quinta-feira, 18 de junho de 2020

São muitas às vezes que nós acreditamos nas nossas verdades e depois descobrimos que era tudo uma enorme projeção do nosso querer que fossem verdades. ________________________ Denise Portes

Arquivo Pessoal
Sou uma espécie de conselheira sentimental dos amigos. Todos os dias ouço histórias de amor. Histórias de amor que estão começando, outras terminando. Todas iguais dentro das suas diferenças. Amor e egoísmo. Amor e medo. Amor e abandono. Amor. Todos os tipos de pessoas, diferentes personalidades, as mais variadas maneiras de encarar as coisas da vida. Seres distintos. Idade, cultura (ou a falta dela), gênero. Todas movidas por essa coisa enorme que de repente invade a vida de cada um e toma conta de tudo. E depois vai embora. Ou não. Curioso é perceber como as pessoas reagem ao fim dos relacionamentos. Algumas se mostram tão fortes, outras se fragilizam tanto que parece que não vão conseguir continuar a viver sozinhas. Algumas ficam se culpando, se martirizando desnecessariamente. Outras logo, logo partem para outra, literalmente. Essas são, ao meu ver, as que conseguem aproveitar melhor a vida. Vivem o que tem pra viver, sofrem, choram, mas se erguem e saem lutando contra moinhos de vento. É assim, sempre. É quase que um circulo vicioso. Os relacionamentos começam, são lindos por um certo tempo, depois começam a desgastar-se até que um dia chega a hora derradeira do adeus. O bom é que mesmo sofrendo horrores algumas pessoas não perdem a doçura. Não desistem de ser quem são por ninguém. Enfrentam as dores de maneira diferente, em intensidade diferente. Passa. Sempre passa. Dia após dia sentem-se melhor, mais forte. Passamos a vida toda atrás de amor. Mesmo não admitindo isso. Procuramos incessantemente por alguém que nos complete. Que nos faça felizes. E essa pessoa chega. Faz o que tem que fazer na nossa vida, depois vai embora. E ninguém morre por causa de um coração partido, isso eu aprendi. Sempre surge uma pontinha de esperança e um amor novinho em folha. No tempo certo.

terça-feira, 16 de junho de 2020

Lembrar de você a cada manhã. Pensar em você para dormir melhor. _____________________ | Tati Bernardi |

Pálpebras que falam. Olhos que cantam e en(cantam). 
Vozes que se entrelaçam. Bailam. Paixões cantadas com os ouvidos. 
Sorrisos sentidos com o olhar. Poemas escritos com a mente. 
Versos recitados para estrelas. 
Mãos que se tocam através de cartas. Perfumes eternizados em livros. 
Solidão acompanhada pela presença da saudade. 
Sentimentos pontuados por reticências. Amor eternizado pelas entrelinhas. 
A força do que não foi dito. O encontro in(esperado).


- Lígia Guerra -

sexta-feira, 12 de junho de 2020

“(…)”Sempre” era uma promessa! Como é que você pode não cumprir uma promessa desse jeito? (…) — Às vezes as pessoas não têm noção das promessas que estão fazendo no momento em que as fazem.” _________________________________________ A Culpa é das Estrelas.

junho/2020
As pessoas amam bem mais a expectativa do amor possível, que o amor propriamente dito. Daí a intensidade dos impulsos bloqueados, os que estão impedidos de expansão e movimento na direção do objeto amado. Os "grandes amores" da literatura são grandes, não por serem amores, mas por serem impossíveis. Já os grandes amores da vida real só quem sente é que sabe. A impossibilidade de dimensionar um impulso afetivo carrega de energia a fantasia. E esta se encarrega de dar dimensão ao que o exercício da relação, talvez, tirasse. Na paixão impossível só estão as projeções do que idealizamos, pretendemos ou não conseguimos viver em nosso cotidiano. Daí ser fácil entender sua força, sua obsessiva presença na cabeça dos enamorados. É por isso, aliás, que só é musa quem é inatingível. Case-se com a sua musa e acordará com uma jararaca... Case-se com quem ama e será feliz. Quer se ver livre de uma paixão colossal? Vá viver com a pessoa objeto da paixão (observem, por favor, que não estou usando a palavra amor). Aliás, já está nos clássicos e, mesmo, antes destes, nos antigos: "A conquista enobrece e a posse avilta". Ou, como dizia Goethe: "Nas batalhas da paixão, ganha aquele que foge". Quantas vezes as relações humanas terminam ou se interrompem sem terem esgotado o potencial de possibilidades adivinhadas, intuídas, sentidas. Aí, o que não se esgotou clama por vir à tona e, muitas vezes, ameaça ocupar (e às vezes ocupa, efetivamente) todo o "ego". Não é por outra razão que o apaixonado é o maior dos egoístas. Ao dedicar tudo ao objeto da paixão, está é alimentando a própria necessidade, seja de sofrimento, de idealização, de felicidade ou fantasia. Entupido de impossibilidades, ele clama. E a isso muitos chamam amor. Mas amor é coisa muito diversa... Amor não clama nem reclama: amor dá.

terça-feira, 9 de junho de 2020

Não consigo imaginar outro lugar onde eu gostaria de estar agora, e olha que tenho a mania besta de sempre tentar. ___________________________ Gabito Nunes

A verdade é que, enquanto você estiver assim, nessa interminável agonia, esperando notícias que nunca chegam, vai deixar passar várias possibilidades interessantes ao seu redor . Claro, ninguém se compara a quem você aguarda, mas quem você aguarda não está disponível no momento . Poderá, inclusive, nunca estar, apesar de tudo o que foi dito naquele dia . Pessoas que somem não são confiáveis . E, mesmo que você tenha certeza absoluta de que não se trata de desprezo, que deve ter acontecido alguma coisa, que esse sumiço tem alguma explicação, não adianta nada você ficar ai esperando . Corroer-se de ansiedade não vai apressar a resolução do problema, seja ele qual for . Então, desencana ..


