quinta-feira, 22 de março de 2018

Mais de uma vez disse que amava o outono, por ser simples e nada exagerado. Ela achava que outono era feito poema, bordado de arte. Outono era alimento para os olhos, enfeite da alma. Era o encanto, renascer, ser novamente. Isso era contagiante, causava vontade de viver mais. ____________________________ (Manuella, a menina que amava o outono)

Não percebi a chegada do outono. Mas eu sentia que estava embarcando numa nova estação: todas as árvores que (não) plantei, de repente, estavam nuas. E eu caminhava num tapete de folhas e flores. Os caminhos também se estreitaram e tive uma sucessão de perdas, ou melhor, tive uma sucessão de trocas. E assim, como toda pessoa que tem um coração pulsando, fiquei assustada demais com as mudanças. Mas agora já consigo perceber beleza na nudez de cada uma das minhas árvores prediletas. Elas apenas estão trocando de roupa enquanto eu troco de pele, tamanha cumplicidade.



Marla de Queiroz