sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

"Encantamento é vento que sopra a favor, e de uma forma que ninguém explica, lhe faz ser tolerante; paciente com as demoras e desencontros; amante da exceção. Por ele você abre mão de suas rotinas e esquece regras tão perfeitas." ____________________ Fabíola Simões, "A soma de todos os afetos"

Num dia azul de verão
Sinto o vento
Há folhas no meu coração
É o tempo
...
Nana Caymmi.
Eu e você temos algo que nos prende um ao outro. Somos pouco mais que um só e pouco menos que dois. Somos nós. E não falo da primeira pessoa do plural. Falo em nó, em enlace, em ligação. E o pior é que não somos nós de nós mesmos. Nos prendemos a outras histórias, outras redes infinitamente enroladas. E cada um dos nossos nós aporta num lugar diferente. Cada um deles conta uma história que alguém não conhece. Uma história que só pertence a mim ou a você. Meu bem, eu venho pensando em nossos nós. Em como cada um deles me parece uma ameaça quando quero apertar o nosso laço. Minha história também não é vento de domingo, sempre foi uma grande tempestade de segunda-feira. Vai ver por isso tantos nós que me atracavam a portos seguros por ondas sem sentido nem direção. Entretanto, eu nunca fui boa marinheira. Nunca soube dar bons nós. E daí me aparece você. Assim, desse jeito. Já havia te visto num porto próximo, sempre à espera de alguém que acertasse o compasso e o ritmo do nó que te prenderia ao outro lado do oceano. Algumas viajaram contigo, fizeram jantares com direito a violinos nas tuas cabines. Mas nenhuma delas conseguiu te distrair com a lua cheia do convés, e você sempre percebia quão longa a viagem seria. E você sempre sentia afrouxar a tua companhia. Daí você voltava para o cais. Nunca triste e resignado, mas com um sorriso esperançoso tão lindo que encantava toda e qualquer passante por ali. O problema é que acertar o teu nó era questão de sorte. De jeito. De destino. E agora eu me vejo nessa situação. Eu te vejo, simples e forte perto de mim. E todos os teus outros nós me ameaçam, por mais soltos ou rápidos. Pouco me importa. Eu realmente não vejo mais meus outros nós, não vejo mais a minha velha história. Não é só a vontade de apertar esse laço, de te trazer pra mais perto, de te abraçar até perder todo o meu ar. É vontade de te levar pro outro lado do oceano. É vontade de te levar pela viagem inteira e te mostrar como cada fase da lua pode ser maravilhosamente bela. Não é vaidade. Não é necessidade de me firmar num porto. Pelo contrário. Quero apertar nosso nó para te deixar sempre em movimento. Pra te fazer mais forte e mais simples. Pra te deixar levantar as velas e apontar a direção que você quer seguir. Eu só quero que você me leve junto. E prometo que, como boa marinheira que me tornei contigo, consigo transformar o nosso nó em nós.


Daniel Bovolento- Adaptado



quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

"amores maduros são recheados de trocas significativas, de cumplicidade e uma harmonia que sabemos dessas inconstâncias que somos nós, um com o outro e consigo mesmos." ______________________________ Jonas Sakamoto

" Procuro uma vida que se possibilite conhecer,
 e se permita – novamente – desvendar."
" (...)Procuro um amor concreto, para ser o meu predileto. Procuro um amor maduro, que afaste o meu medo do escuro. Procuro um amor ligeiro, que seja tudo – menos passageiro. Procuro um amor pelado, que use o calor do corpo – ao invés das roupas – quando o clima estiver gelado. Procuro um amor que embriague, tonteie e me coloque no chão; mas que depois me levante depressa – estendendo imediatamente a mão. Procuro um amor esperto, que se permita desaparecer, mas que saiba retornar e querer estar perto. Procuro um amor imperfeito, em cada uma das tuas limitações, e procuro amar diariamente – cada uma das tuas mais sinceras imperfeições.(...)

Fellipo Rocha

domingo, 18 de janeiro de 2015

Tenho pouquíssimas certezas na vida e uma delas é que o ser humano é movido a paixões. Por isso eu amo gente apaixonada. Aprendi que é muito melhor se relacionar com gente que conhece o combustível da própria vida.(...) ___________________________ Eduardo C.

