Segura minha mão, me abraça, Recita poemas, diz frases soltas, me convence que nós ainda podemos ser. Fala baixinho no meu ouvido, se debruça no meu ombro, me rima, soma. Me faz querer ficar, me traz pra perto, me faz querer dizer, e diz. Brinca, deixa a alma se expor, o coração transpor, verso teu e meu numa linha tênue. Código nosso. Sintonia nossa. Incensos e orações tão nossos. Pula, anula, segura no meu laço, decifra, antecede. Planta lírios, açucenas, floresce em mim mais uma vez. Abandona o passado, escreve, desacelera, volta pra casa, desperta meu riso repentino, me traz 'todas aquelas coisas boas'. Traz também a leveza das tuas mãos, do teu corpo, estampa sorrisos pela casa, amanhece em mim. Perfuma com teu cheiro as ausências que se acumularam. Descompassa minhas certezas tortas.
terça-feira, 5 de maio de 2020
domingo, 3 de maio de 2020
Amei esse passo estranho que abraço, na prece que envolta comigo permanece. Calcei meus sapatos, andei com as estrelas, defendi a imagem sonhada, olvidada e-vivi. (Eloah)
Talvez exista um lugar que negamos haver em nós justamente porque nos pede atenção; e que mais ignoramos quanto mais nos convoca. Um lugar a guardar nossos vazios. Um cativeiro para as nossas rejeições. Um cárcere para todos os medos. Um espaço invisível a desabitar-nos por inteiro desocultado apenas pela inconsciência. A consciência pouco sabe e pouco desconfia. Acredita no que vê. Magoa-se com a palavra. Apaga se ameaçada. Sujeita às interrupções. A inconsciência é o palco em que a vida se ouve mesmo calada. Sabe da lágrima, da culpa, dos nós. Aguarda-nos no sonho, na palavra, no erro. Espera-nos do lado avesso da liberdade. Uma liberdade que preservamos às custas deste lugar que negamos haver em nós e que nos convoca. A liberdade que somente acreditamos. Aquela que não é. Aquela onde nunca estamos.
Guilherme Gonçalves
terça-feira, 28 de abril de 2020
Entendi também que o horizonte tinha de estar dentro de mim, e não fora. E é para lá que eu olho quando tudo fica muito duro ou difícil. [Eliane Brum]
"A saudade é tão caleidoscópica que não tem tradução substantiva em nenhuma outra língua praticada neste planeta. A saudade é nossa e ninguém tira. É um sentimento tão bipolar que serve tanto para doer mais que topar o dedão, quanto para deixar em banho-maria um amor que se materializou em beijos molhados, cheiros no nariz e confrontos espreguiçados de olhos ainda ontem à noitinha. Em São Paulo capital ou em Codó do Maranhão, todo país já sentiu o lado bom de lembrar uma pessoa ausentada por tempo contado no relógio."
- Adorável Saudade por Gabito Nunes
sexta-feira, 17 de abril de 2020
"Sábio aquele que corresponde ao seu outono... Provavelmente nutrirá seu tronco do alimento certo; evitará apodrecido da raiz e assim, permitirá primavera nos galhos de si, no tempo de eclosão. Primeiro se despe das folhas que, fortalecidas e viçosas passarão pelo teste do casulo e vivazes retornarão outrora, em pencas floridas." _________________ Simone Resende 🌿🍃🍂
Que Deus amadureça meu coração para enfrentar as durezas do mundo. Pois chegam, muitas vezes, em alta voltagem e o tempo é curto para tanta carga. Que Ele permita minha compreensão para as dores que são inevitáveis, para os males que me desejam e principalmente, me prepare para e nos desertos que forem necessários atravessar. Que o barulho dos outros não atrapalhe o meu silêncio de paz. Tenho muita bagunça ainda, aqui dentro, mas, eu não despejo em ninguém. Sou dona dos meus erros e Deus tem me feito mais acerto, quando tirei os olhos dos medos e permiti a Sua vontade acontecer sutilmente. Que eu entenda claramente o que os céus têm transmitido para mim; na dor, no amor, no vento, na brisa, na verdade que eu carrego nas palavras, nos olhos, nos sonhos, no jeito de dividir minha essência, na forma de dizer que amo..."
