domingo, 24 de abril de 2016

Quem ama não espera o amanhã, pois sabe que há uma eternidade que o separa do agora...

A intensidade é parte de cada passo nosso. 
A insensatez eventual nos é 
necessária e característica.
E se não lhe tivermos um pouco de loucura, 
certamente não lhe temos 
sequer um pouco de amor.
Assistindo, recentemente, (e pela milésima vez), ao filme Diário de uma Paixão, me pego comovida com a linda história de amor que ele conta, mas, principalmente, tomada por um friozinho gostoso na barriga ao testemunhar a química, a vontade incontrolável que um tem do outro. Me pego querendo tudo isso. Quero sentir a beleza do que é recíproco. Ser capaz de espreguiçar minha alma, de aguçar meus sentidos e descobrir novas sensações enquanto mãos me contornam, sem pressa, como quem decora minha pele. Quero barulho de motor ecoando na minha janela de madrugada, anunciando a chegada daquele que não pôde esperar até amanhã para saciar a sede da presença. Quem ama não espera o amanhã, pois sabe que há uma eternidade que o separa do agora. Quero a leveza e o cuidado com os detalhes que permitem que as palavras vazem, sem tanta ponderação; que os silêncios abriguem magia e conforto; que o abraço seja remédio. Quero querer tanto a ponto de perder o eixo, de ser hipnotizada pelo sorriso, viciada no beijo; e saber que o outro carrega a mesma loucura, fazendo-me sentir desejada até os ossos, para que eu seja capaz de derramar, da forma mais pura, todo o afeto que cabe em mim. Acredito que o que me cativa na história dos personagens Allie e Noah não é especificamente a dificuldade, a oposição dos pais e a doença na velhice, mas a pureza de um sentimento que, independentemente das situações enfrentadas, fica estampado no corpo deles, me lembrando que – ainda que se trate de uma ficção -, ele existe, ele é real, e que, grata que sou por poder senti-lo, não me demorarei onde ele não é pleno e jamais deixarei de fantasiá-lo e persegui-lo.


Patricia Pinheiro

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Posso escrever os versos mais tristes esta noite...

Mesmo que seja a última
 esta dor que me causa

E estes versos os últimos que
 eu lhe tenha escrito.

Neruda
A noite está fria e tiritam, azuis, os astros à distância. Gira o vento da noite pelo céu e canta. Posso escrever os versos mais tristes esta noite. Eu o quis e por vezes ele também me quis (...). Ele me quis e as vezes eu também o queria. Como não ter amado seus grandes olhos fixos? Posso escrever os versos mais lindos esta noite. Pensar que não o tenho. Sentir que já o perdi. Ouvir a noite imensa mais profunda sem ele E cai o verso na alma como orvalho no trigo. Que importa se não pode o meu amor guardá-lo.  A noite está estrelada e ele não está comigo. Isso é tudo. A distância alguém canta. A distância a minha alma se exaspera por havê-lo perdido. Para tê-lo mais perto meu olhar o procura. Meu coração procura-o, ele não está comigo...(...)


Pablo Neruda- Adptado

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Marcela Temer deve ser o que ela quiser, desde que isso a faça feliz;da mesma forma que que sou feliz sendo dona de mim!


"As escolhas dos outros não nos pertencem.
 E viver as próprias escolhas é a genuína libertação.
Lutemos, pois, contra o que nos oprime,
não contra o que nos liberta."

(Flavia Brito)

segunda-feira, 18 de abril de 2016

"Há uma santidade nas lágrimas. Não são marca de fraqueza, mas de força. São mensageiras da dor incontrolável e de amor indescritível." ____________________ Washington Irving

Daqui, ando com um choro pouco religioso. Meu choro é calado, mora apertado no peito. Tem momentos que eu o sinto revirando-se desajeitado, procurando um lugar mais confortável para ficar. Porém não escorre. É choro acrobata, conhece a complexidade da vida, contorce-se, mas não fica onde deveria estar e não encontra o caminho do rio onde as lágrimas vão de encontro ao sol. Somos amigos antigos e ele se lembra de cada dia em que a vida o fez pulsar e aumentar seu volume. Ele é sensível, é poeta que rima dentro de mim. Às vezes luto para que ele se vá, encontre as portas do olhar que lhe abrirão horizontes, mas meu choro é confuso, teme o abismo da liberdade que a expressão do sentimento proporciona. Ah, choro carente, não percebe que sua gota é semente, que seu sal é força e que sua queda pode ser voo? Mas hei de me programar e guia de um choro perdido serei. E chorarei. Por três dias e três noites em tempestade e calmaria. Até que a pressão termine, até que o coração se acalme, até que a vida se lembre que ser sensível para fora também é uma opção. Um dia desses, ainda viro mar.

