quinta-feira, 18 de maio de 2017

Ela não pediu para ser assim, ela nem queria ser, pois ser poeta é algo extremo, vai da leveza à dor, e dói. É não dar conta de esconder as angústias, o amor e as vontades acumuladas. É um pensar que grita. É se expor, sem pretensões. É um sentir que transborda, que vai além e brota. ________________________ Thalita Souza

Sim Thalita, os poetas me inspiram!! Eu os amo!
Sobre nós poetas: nada vem do nada, se produzimos é porque somos/temos muito, e em momentos difíceis, fazemos do nosso vazio - aconchego, costumamos ser criativos com o que nos cercam. Sem soberba e egocentrismo, eu tô falando é sobre 'Sentir! Talvez a única coisa que nos diferencia das outras pessoas é o fato de colocarmos para fora sentimentos que muitos guardam para si. A prova de tantas identificações e admirações do nosso trabalho diz isso. Ser poeta é colocar sua essência em um diário e deixá-lo aberto, estamos expondo tudo o que somos, tudo o que temos, o que nos falta e aquilo que gostaríamos de um dia ainda ser/ter. E assim diante nossos amores e desamores, fracassos e vitórias, tristezas e felicidades, dentre outros que nos sustentam, fazemos arte. É como se nossas dores e alegrias fossem importantes para as pessoas, nossas vivencias e turbilhões de sentimentos acabam virando fonte de inspiração. Sabe o que torna isso ainda mais louco? É saber que no final de tudo, não estamos falando de nós e sim daqueles que nos lêem. Estamos mostrando para eles as possibilidades de sentir e existir que um ser humano pode vivenciar. Através dos nossos sentidos eles constroem os deles, cheios de autenticidade e enxergam que é possível! Somos todos poetas meus caros, somos do Sentir! 

_Thalita Souza

segunda-feira, 15 de maio de 2017

"Olho teu ombro com olhos de quem precisa tanto dele. É porto que quero ancorar. É terra prometida. Descanso. Meu doce amor, amo-te por completo. És minha vontade de nunca mais sair de perto. Águas calmas. Encanto." ________________________________ (Rachel Carvalho)