Fernanda Young

domingo, 7 de junho de 2020

" Quando a alma está no comando, a sua vida se torna uma "história de amor" Ansiamos por movimentos, para nos ligarmos com nossas almas. Os monges encontram essa ligação no canto. Os tuaregues, no deserto. Os poetas, na palavra. Os tocadores de tambor, na batida.... e eu dentro de mim mesma" ___________________________ Renata Lobo

Finalmente, aconteceu o melhor: eu entreguei os pontos. Tem hora em que deixar-se vencer pelo cansaço é que é vitória. Não para ficarmos morando nele, pois quando cansaço passa a parecer casa já virou cilada. Deixar-se vencer pelo cansaço, às vezes, só para a coragem descansar um pouco, tomar ar, beber uma água, estirar as pernas. Outras, para desistirmos de tentar ignorar o pedido de escuta do nosso coração ♥, que está cheio de coisas pra nos dizer, meio doído, meio assustado, meio aperreado, carente do olhar da gente. Querendo tempo. Querendo colo. Querendo abraço com os braços bons da ternura. Por preguiça afetiva, pra não darmos confiança para alguns sentimentos, pra economizarmos lágrima, por medo de que desminta as mentiras que nos contamos por comodismo, a verdade é que muitas vezes desconversamos quando o nosso coração ♥ tenta puxar assunto. E, não é raro, desconversamos com a maior cara-de-pau do mundo. Desconversamos com os recursos mais costumeiros, com outros inéditos, alguns até bizarros. Para esse tipo de escuta, quando é a nossa vida que está na berlinda e não a alheia, bem mais do que coragem, há que se ter também muito amor. Então, finalmente, aconteceu o melhor: eu entreguei os pontos. Cansei de resistir ao papo. Procurei um lugar confortável em mim, diminuí o volume dos ruídos todos do lado de fora, pausei os afazeres, sem mais nenhuma resistência e com toda honestidade amorosa de que era capaz. Disse pra ele: “Fala, meu amado, eu estou aqui inteirinha com você.” E ele falou tudo o que sentia e tudo o que sentia era legítimo. Choramos juntos sem economia de instante, depois assoamos a vida. Desapertou. Desapertamos. Respiramos mais macio. Criamos espaço, os dois. Combinamos deixar coisas pra trás e seguir em frente, mais leves. Combinamos que nem sabíamos direito como era isso de seguir em frente, mas que ali onde estávamos também não havia mais jeito de retorno. Combinamos que descobriríamos, juntos, ao caminhar!... 


sexta-feira, 5 de junho de 2020

Tu sabes que não existe no mundo nada tão instável, tão inquieto quanto o meu coração. _________________ Goethe

Não me atraso para a dor nem para o desencanto. Dentro de mim também há noites de silêncios e desamparo. Apenas cuido para que essas horas, solúveis, não se acomodem na minha janela. Cuido para que esse frio não me atrase com a sua estação de lágrimas sempre tão saudosas. Mas, não me atraso para a falta de riso nem para o desencontro. A fé é que sempre chega muito cedo. E me move. Tempo de fé invade, não espera o momento.

Priscila Rôde

terça-feira, 2 de junho de 2020

A vocês, eu deixo o sono. O sonho, não! Este eu mesma carrego! ________________________ Paulo Leminski

Arquivo Pessoal
Menina dos olhos cintilantes, que sorri para o dia de sol e para as flores que brotam sem pedir licença. Feminina, encantadora e apaixonada; pelos outros, pela vida ou por qualquer coisa que simplesmente – como se fosse pouco – faça bem a ela. Ela não costuma admitir, mas adora sentir-se acolhida. O que para os outros pode soar como pieguice, para ela é delicadeza, e uma linda parcela de amor. Sabe viver o presente sem se preocupar com os medos do futuro, porém, muitas vezes, oculta as suas vulnerabilidades para proteger a sua sensibilidade à flor da pele. “Como existem pessoas que não gostam de carinho?”, “Por que elas escondem tanto o que sentem?”, – se questiona, deitada em sua cama e olhando para o branco do teto, que, tempos atrás, era repleto de estrelas e planetas fluorescentes colados. Se entregar? Só se for de corpo e alma. Dinheiro? Prefere sentimento sincero. Não que ela não goste de dinheiro, mas não faz questão de ser milionária… Companheira, solidária e munida de sinceras gentilezas, ela se adapta às situações, mantém a calma, mesmo perto de quem desvaloriza a sua veia sonhadora. Mas, quando sozinha, se esconde na sua concha e sorri por saber que os sonhos são, e sempre serão, os seus melhores amigos. 

Frederico Elbone