quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

“Às vezes me pergunto se existe algo de errado comigo. Talvez eu gaste tempo demais na companhia de meus heróis românticos literários, e conseqüentemente meus ideais e expectativas são extremamente altos.” ____________________________50 Tons de Cinza


- Você tem alguma ideia do quão feliz 
você me faz sentir? - Ele murmurou.
- Sim… Eu sei exatamente. 
Porque você faz o mesmo a mim.

50 Tons de Cinza
A gente passou a vida lendo, assistindo, fantasiando Cinderela que era escrava doméstica mas feliz e se casa com um homem que só teve contato uma vez e ainda foram felizes para sempre; uma linda donzela branca vivendo com sete anões em uma casa e depois salva por um príncipe que a beijou morta; uma bela adormecida que é beijada, sem consentimento também, por um príncipe enquanto dorme. Muita coisa bizarra e estranha nos contos de fadas, mas a gente se encanta. Li a trilogia de 50 tons de cinzas, e se a literatura não é tão boa, é no mínimo fascinante para milhões de mulheres. Acho que nunca faria sexo dessa forma, mas talvez a liberdade de ler um livro sem hipocrisias cativou as mulheres, muitas que nem falam palavrão nem nunca assistiram um filme pornô. Ali, sozinha, ela pega seu livro e viaja no mundo que ela quiser. Um filme passado na imaginação. Entendo as críticas sobre a questão das mulheres gostarem tanto de um romance erótico em que o homem machuca a mulher, mas acho que tudo muda quando o que aceitamos é permitido e consentido, isso é fantasia. Quanto aos traficantes, não se compara. Grey é um homem fino, bem-sucedido dentro da lei e é claro que um homem lindo e que nos ame seria o conto de fadas perfeito.

Rachel Carvalho