A vida é mágica em muitos aspectos e pode, em sua beleza e amplitude, nos surpreender com acontecimentos inesperados. Nesse caso me refiro a um encontro, romântico ou não, com uma outra pessoa, um encontro não premeditado e inesquecível. Algo que muitas vezes parece nascer do acaso, mas que na verdade é uma resposta para os nossos anseios mais profundos. E quando a vida traz para perto de nós um outro que se afina às nossas expectativas, dentro de situações coincidentes, falamos de “sincronicidade”. Nesse ponto podemos lembrar daquele “estranho” que um dia nos deslumbrou com palavras, gestos e ações que para nós se mostraram de imenso significado. Como se a vida nos falasse através dele. Falo aqui desse encontro que muitos podem entender como um que “não deu em nada”, mas que para nós se traduziu como algo memorável e de uma força sem igual, algo que carregamos como um tesouro, dentro da gente, por toda a vida. O conceito de “sincronicidade” foi desenvolvido por Carl Gustav Jung para definir acontecimentos que se relacionam não por relação causal, isso quer dizer que não importa se haverá uma sequência racional para eles, mas sim por relação de significado, ou seja, o essencial é o que significam para nós no decorrer de nossa vida. Para descrever melhor a amplidão desse arrebatamento capaz de nos tirar o ar em um momento não esperado, vou falar de dois filmes encantadores que traduzem bem o conceito: “As Pontes de Madison” e “Antes do Amanhecer”. Os dois filmes são muito especiais e merecem nossa atenção carinhosa. Resumidamente o filme “As Pontes de Madison” narra um encontro amoroso entre Francesca Johnson, uma dona de casa que mora em uma fazenda no interior de Iowa e Robert Kincaid, um fotógrafo da National Geographic, de Wasghinton, que estava pesquisando pontes fechadas e uma vez em Madison, pediu informações à Francesca. Já em “Antes do Amanhecer” somos expectadores de um encontro entre dois jovens, Jesse e Caroline, ele americano, e ela, francesa, que se conhecem por acaso em um trem na Europa e que resolvem saltar em Viena, para juntos passarem algumas horas conversando e se conhecendo melhor até o rapaz ter que embarcar de volta para os EUA. Esses filmes são belíssimos, sutis, delicados, muito bem dirigidos e ambos são inspirados em histórias reais. Histórias que aconteceram por acaso e que marcaram profundamente os envolvidos a ponto de saírem da memória e ganharem as telas. Esses encontros magnéticos, nos dois enredos, ocorreram como se fossem determinados pelo destino. Esses homens e mulheres precisavam de uma experiência emocional transformadora no exato momento em que se encontraram. O filme “As Pontes de Madison” é uma adaptação do romance de Robert James Waller, romance inspirado em fatos verídicos, e o “Antes do Amanhecer” foi filmado tendo como base o encontro real entre o diretor Richard Linklater e uma jovem chamada Amy Lehrhaupt no ano 1989. Os dois se conheceram em uma loja de brinquedos na Filadélfia, quando ele tinha vinte e nove anos e ela vinte e um, e resolveram passar uma noite juntos, assim como o casal do filme. Dias ou até mesmo horas são mais que suficientes para que uma experiência seja transformada em algo significativo e precioso por longos anos. O tempo de um evento não traduz o tempo de sua permanência em nós. A admiração e/ou o amor que nascem de uma casualidade e que crescem espremidos em um tempo contado podem se alongar por toda uma vida e isso só depende do significado desse encontro para nós. Em “As Pontes de Madison” o envolvimento amoroso entre os personagens deu ânimo e força para que Francesca pudesse se voltar inteiramente ao cuidado dos filhos e marido até sua morte. Contudo não podemos ignorar que sempre houve nela a vontade de se unir ao fotógrafo, vontade expressa pelo pedido, em testamento, de que suas cinzas fossem jogadas juntamente com as de Robert nas fundações da ponte Roseman. No caso de “Antes do Amanhecer” o diretor relatou ter dito a Amy, a moça que o inspirou durante horas de conversa, que faria um filme sobre o encontro que tiveram. Em entrevista Linklater admitiu que com a estreia do filme tinha esperança de reencontrar Amy, algo que não aconteceu, infelizmente, pelo fato de meses antes do início das filmagens de “Antes do amanhecer” ela ter sofrido um acidente de moto, aos vinte e cinco anos, e morrido. Eventos carregados de sincronicidade guardam em si um deslumbre e um anseio velado por mais, contudo não precisam desse mais para se expressarem completos em significado. Em “As Pontes de Madison” Francesca precisava ser ouvida e percebida. Ela queria um homem sensível e Robert precisava ser amado. No caso de “Antes do Amanhecer” os personagens Jesse e Celine precisavam desse encontro recheado de descobertas e significados. Nesse ponto talvez vocês estejam relembrando um encontro único e mágico que tiveram na vida ou estejam se perguntando quando ele irá acontecer. De acordo com Carl Gustav Jung esse encontro só acontece quando nossa alma está preparada para ele, quando ela está pronta para reconhecê-lo e vivê-lo de forma plena. Esse encontro, que parece casual, nada mais é que um chamado inconsciente de todo nosso ser, da nossa alma, pela experiência desejada. No entanto, ele pode nunca acontecer se nosso interior não estiver apto. Sabem aquela estória sobre cuidar do nosso jardim para então virem as borboletas? Ela é muito significativa. E nesse ponto não nos convêm esquecer que borboletas se encantam por jardins autênticos e só se aproximam quando percebem em nós um anseio profundo por elas.

sábado, 6 de maio de 2017

"Ela tropeçou numa súbita e irreprimível confissão de amor, chocou-se contra o medo de não ser correspondida e caiu no chão duro da impossibilidade de voltar atrás?... Era tarde, agora... _______________ Mas aí ele estendeu os olhos para os olhos dela e a levantou de onde quer que fosse, para sempre, com estas palavras: eu também a amo!" __________________________________ D.A.

