sábado, 7 de novembro de 2015

“É bonito, não? Duas pessoas se sentirem, se saberem, se precisarem, se amarem, os dois na mesma intensidade…” _____________________ — Shami.

Os afectos. São eles o colo que tanto,
sentidamente damos,
como profundamente precisamos.

Luiz Santos
Ambos estão certos de que uma paixão súbita os uniu. É bela essa certeza, mas é ainda mais bela a incerteza. Acham que por não terem se encontrado antes nunca havia se passado nada entre eles. Mas e as ruas, escadas, corredores nos quais há muito talvez se tenham cruzado? Queria lhes perguntar, se não se lembram - numa porta giratória talvez - algum dia face a face? Um “desculpe” em meio à multidão? Uma voz que diz “é engano” ao telefone? - mas conheço a resposta. Não, não se lembram. Muito os espantaria saber que já faz tempo o acaso brincava com eles. Ainda não de todo preparado para se transformar no seu destino juntava-os e os separava, barrava-lhes o caminho e abafando o riso sumia de cena. Houve marcas, sinais, que importa se ilegíveis. Quem sabe três anos atrás ou terça-feira passada uma certa folhinha voou de um ombro ao outro? Algo foi perdido e recolhido. Quem sabe se não foi uma bola nos arbustos da infância? Houve maçanetas e campainhas, onde a seu tempo, um toque se sobrepunha ao outro. As malas lado a lado no bagageiro. Quem sabe numa noite o mesmo sonho que logo ao despertar se esvaneceu. Porque afinal cada começo é só continuação e o livro dos eventos está sempre aberto no meio.