sexta-feira, 8 de abril de 2022

Se você tivesse chegado antes, eu não teria notado. Se demorasse um pouco mais, eu não teria esperado. __________________________ Verônica Heiss

(...) Não vou ficar falando sobre a complexidade dos meus pensamentos, minha dualidade ou minhas dúvidas sobre qualquer sentimento do mundo. Vou te deixar com a melhor parte, porque eu sei que você merece. Guardo pra mim as crises de identidade e a vontade de sumir. Não vou dissertar sobre minhas fragilidades e minhas inseguranças. Talvez eu te diga algumas vezes sobre minha tristeza, mas só pra ganhar um pouquinho mais de carinho. Ofereço meu bom humor e minha paciência e você deve saber que esta não é uma oferta muito comum. (...)Você não precisa saber que eu choro porque me sinto pequena num mundo gigante. Nem que eu faço coisas estúpidas quando estou carente. Você nunca vai saber da minha mania de me expor em palavras, que eu escrevo o tempo todo, em qualquer lugar. Muito menos que eu estou escrevendo sobre você neste exato momento. E não pense que é falta de consideração eu dividir tanto de mim com tanta gente e excluir você dessa minha segunda vida, porque há duas maneiras de saber o que eu não digo sobre mim: lendo nas entrelinhas dos meus textos e olhando nos meus olhos. E a segunda opção ninguém mais tem. 
Verônica Heiss

segunda-feira, 4 de abril de 2022

(...) Não há místicas, tampouco mistérios. Se não treme a carne do peito, não estremece o cerne da pele. _________________________________ Nara Fernandes

 

fev 2022
Eu não deveria, mas eu quero me apaixonar por você. A gente sabe que seria muito mais fácil fingir que nada disso aconteceu, que a gente não existiu. A gente sabe também que eu sou uma aquariana teimosa que dificilmente vai pelo caminho mais fácil e, como diria o Chorão, ‘mas você me conhece e eu faço tudo errado’… E nessas horas eu percebo que o nosso jeito errado é o certo. Você tentando manter tudo no lugar assim, esquece que a melhor parte da festa é arrastar os móveis pro canto da sala e dançar sem se preocupar se tem alguém olhando. Desculpa, mas eu vim pra bagunçar mesmo. Tua casa estava muito arrumadinha pro meu gosto. Manda a conta do vaso que quebrou que eu faço teu reembolso. Tu achou mesmo que eu acreditei em uma palavra daquela conversa fiada de ‘vamos ser só amigos’ ? Eu aceito ser tua amiga, tua confidente mas sem condicionais. Sem essa de ‘só’. Eu quero transbordar em você e ser tudo o que a gente quiser ser. Me chama do que voce quiser. De amiga, amante, namorada, ficante, me chama de ‘sua’, porque é assim que eu me sinto hoje. Toda sua. E eu tô vendo o desejo no teu olhar de ser todo meu também. Descruza esses dedos que você tá escondendo nas costas e desfaz essas promessas vazias. Todo mundo sabe que você é um péssimo mentiroso. Agora vem aqui e cruza tua vida com a minha. A tua agenda com a minha. As tuas pernas nas minhas…Eu escolhi me apaixonar por você, menino, e das promessas possíveis, só prometo que amanhã você vai receber o meu bom dia e um beijo outra vez. E depois de amanhã também. E depois. E depois…


Diego Henrique- Adptado

segunda-feira, 28 de março de 2022

Quem não tem a delicadeza, também não pode falar de amor..... Ita portugal

 

março 2022 A gente ainda pode entender as perguntas, os sinais, a direção, a canção, o poema, o coração. A gente ainda deve escancarar a liberdade, dizer o que sente, retirar os clichês, enfrentar o medo e tomar a segunda dose de afeto. A gente ainda pode viver. Ita Portugal


sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

Os escritores ruins estão todos vestidos, pobrezinhos. Estão de fraque, cartola, traje de festa, joias de vidro. Já os bons escritores, sem se darem conta disso, sem se vagloriarem de sua coragem, estão sempre nus.


