quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Pertencia àquela espécie de gente que mergulha nas coisas às vezes sem saber por quê, não sei se na esperança de decifrá-las ou se apenas pelo prazer de mergulhar… _______________________ Caio Fernando Abreu

Retorno as impressões primeiras do amor. Ao estado natural das coisas, do conhecimento intuitivo. Memórias amorosas nos seus registros iniciais, lá onde a razão não guia, onde o corpo é poesia e o sentimento soberano. A marca dos anos em que ainda não erigimos nossa lista de critérios defensivos e excludentes para amar o outro, diferente. Retorno naquele ponto exato onde o amor não era pensamento, nem se desdobrava em discurso. No instante primeiro em que lógica nenhuma era capaz de romper laços, afastar os distraídos ou convencer que o amor pode ficar para depois. Quero voltar por um momento naquele tempo em que o que guiava nossas escolhas amorosas tinha a leveza da incompreensão e a força do desejo que sempre sabe o caminho. Perder a visão e reencontrar a cegueira dos jovens demais, dos alucinados de amor inconsequente, da intensidade dos imaturos a ingenuidade dos românticos desavergonhados. Dos loucos de toda ordem que fazem do amor seu valor maior. Retorno agora num mergulho aos amores primeiros para reencontrar o que perdi. No ponto afinal que a maturidade começou a nos roubar a capacidade de amar. Do amor sem medos, ambições, desconfiança, jogos ou condições. Repasso o passo para resgatar o que nasci sabendo, do amor e seus encantos, o que faz dos encontros algo raro. Do brilho no olhar que nos enche de sentido. Volto para resgatar dos anos o que a maturidade me roubou. Do amor quero a grandeza da imaturidade.


✫ Andréa Beheregaray.