Peço que a seguir desconsidere eventuais erros de concordância entre o tempo e as saudades, grife apenas a poesia oculta nas tristezas e deixe somente o meu amor em evidência. O amor emudeceu-me, amordaçou-me, e falou por mim. Disse saber dos detalhes e verdades tuas que floresceram num ontem enfeitado por nós. Assim, venho pedir-lhe: dispensa-me deste agora em que não te encontras, pois, o teu amor tornou sagradas as lembranças: templo passado que regresso apenas para saber de ti. Permita-me voltar e buscar-te no ontem, para nos repetirmos nos detalhes de que são feitos os amantes. Cenário onde não se exige nada além daquilo que já fomos. E nele, quero correr reincidente risco de morrer de amor, ainda que eu não venha a saber como renascer, visto que não há chances em que aprenderei a me despedir de ti. Não sou nem serei versado nas ausências que vez em quando permite o amor em nós. Coração que jamais sofreu com saudades e despedidas só pode ser aquele que ainda não (se) partiu. Você partiu e eu, partido estou. Sinto saudades como se ontem fosse lugar distante, mas dos lugares, o mais bonito, distante de um hoje em que teu olhar não mais cruza o meu. Por isso vivo inteiro ontem, e apenas lá, visto que os amanhãs não pertencem a nós dois, nem nós dois a eles. Por lá habitam apenas as promessas e os desejos. No passado, toco-te a despertar adormecidos sonhos com teu cheiro. Por isto, lá vivo, convencido que o hoje nasceu para o ontem, para contar-me de ti pelas memórias com o teu nome, a calar o tempo com o som da tua guardada voz em mim, para suspender o agravamento das tristezas. Hoje é também um pretexto para esperar a tua volta e me abençoar, vestir-me de sol e lembrar como amanhecer, chegando à conclusão que o que havia sentido ontem, na ausência tua não fez sentido algum. O que fazer depois que o amor vai embora? Do hoje parti quando ontem me despedi de ti. E por que costuma o amor partir antes da hora? Lá, no ontem, éramos o nosso melhor encontro, pois as despedidas não haviam de ser. Mas aqui, neste frágil agora, dói-nos o luto da separação e de não sermos mais. No ontem não sou tão real quanto sou hoje, mas quem se importa?

Guilherme Antunes

domingo, 30 de abril de 2017

Pra você que acabou de entrar na minha vida...

Arquivo Pessoal
Sim. Eu sobrevivi. Já me disseram que ninguém morre de amor. Mas creio que ficamos morimbundos um tempo. Caminhamos em passos tortos. Não sabemos o destino final. Não temos ponto de saída ou chegada. O ciclo precisa se completar. Tentar acelerar esse processo se envolvendo em paixonites agudas ou noites de sexo sem compromisso, não irá fazer com que a ferida se feche mais rápido. No amor, às vezes é preciso se perder sozinho, pois somente assim se encontrará por inteiro. Pra que você possa amar alguém, seja inteiro e não metade. Não vou dizer que você demorou a aparecer. Eu dizia pra mim mesmo que você devia estar por aí comprando seu jornal matinal em alguma banca de revistas. Não quero que assine contrato ou algo parecido com termo de posse. Aprendi que amar é deixar voar. Amor não combina com egoísmo e prisão. Saiba que não é preciso muito para me deixar feliz. Esse teu olhar ja é uma tremenda e deliciosa perdição. Foi me perdendo nele que me encontrei. Já que você bateu na minha porta, abra, fique à vontade e deixe ela aberta pra quando quiser sair ou até mesmo ir embora. Te quero por livre e espontânea vontade, assim como desejo que fique se a recíproca for verdadeira. Tem dias que sairemos juntos e te levarei no melhor restaurante da cidade, enquanto em outros vamos ficar esparramados e camuflados em meio às almofadas da sala de estar, arriscando uns amassos entre um filme e outro. Se resolver sair com os colegas de trabalho, me dê um beijo com sabor de primeiro encontro quando chegar. É importante que nos apaixonemos todos os dias e nunca esqueçamos do que nos fez querer um ao outro. Se resolveu entrar na minha vida, deixe teu cheiro na cama se por acaso eu estiver de folga e você for trabalhar. Quando for viajar pra bem longe, saiba que te sinto perto. Deixarei a porta sempre aberta pra quando voltar. Descobri a cor que você mais gosta e hoje mandei pintar nosso quarto com ela. Pra você que entrou na minha vida, te peço uma coisa. Se ficar, que fique bem. Que seja leve e sereno. Amor que inspira calmaria e seja o conforto depois de um dia turbulento. Se ficar, que não vá por qualquer motivo. O erro da maioria das pessoas é banalizar sentimentos tão raros. Se alguém te olhar e achar você espetacular, que bom! Essa pessoa espetacular resolveu ficar… na minha vida. Não precisamos alterar status de relacionamento em rede social, usar hashtags exaltando felicidade, nem mesmo postar à cada lugar que vamos juntos. Se entrar na minha vida, te peço apenas uma coisa. Me dê a mão e esteja comigo. De verdade. De corpo e alma.

