sábado, 30 de janeiro de 2016

"Desapropriei meu coração, temporariamente. Aluguei um apartamento em Paris. Aceitei a oferta de emprego do jornal local. Dispensei a mobília. Reduzi a bagagem. Economizei as malas. Cortei pessoas do convívio. Fretei meus carros. Desativei e-mails antigos. Usei um codinome. Emprestei as emoções. Comprei novos cílios, pintei os olhos. (...) _________________________ Érica de Paula

"Tão forte e tão frágil."
Maquiei as olheiras, caprichei no rímel, mas... Você não é aquele que me conhece despida da maquiagem, da formalidade e das calças justas? Perdão. Há quanto tempo não te encontro? Que não sei da sua chuva, dos seus aniversários, dos teus escapulários telefônicos, das tuas manhas conhecidas e desmedidas. Desencontrei de teus olhares a muitas luas. Nós dois não nos desfizemos das bagagens. A gente deixou uma linha em branco, é isso? Que poderia ser um encontro, um reencontro, um sorvete, uma conversa. Não sabemos. Eu não sei. Vez em quando você me acha. Teoricamente, eu não correspondo. Teoricamente. Mas confesso, eu te encontro sempre à noite, antes do sono, do sonho, das luzes apagadas, das minhas meias verdades encontrarem um sentido pra nós dois. É estranho porque não terminou. A conexão, a porta aberta, o laço vermelho na minha cintura, 30 de janeiro, Adele, bilhetes em papéis coloridos. Devo crer que você me continua. Ainda que um possível reencontro esteja instalado no nada, no nunca, na outra vida. Certas continuações se permitem sem contar com as permissões corporais. Talvez seja este o nosso caso. Os mais românticos diriam uma lembrança, uma marca, uma memória, uma história para lembrar. Eu não sou romântica. Você não é de terminar. E tudo permanece porque nossos olhos não deixaram de se conhecer.


Érica de Paula

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Dividir o teto não garante proximidade, o que assegura a afeição é dividir o destino. ______________________________ Fabricio Carpinejar

"Seria tão bom sentir seu cheiro agora". __ M. Borges
Amo por descuido, prazer, união das vértebras, conjunção dos joelhos. Por safadeza, beleza, overdose de coragem. Por falta de juízo, falta de ocupação, de saudade, de regras. Amo pelos olhares encontrados, brilho da lua, gosto do beijo, sorrisos marotos, alegria sem motivo e pelos pés fora do chão.Amo pela sensação de pertencimento do meu amor. Pelo frio nas mãos. Pelo arrepiar na nuca. Amo também porque amar dá um frio na barriga. Amo pela ausência de teorias para amar. Amo porque me perco nas palavras e o amor me dá coragem de fazer aquilo que eu nunca faria se fosse normal. O amor ajuda-me a suportar as verdades então, amo pra falar bobagens, fazer histórias, guardar na memória, tolerar o dia, pra lembrar como é bom amar. Amo para não fazer feio na vida. Amo pra grudar meu corpo, calar minha boca, soltar meu mel. Por dengo, chamego, desassossego. Amo pela temperatura quente do amor. Na boa, eu amo porque amor é a única palavra que faz rima, canção, poesia, filme e outros salamaleques. Amo porque o amor facilita o entendimento entre duas pessoas de vidas tão diferentes, e transforma dois corpos, um lençol e uma cabaninha em um castelo com um rei e uma rainha. Amo porque o amor me leva a todos os planetas sem sair do lugar. Amo pelas minhas carências, toxinas e embriaguez. Amo porque o amor é capaz de me distrair e considerando esse quesito faz a vida acontecer em um único capítulo interminável, de cor azul, com todo o restante dos dias, sendo feriado. O amor é ininterrupto. Não tem pausa. Não possui outra versão e nem tagarela pedindo bis. É contínuo, sem pontuação, acentuação e sem outras frescuras. Amo porque o amor não desistiu de mim.


