mais parecia um beijo. Já tive beijos, onde lhes faltou o aperto, como de um abraço. Já soprei vidas inteiras, nesta vida, em verdades ditas de coração. Já caminhei sem saber por onde ia, e não me perdi. Já fiquei perdido, por saber para onde queria ir, e acabei deitada no chão. Já fui imensas vezes dormir, para poder sonhar. Já vivi os melhores sonhos acordada. Já chorei lágrimas que não saíram. Já soltei sorrisos, do meio do nada, apenas por me lembrar de alguém. Já tive tantas incertezas na vida, que na única certeza absoluta que me apareceu, quase nem acreditava nela.  Já tornei bastante infelizes, pessoas que me amaram. Já acreditei tanto no amor, que deixei de ouvir a razão, e não me arrependo do que fiz. Já magoei por seguir o coração, mas apenas me arrepende, o que não fiz. Já fiquei quando deveria ter ido. Já corri quando realmente deveria ter ficado. Já levitei de felicidade como se tivesse nascido. Já morri tantas vezes de tristeza, melancolia e solidão. Já virei páginas que nem sequer li. Já permaneci meses, num único parágrafo. Já me olhei orgulhosa num reflexo do que via. Já me detestei, ao ponto de ser a ultima pessoa do mundo, a quem queria ver à minha frente. Já disse o que queria, e com isso, ouvi o que não quis. Já quis tanto dizer algo, que o melhor que consegui foi um silêncio. Já tive muitos amigos, que depois me mostraram serem desconhecidos. Hoje sobram apenas dedos das mãos, que nada têm que me mostrar, - Conhecem.me! Já perdi sonhos por se diluírem nas duras realidades. Já ganhei realidades que ultrapassaram os melhores sonhos, e nem sequer tinham sido sonhadas. Se me conheces, - Julga.me!, se não me conheces, - Ajuíza.me!, de preferência à primeira, e não esperes outra impressão para o fazer. - É que eu sou assim todos os dias, um iniciado absoluto, a viver...


| Luís Santos |- Adaptado