Não quero um amor exibido, de tela grande, explicando cada pedaço de uma trajetória coerente pra milhares de pessoas que nada tem a ver com a gente. Quero um amor minimalista, que acontece na sala, na padaria, no quarto, nas primeiras mensagens e, de repente, você apareceu aqui, nasceu na minha cama como se nunca tivesse nascido em outro lugar antes, como se a história já começasse do meio e a gente já começasse se amando. Não quero um amor que dure só 90 minutos nem quero créditos finais rápidos. Quero um amor que se desenvolva no ritmo de uma trilha sonora escolhida a mãos inquietas que passeiam por coxas, que abrem zíperes, que fazem estrago em cachos, que segurem com força pra não deixar vendaval nenhum levar a gente pra longe. Não quero um amor que exija traje ou perfume. Quero um amor cru, com cheiro de pele e bastante suor, com saliva pelo corpo todo pra eu me sentir mais gente. Quero unhas e carne, entranhas expostas, nada de gemido abafado. Quero que você fale o que vier à mente e o que quiser esconder de mim, tudo bem, eu respeito os teus segredos. Um dia você se conforta e se abre, me abre, conta comigo e conta pra mim. Que amor tem disso de esconde-esconde até não conseguir esconder mais nada. Não quero um amor com fim definido. Por que é que a gente não pode deixar o fim pra lá e continua uma história com 365 ou quantos dias quiser? Quero que seja, quero que esteja, quero um amor pra dormir do teu lado e bocejar, desgrenhar o cabelo, acordar com remela e beijar mesmo assim, toda aquela parte que o cinema não mostra. Quero você na tela pequena do quarto, nos bastidores do banheiro enquanto você faz a barba e te passo mais sabão só pra te atrasar mais um pouco. Quero tanto que nem ligo se a gente não for sucesso de crítica ou se não pegar o bonequinho de ouro no domingo. Eu só ligo pra você e desligo a TV quando quero desligar do mundo. Eu quero um amor como o nosso, que acontece mesmo sem encenação, sem bilheteria de sucesso, que passa em lugar nenhum a não ser dentro da gente. Eu quero.”

Eu também, Daniel, querido, eu também quero.


Stella Florence

quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

To vendo filme demais... Ai, como eu me iludo!"

 
"Existe mesmo o "tempo certo das coisas"? E se o certo ceder as pontas? E se o certo perder a linha? E se o certo for esse - exatamente esse - errado que não passa, que não para pra desesperar a tua ausência? E
se, no fundo, não existir tempo algum que se estabeleça, que dia a gente inventa? Até quando o peito aguenta? Quem vai abrir mais um dia dentro da minha esperança? E se a espera perder a paciência? E se a ciência perder a cabeça, a gente se entrega? A gente se encontra? A gente se ama?"

-Priscila Rôde-

domingo, 28 de novembro de 2021

Dias de fome, cafuné de um amor. Encolho, pássaro mudo. Voar é silêncio de gozos. Meu vento tem cheiro de um bilhete. Afinidade com Deus não é tão simples. O sagrado exige. ___________________________ Dan Cezar

Out/2021


Ele não sabe mais nada sobre mim. Não sabe que o aperto no meu peito diminuiu, que meu cabelo cresceu, que os meus olhos estão menos melancólicos, mas que tenho estado quieta, calada, concentrada numa vida prática e sem aquela necessidade toda de ser amada.

Ele não sabe quantos livros pude ler em algumas semanas. Não sabe quais são meus novos assuntos nem os filmes favoritos. Ele não sabe que a cada dia eu penso menos nele, mas que conservo alguma curiosidade em saber se o seu coração está mais tranquilo, se seu cabelo mudou, se o seu olhar continua inquieto.
Ele nem imagina quanta coisa pude planejar durante esses dias todos e como me isolei pra tentar organizar todos os meus projetos. Ele não sabe quantos amigos desapareceram desde que me desvencilhei da minha vida social intensa. Que tenho sentido mais sono e ainda assim, dormido pouco. Que tenho escrito mais no meu caderno de sonhos. Que aqui faz tanto frio, ele não sabe por mim.
Ele não sabe que eu nunca mais me atentei pra saudade. Que simplesmente deixei de pensar em tudo que me parecia instável. Que aprendi a não sobrecarregar meu coração, este órgão tão nobre. Ele não sabe que eu entendi que se eu resolver a minha dor, ainda assim, poderei criar através da dor alheia sem precisar sofrer junto pra conceber um poema de cura.
Hoje foi um dia em que percebi quanta coisa em mim mudou e ele não sabe sobre nada disso. Ele não sabe que tenho estado tão só sem a devastadora sensação de solidão. Ele não sabe que desde que não compartilhamos mais nada sobre nós, eu tive que me tornar minha melhor companhia: ele nem imagina que foi ele quem me ensinou esta alegria.


Marla de Queiroz



Livro QUANDO AS PALAVRAS SE ABRAÇAM.