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Ita Portugal

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

"Quero apenas o tempo de perceber em teus olhos que um dia fui resposta." _________________________ (Dan Cezar)

Antes, já tinha deitado minha voz no silêncio.
 Agora, calo as mãos.
 Palavras valem a pena se nos
 esperam encantamentos.
Mia Couto.
Hoje eu acordei pensando em você. Grande novidade. Mas acordei pensando em algo diferente do mesmo clichê de sempre, entre aquela grande questão sobre te ter ou te perder. Hoje eu acordei pensando nos teus sinais. Me deparei com a constatação de que, de você, nada tenho. São só sinais de difícil compreensão ou sinais que eu tenho inventado. Se o certo for a primeira opção, bem, não me faço de rogada. Mostro cada vez mais o quanto eu quero ser alguém pra ti. E me dedico a estudar teus sopros, teus anseios e tuas respostas. Me coloco num jogo de menina ansiosa, criança em véspera de natal na tentativa de poder enxergar em cada palavra sua um pedido de companhia. Porém, Meu Bem… Se a opção certa for a minha construção idealizada de sinais para alimentar esse drama, admito minha encruzilhada. O meu lado pessimista diz que essa é a verdadeira face da história. E eu não me surpreenderia em me enganar mais uma vez com sinais inexistentes. O curioso é que eu não me importo. Sempre fui auto-suficiente. Romances e ficções de cabeceira me bastaram. Mas, pela primeira vez em muito tempo, eu estou decidida a abrir mão de ser tão minha. E, se for de acordo, faço disso o melhor motivo pra ser tão sua.


Daniel Bovolento- Adaptado

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

"Derrubei todas as minhas paredes pra dar lugar a mais janelas." ________________________________ Fernanda Gaona

Meu amor, com os lábios
vou medir as tuas distâncias.

Fernando Coelho
"Sou tão humana, Meu Deus! E no processo de lapidação, joguei fora algumas das minhas arestas, que talvez fossem o que eu tinha de mais valioso. Sou apenas alguém que poetiza, que oscila, que anseia, que sofre, que ama, que acorda de madrugada pra pensar e tem inveja dos que dormem tão profundamente àquela hora. Não tenho nada que outra pessoa não possa desenvolver também. Não há limite que eu não possa superar. E se você me encontrar por aí, ou por aqui dizendo coisas e mais coisas, duvide de mim também. Sou apenas mais uma na multidão que, enquanto caminha, vai deixando pra trás certezas, adereços, endereços..."



Marla de Queiroz

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Eu acredito nos encontros! As borboletas sempre voltam... Eu acredito em conspiração! Os ventos sempre sopram... Eu acredito em Deus! O céu sempre me sorriu... ________________________ Saulo Fernandes.

Um dia me disseram que
 "quanto mais alto o voo, maior a queda".
 Eu digo que quanto mais alto é o voo,
 mais bela é a vista...enxergue do alto,
 além do horizonte.
Miguel Costa.
É tanto cedo. Manhã liberta e um sobressalto. Um turbilhão de sentidos e um. Estou sóbria e carente. O amor em pedaços espalhado no rigor da certeza. E o teu sorriso. Cortante e furioso. Gentil e cúmplice. Íntimo. Um carinho, um cansaço que perdi. Tenho a solidez dos arrepios e a tua mão na minha. Um silêncio e só uma tradução: você guarda estes meus olhos em tuas lembranças, eu guardo os teus em minha vida.

Dan Cezar- Adaptado

O meu choro que nasce na Bahia, vem de gotas de areia que machucam o mar doce do meu amor, perdido de luar a beira-mar. __________________________ Fernando Coelho

Estar com o coração em paz,
ainda que sofrido,
 é um sinal de que tomamos
 a decisão certa.


Pe. Fábio de Melo.
Menino mais lindo do mundo esse Mar. Sou louca por ele. Menino feito de água, que pede mergulho, abraço, 'se achegue", saudade. Ser absurdamente louca por alguém ou alguma coisa envolve mais do que gostares e amares conhecidos, são delírios de profundidades não acessíveis à mente do agora, é um passeio inconsciente, um vai-e-vem que nunca se revela, mais que existe em partículas, que viram ondas, que se movem na velocidade do que só se alcança com a alma, e nela mergulho, pra chegar nos teus braços de mar.