FlavioJonatan

sábado, 29 de abril de 2017

...o amor não menor ou tão imenso intenso ou de maior razão tem o exato tamanho de caber no seu, no meu peito. ______________________ Dan Cezar

Minha vida não é um cinema mudo barato, desses preto e branco. Embora, às vezes, prefira a falta de falas e um dizer nos atos, eu gosto mais é da vida em cor. Vivi as emoções do meu primeiro amor, infantil e inocente, entre risos e mãos dadas e trocas de olhares, somente. E, descobri, anos mais tarde, que amor é outra coisa. Vivi amores impossíveis, possíveis, platônicos e inatingíveis. Descobri a beleza de um sorriso, a intensidade de um olhar e a tristeza de uma lágrima quando deixei de ser uma grande menina e passei a ser uma pequena mulher, carregando a felicidade num sorriso de Monalisa, discreto e quase imperceptível, cheios de poréns e porquês. Vivo tudo como se fosse a primeira vez e, confesso, seria mais fácil ter uma mente sem lembranças só para ter o prazer do tudo novo de novo ou, talvez, apenas para poder esquecer o inesquecível, guardar as dores feito poeiras e vê-las indo embora, iluminadas de sol. É que antes do pôr-do-sol, perdi aluem que muito amo, e tirou meu sono madrugada adentro e chovi até desidratar, até não me restar mais dentro de mim. Aprendi a escapar no sal. De mim, deixei apenas a marca de uma lágrima e antes do amanhecer já era tempo de recomeçar. Entenda que sou só uma mulher procurando paz de espírito, tenho meu sonho de liberdade e não tenho medo de altura, mas tenho muito medo do impacto da queda. Apesar de, não deixo de arriscar grandes vôos, só pelo prazer de admirar a paisagem e curtir a sensação de ser vento, de ser colibri e te conto, num sussurro manso, que os tempos tem sido difíceis para os sonhadores e que sonho, tempo todo. Vivo tudo como se fosse a primeira vez e, confesso, seria mais fácil ter uma mente sem lembranças só para ter o prazer do tudo novo de novo ou, talvez, apenas para poder esquecer o inesquecível, guardar as dores feito poeiras e vê-las indo embora, iluminadas de sol. É que antes do pôr-do-sol, perdi um amigo quase irmão e um avô quase pai e o vazio que ocupou o lugar do meu coração tirou meu sono madrugada adentro e chovi até desidratar, até não me restar mais dentro de mim. Aprendi a escapar no sal. De mim, deixei apenas a marca de uma lágrima e antes do amanhecer já era tempo de recomeçar. Entenda que sou só uma garota ferrada procurando paz de espírito, tenho meu sonho de liberdade e não tenho medo de altura, mas tenho muito medo do impacto da queda. Apesar de, não deixo de arriscar grandes vôos, só pelo prazer de admirar a paisagem e curtir a sensação de ser vento, de ser colibri e te conto, num sussurro manso, que os tempos tem sido difíceis para os sonhadores e que sonho, tempo todo. E se fosse verdade que a minha vida é um filme, seria para sempre cinderela.

Mafê Prost

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Quantos erros no amor são precisos para se conseguir um acerto? A sua vida era um péssimo clichê - pensou. _______________________ Guilherme Antunes

Arquivo pessoal
Alguns medos e amores são assim mesmo: feitos de imprudências, mas imprudência seria a certeza do equívoco ou o risco da felicidade? É preciso muito tropeço para fazer luz a deixar o coração de andar no escuro. Seja como for, melhor sempre segui-lo do que livrar-se dele...

... assim, imprudentemente.


Gui Antunes