Josie Conti

sexta-feira, 15 de abril de 2016

O mundo é salvo por um olhar. Que envolve e afaga. Abarca. Resgata. Reconhece. Salva. ________________________ (Eliane Brum)


A força dos meus sonhos é tão forte, 
que de tudo renasce a exaltação. 
E nunca as minhas mãos ficam vazias."

Sophia de Mello Breyner Andresen
Nós dois nos entendemos dentro das nossas complexidades. Do lado de fora, ficaram só algumas verdades que teimamos em disfarçar pro peito. Nós dois, não nos deixamos pra depois, tudo nosso é agora, não tem idade. Mas irônico foi o que nos tocou tão forte sem permanecer.E fico aqui a contar os juros do tempo que caem em nossas costas, em nossos sonhos, nossas memórias,no nosso encontro. Essa dívida que se acumula e guarda suspiros longos que esvaziam o peito de saudade vencida, de uma quase mordida que o por acaso nos deu para marcar sua ida. E fico aqui, a escutar o não dito, a calar estrelas, a esperar noites inteiras vazias, a escrever frases frias e abertas, sem ponto, sem argumento, desbotadas e amontoadas de sentimento.


Lilian Vereza

quarta-feira, 13 de abril de 2016

"Talvez a felicidade seja isto: sentir sono e, simplesmente, dormir." ______________________________ Marla de Queiroz

Boa noite!
Como é bonito poder dizer a alguém “preciso de você”. Pensamos que para sermos adultos temos que ser independentes e não precisar de ninguém. E é por isso que estamos todos morrendo de solidão. 

- Leo Busbecaglia

"Fica: é a mais bonita das palavras desesperadas." ______________________________ [Pedro Jordão ]

"O tempo tem uma forma maravilhosa de nos
 mostrar o que realmente importa."

— Caio Fernando Abreu
De confusão tenho o coração inteiro. Beiro a loucura nos diálogos que faço comigo antes de dormir. São tantos. Brinco de ser tudo o que eu quiser, mesmo que, na realidade, eu não seja lá muita coisa. São tantas esquinas. Tantas placas de “Pare, aqui não é o seu lugar”, que somente assim percebo como estou há anos dando voltas na mesma quadra. Meu mundo interno está interditado; confusões inundaram os melhores brinquedos do parque. Paz interior? Já ouvi falar. Muito bem por sinal. Meus dobrados são pedaços de coração, medo e saudade. Do que eu fui, do que eu nunca vou ser, do que todos queriam que eu fosse e não fui. Dividir o que eu sinto? Loucura. Ninguém entenderia. Sou página em branco ou todas páginas do mundo, de meio termo não fiz aula. Alguém com as confusões em harmonia com as minhas? Eu não iria acreditar em tamanha perfeição! Alguém que tenha paciência para ouvir as histórias que só eu sei inventar? Que saiba viver o amor que só eu sei viver? Que saiba lidar com as mais intimas das minhas confusões? Que nade com alegria nas minhas águas? Impossível! Seria luxo demais um dia alguém entender as ondas noturnas e tempestuosas que fazem barulho neste mar. É ensurdecedor. É repetitivo. É revolto até o sol nascer. Durante o dia sou maré baixa; sorriso paisagem; também estou bem; aceito um café; vou ficar em casa hoje; nos vemos amanhã. Na noite cresço, viro alto-mar, repenso o que vivo, no que mereço, inverto as prioridades e os destinos, me transformo em euforia e, sendo todo valentia, viro coragem.Como se adiantasse ser corajoso na madrugada…Sempre com algumas certezas, mas cheio de dúvidas, nunca sei o que quero. Saber o que se quer é uma pergunta muito grande para respostas tão pequenas: amor, paz, carinho, o mundo, um beijo. Essas coisas. Nada demais. Assim, beirando a correnteza, vou indo, pois logo preciso acordar e, na maior intimidade do mundo, dar bom dia para todas as minhas confusões.

Frederico Elboni