domingo, 4 de novembro de 2018

"Guardo meu coração para depois, ainda não sei o que fazer com a parte que era tua." _______________________ ___(Cáh Morandi)

Arquivo Pessoal
Você não é novo aqui.  Teu signo. Tuas reticências. O jeito que escreve. Você é meu padrão; minha história gasta. É a mesma casa velha de outrora que ouso decorar com teu nome; com tua cor. Mas que canta outras músicas e já que não consigo te matar, mantenho-te vivo, pois você é a lição que ainda não aprendi. A dor que ainda não superei. É o livro de páginas repetidas em que encontro minha vaidade e minha verdade. E o enredo que é teu, fala de mim. Do outro fruto que colhi, tens o mesmo gosto. Chamo pelo novo e é o velho que ecoa. Reconstruo o passado que se faz presente. E não consigo achar um final para você. Para nós dois. Você é  o mesmo que inevitavelmente me persegue e me encontra, já que andamos em círculo. Por saber meu endereço. Por saber em que canto de mim guardo meus segredos. E você vem sempre do mesmo jeito, mesmo que de outras formas, pra me lembrar que não estou aqui para reclamar, mas para transcender e transbordar.

(Guilherme C. Antunes)