Be Lins

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Uns amam, uns dizem que amam, uns pensam que amam e outros só querem ser amados. _______________________________ Géss Ferreira

Ela, indiscutivelmente, quer duas almas. 
E pessoas com almas não se fazem em uma noite.
Às vezes, leia-se quase todo dia, demoro para dormir. Penso demais, e isso, com certeza posterga o sono. Faço redemoinho dos sentimentos que me habitam; descarto os desnecessários e conservo os que ainda trarão beleza. E quando todos já estão a dormir, fico vendo filmes e séries, como se eu nem precisasse trabalhar amanhã; me perco em livros, como se a realidade não fosse tão linda como os livros que leio; ensaio diálogos e futuros hipotéticos, como se eu pudesse prever o que há por vir. Essa fração de tempo, entre o pensar e o dormir, é como se fosse um balanço harmônico do dia, do mês ou, em raras exceções, do ano. Nesse oceano que a gente mergulha antes de dormir, cativo de solidão e melancolias, boas e ruins, a gente distribui energia para o que almeja, reorganiza as prioridades dos amores e dos sonhos que virão e, como se fosse justo, deixa que a responsabilidade do peso que a gente carrega seja levado pelo inexplicável poder que uma noite de sono tem. Há tempos sou esse misto de solidão e necessidade de companhia. Confesso que há dias em que agradeço aos céus por estar sozinha, brincando com as loucuras do meu mundo interno, cozinhando o que me vem à mente, ouvindo as músicas que me tocam o coração, mas há dias em que abro a janela somente para ouvir os carros passarem, ou me entrego a uma simples televisão ligada, só para me sentir menos sozinha. Esse misto de solidão, que tanto gosto, com essa saudade de companhia, que tanto preciso, é uma linda história de anos. Passo dias escrevendo em total solidão, vasculhando o que há aqui dentro, tentando descobrir as tristezas e alegrias existentes, minhas e dos outros, e bebendo vinho – mesmo eu não bebendo vinho frequentemente, mas achei que daria um tom de elegância ao texto. Para mim esse tempo é tão precioso, tão único, tão meu. É como se minha alma e meu corpo estivessem juntos, sincronizados. Todas minhas companhias, ou a grande maioria delas, sempre souberam respeitar o meu espaço. Souberam conter um pouco da sua carência, ou da sua simples vontade de estar junto, só para me deixar voar nas palavras que, sem dúvidas, são as minhas melhores amigas – elas nunca me traem. Fico feliz e totalmente entregue quando elas, as minhas companhias, sabem respeitar a tranquilidade solitária que meu coração precisa. Um calor feito a dois é uma saudade. Fato incontestável. Não somente pelo esquentar dos pés, mas, porque quando se divide as cobertas, não se divide somente as cobertas, ou o calor que há na gente, mas se divide os sonhos, os anseios, as preocupações, o mundo interno que há dentro de nós. E eu estaria mentindo caso dissesse que não sinto saudade de admirar a pessoa amada ao meu lado dormindo. Mas na maioria das vezes não há milagres para ter alguém ao nosso lado, tão rapidamente, que não seja somente um momento de suprir carência. E, sinceramente, não faço questão de mais um vazio, tenho tantos aqui dentro. Com o contar dos dias, que passam sem nos pedir licença, a gente aprende que quanto mais a alma recebe silencio, mais ela está preparada para receber um amor. Saber esperar, sem preencher um vazio com outro, é uma maturidade linda. É conseguir preencher a saudade de um amor com outros amores; sejam eles livros, músicas ou o abraço da própria companhia. Hoje durmo sozinha, porque assim escolhi, mesmo volta e meia podendo escolher diferente. Acontece que a minha cama é grande, mas, infelizmente, ela é muito seletista e não aceita somente dois corpos. Ela, indiscutivelmente, quer duas almas. E pessoas com almas não se fazem em uma noite.

Frederico Elbone- Adaptado