Não te apaixones. Não te apaixones por uma mulher que lê, por uma mulher que tem sentimentos, por uma mulher que escreve...Não te apaixones por uma mulher culta, maga, delirante, louca. Não te apaixones por uma mulher que pensa, que sabe o que sabe e também sabe voar; uma mulher que confia em si mesma. Não te apaixones por uma mulher que ri ou chora, que sabe transformar a carne em espírito; e muito menos te apaixones por uma mulher que ama poesia (estas são as mais perigosas), ou que fica meia hora contemplando uma pintura e não é capaz de viver sem música. Não te apaixones por uma mulher que está interessada em política, que é rebelde e sente um enorme horror pelas injustiças. Não te apaixones por uma mulher que não gosta de assistir televisão. Nem de uma mulher que é bonita, mas, que não se importa com as características de seu rosto e de seu corpo. Não te apaixones por uma mulher intensa, brincalhona, lúcida e irreverente. Não queiras te apaixonar por uma mulher assim. Porque quando te apaixonares por uma mulher como esta, se ela vai ficar contigo ou não, se ela te ama ou não, de uma mulher assim, jamais conseguirás ficar livre...

Martha Rivera-Garrid


sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

"Ela não tem vírgulas. É mulher das intensidades e ponto". _______________________ Fábio Chap

"Ele acalma meu peito. 
Acaba com meu defeito de sentir solidão."

Poema na pele tua. Poema na pele nua. Tatuada porque intensa é. Grafado e gravado porque ousa ser cor e palavra. Na dor é excêntrica. Sente do centro pra fora. Da essência pro miúdo. No sorriso é fluída. É linda. Poema porque tua pele rima. Mas não é muda. Grita e muda a cada poema tatuado nela. Na pele tua. Poema na pele nua.


Fábio Chap

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Dar vida aos mortos é obra para infinitos deuses. Ressuscitar um vivo: um só amor cumpre o milagre. (Mia Couto)


"O amanhã é  incerto.
Ame hoje!"

Ita Portugal
Nina sempre foi dessas mulheres que dão murro em ponta de faca. Nunca tomou porre de vinho, nunca armou confusão, nunca feriu ninguém. Sempre quis concentrar-se no ser, no que podia dar de si pro mundo, para as pessoas que a rodeavam. Cresceu forte, de pedra, de aço, quase heroína, quase guerrilheira. Aprendeu a ver o mundo com olhos de águia. Por dentro, o coração de gelatina de morango, sempre doeu-se muito, mas calada. Trancou matrícula do curso de psicologia e decidiu viver por aí, dedicando sua sensibilidade e seu tempo aos outros. Às vezes, quando caia, se amontoava num canto, colocando a língua no céu da boca pra não chorar. Era do tipo que se esfolava toda pelos outros e tinha completa certeza que ninguém nesse mundo sofreria um arranhãozinho por ela. Sempre sozinha, mas com um milhão de soldados dentro dela. A batalha era árdua e sua única arma era o amor.


Ju Fuzetto (Trecho do livro: Nina sabe sorrir)

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Massacre em Paris: "Matar o mensageiro não cala uma ideia" _____________________ Leonardo Sakamoto


7-1-2015
‪#‎JeSuisCharlie‬
Quer calar uma interpretação do mundo?
Mate o responsável por torná-la pública, mate seu corpo, 
mate sua credibilidade.''
A receita é idiota.
Porque a gente se vai.
Mas as ideias ficam.

Léo Sakamoto

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

"Abra a janela e deixe novos ventos entrarem." __________ Osho

Tem gente que mais parece ser lugar.
Às vezes olho você de longe e falo baixinho:
- queria tanto morar lá ... 

Laura Méllo
Ô menina, sai dessa janela. Não vê que se um ano vai, outro sempre vem? Daí, eu te garanto!... vai ter um sol grande lá fora e você vai poder brincar de novo. E de novo... No novo.


Branna Lorenna























Volto logo!!