quinta-feira, 15 de março de 2018

Pensei em ti com um suspiro de outono ... Nessas ilhas de distâncias, cheias de ruídos do passado, Um sonho familiar flutua ao meu redor ... Amar é uma coisa demasiado pura, Mas, ou aqui jamais chegaram tuas cartas de amor, Ou eu nunca soube ouvir teus lamentos... Poemas perdidos… ___________________________________ (Adilson Shiva)

março/2018
Eu vivo no mundo das ideias. Só que, com toda certeza, o mundo das ideias de Platão não é o mesmo em que eu piso. No dele, tudo era perfeito. O meu tá mais pr’aquele jardim do filme “A Cabana”, caótico à primeira vista. O jardim das ideias de Platão foi definido por um paisagista de primeira. Grama aparada, árvores podadas… O meu é uma selva, cheia de simbioses. Um caos harmônico. Imperfeitamente perfeito. Plenamente incompreensível em sua totalidade à minha humilde inteligência, mas totalmente conexo se visto de um prisma mais amplo. Eu vivo imersa no mundo encantado das ideias. Pra ser muito honesta, acho que só ele existe, minhas ideias sobre o que as coisas são, pois, em absoluto, não as conheço completamente. Não posso conhecer as coisas, porque mudam a todo instante. Até eu mudo, de modo que, se me conheço agora, no instante seguinte, posso me tornar alguém surpreendente até para mim mesma. Há horas em que pareço estar jogando um jogo e, quando domino todas as regras, a vida muda o tabuleiro e eu já não sei. Não sei como se joga e nem quem sou frente ao encontro com as novas circunstâncias. Necessito de tempo para me conhecer novamente. Para me re-conhecer. E quando finalmente me re-conheço, não tarda, a vida muda novamente, me fazendo cedo despedir-me do “eu” a que acabei de me afeiçoar. Em última instância, a vida se resume a despedidas. Despedidas daquilo que fica, posso dizer, porque o que fui sempre permanece parte daquilo que estou me tornando. As lições do passado me pertencem, me compõem e, vez por outra, eu o revivo e dele extraio novos ensinamentos. Ele se vai, mas, de algum modo, ele também fica.   _____________________   Talita Dantas




Não, Tempo, não zombarás de minhas mudanças!
As pirâmides que novamente construíste
Não me parecem novas, nem estranhas;
Apenas as mesmas com novas vestimentas.


William Shakespeare