Simone Resende
domingo, 12 de abril de 2020
"Agindo Eu, quem impedirá?” ________Isaías 43:13 _____
Vivenciamos mais uma Páscoa que nos conduziu para o grande acontecimento da ressurreição de Cristo, num convite para a reflexão sobre o mistério de um Pai que compadecido, ouvindo gemidos dá humanidade, oferece seu único filho para a redenção. Plano arrojado brotando de um coração que é tido misericórdia. Jesus que vivia em Nazaré partilhando dons com os jovens de sua época sabia o que a escritura anunciava pela boca de profetas. No tempo marcado, parte para junto do povo. Percorre vilas, lugarejos, cidade, mistura-se com as autoridades judaicas e romanas e compreende o alcance de sua missão: levar todos ao Pai. Seu jeito simples de viver, seu modo diferente de falar, sua firmeza no agir, tudo isso, foi contagiando uns e outros. Por onde andava, ele chamava parceiros dispostos a deixar tudo para segui-lo. Jesus ensinava nas sinagogas, acolhia os que o buscavam e distribuía curas, alívio nas dores, enxugada os prantos. Grandes multidões se acotovelavam para ouvi-lo, beber de sua palavra, a orientação para tantos desencontros. Leprosos eram curados, cegos enxergavam, paralíticos andavam. Ele passava fazendo o bem. A pedagogia divina do homem de Nazaré despertava a inveja daqueles que sabiam todas as leis, mas colocavam fardos pesados nos ombros dos outros. Ele quebrava todos os ritos, respondendo com pequenas lições as censuras dos que o olhavam, procurando nele alguma culpa. Comer com os pescadores, permitir que aquela mulher lavasse seus pés e os enxugasse com seus cabelos, constituíam atitudes em desacordo com os princípios dos sacerdotes, dos anciãos, dos guardadores do Templo.Este homem deve morrer, pois subleva o povo, provoca insurreição, não atende as ordens de Roma. Nos bastidores do poder, uma forte organização montou esquema de perseguição e o dinheiro foi um dos caminhos para se chegar ao fim desejado. Judas, discípulo descomprometido com o Mestre, foi um instrumento útil de transação criminosa. Entregou aquele que o recebeu em sua companhia. O Jardim das Oliveiras foi o cenário da luta, da entrega total: “Pai, se possível afasta de mim este cálice, mas faça-se a tua vontade”. Jesus condenado, injuriado, maltratado, vestiu o manto do escárnio, aceitou a coroa de zombaria, sofreu duros golpes e fez o caminho da cruz.
Maria, a mãe dolorosa, ia com ele. Jesus morreu, a terra estremeceu, as trevas cobriram o céu. Pregado na cruz, já sem forças, ainda prometeu ao bom ladrão um lugar no paraíso. Vitória para os que não quiseram a salvação. Tudo acabado, túmulo fechado, guardas de prontidão.Mas um pai não deixa os filhos órfãos, não abandona o projeto de amor e Jesus Cristo rompeu as cadeias do mal, anulou todas as sentenças perversas e empunhando a bandeira da paz deixou caídos os lençóis e ressuscitou! Reina vivo, juntou-se aos seus. Maria e os apóstolos, mergulhados em profunda oração, foram revigorados pela saudação que ainda hoje, nos alcança em todas as horas: “A paz esteja com vocês”.
João Aparecido da Luz
Advogado, escritor
segunda-feira, 30 de março de 2020
Quando você vem, é em mim que moras. Não temo partida alguma. _____________ Erica de Paula
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| fev/2020 |
E se não tivéssemos rompido? E se feridos, tivéssemos insistido? E se tivéssemos mudado de par? De lugar? E se, aquele AP fosse nosso? E se, fossemos com nossas malas para SP? E se, você tivesse me interrompido e beijado? E se, minha síndrome de Linda Mulher tivesse ganhado? E se, a limousine fosse um barco? E se, a lágrima fosse o mar? Se você pudesse ficar às quartas-feiras? E se, de branco, naquele parque, fotografássemos abraço, contato, corpo? E se, viajássemos interior, exterior, Paris? E se ao invés de Naldo, Nanna Caymmi? E se ao invés de jeans, vestido? E se ao invés de “Alô”, “Eu te amo”? E se ao invés de “Eu te amo”, “A Pegada Forte?” E se não tivesse mar, você me daria um? E se eu não fosse adulta, absoluta? E se eu só fosse você? E se tivéssemos a chance? E se eu tivesse um bebê? E se o jardim fosse meu? E se os meus olhos não fossem seus? E se você acostumado a ganhar, perdesse? E se, ao invés de volume, silêncio? E se entre nós, sem segredos? E se, ao invés de paredes, céu pra morar? E se eu não te deixasse partir, se eu te prendesse aqui, no meu peito? E se a idade, ao invés de números, corações? E se ao invés de fogueira, lareira? E se renunciássemos ao incêndio? E se nos construíssemos dia a dia? E se ao invés de vermelho, of White? E se tivéssemos a chance? E se ao invés de reincidentes, iniciantes? E se começássemos tudo de novo? E se ao invés de moderno, retrô? E se ao invés de pandeiros, violinos? E se ao invés de cerejas, pizza? E se o pra sempre fosse ali, na esquina? E se o sol acendesse às cinco da manhã? E se ao invés de telefonema, teus olhos? E se tivéssemos a chance?
segunda-feira, 23 de março de 2020
Algumas dores são passíveis de cura. _________________ William Shakespeare
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| fev /2020 |
E as pessoas ficaram em casa, e leram livros, e ouviram música, e descansaram e fizeram exercícios, e fizeram arte, e jogaram, e aprenderam novas maneiras de ser, e pararam, e ouviram mais fundo, alguém meditou, alguém rezava, alguém dançava, alguém conheceu sua própria sombra, e as pessoas começaram a pensar de forma diferente, e as pessoas curaram, e na ausência da gente que vivia de maneiras ignorantes, perigosas, sem sentido, e sem coração, até a Terra começou a curar, e quando o perigo acabou, e as pessoas se reencontraram, elas ficaram tristes pelos mortos, e fizeram novas escolhas, e sonharam com novas visões, e criaram maneiras diferentes de viver, e curaram completamente a Terra, assim como elas estavam curadas!
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